West Brom 1-0 United: não existe evolução com Van Gaal

Querendo ou não, o rodízio faz parte do futebol. Guardiola - impulsionado também pelo plantel recheado de valores - promove mudanças no Bayern a cada jogo, o Real Madrid segue a mesma linha e Luis Enrique tem suas rotaciones clássicas no Barcelona. Mas tem hora que é preciso reavaliar as prioridades e colocar o presente acima do "futuro". Tudo bem que o calendário está intenso e temos 5 jogos em 14 dias, mas essa era uma tarde extremamente crucial.


Uma vitória nos deixaria com a mesma pontuação do Manchester City, que tem uma partida a menos mas é o primeiro na zona de classificação para a Champions. Além do mais, em caso de triunfo estaríamos a 2 pontos do Arsenal, este também com 29 rodadas jogadas - e, até sábado, concorrente ao título. Ou seja, o United estaria de vez no bolo lá de cima. Entretanto, o chefe preferiu poupar peças importantes e a oportunidade foi desperdiçada. Clique no link abaixo para conferir um resumo informativo deste revés.


ESPN.com.br | Mata é expulso, e United cai para o West Bromwich pela 1ª vez em 32 anos


Morgan Schneiderlin provavelmente apresentou uma boa performance em 90% de suas aparições e ultimamente não estava diferente. O francês vinha de atuações cirúrgicas e, mais do que isso, completas - um sinal muito animador. Que ele é um meia defensivo de primeiro nível todos sabemos desde o tempo de Southampton (o número de desarmes, interceptações e o próprio posicionamento sem bola provam isso), mas seu estilo tem passado por um processo de desenvolvimento.


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Schneiderlin é um dos jogadores mais qualificados do elenco e, ainda assim, é preterido em momentos importantes


Do embate contra o Shrewsbury em diante, o jogador vem ameaçando com perigo nas proximidades da área oposta e contribuído tanto com intensidade quanto com qualidade nos lances ofensivos. Quem teve o papel de preencher essa lacuna foi Michael Carrick, um dos melhores e mais inteligentes nomes do clube neste século e que merece enorme respeito. Estamos em 2016, porém, e seus atributos vêm decaindo há algum tempo. A perna não acompanha o raciocínio do cérebro - que não foi remodelado da maneira que eu imaginava (algo próximo do que Andrea Pirlo fez).


Especificando pro confronto no The Hawthorns, foi habitual e triste ver a bola passar ao lado do camisa 16 em velocidade média e chegar lentamente nos pés de Salomón Rondón - autor do gol decisivo. Na realidade, o colombiano era a maior válvula de escape dos anfitriões, que apresentaram uma estratégia com a cara de Tony Pulis.


O back-four era formado por quatro zagueiros, que com a bola eram laterais e, sem ela, centralizavam e causavam algumas consequências. A primeira linha de defesa ficava absolutamente compacta e com ótima ocupação de espaço, dado que os wingers recuavam e jogavam como alas - estes com função de contenção.


O double-pivot, formado pelo incansável Claudio Yacob - pensem no estereótipo do volante argentino - e Darren Fletcher, fechava bem o meio do último terço e Berahino apressava a saída confusa de Herrera e Carrick. Como sempre, o único jeito de buscar alguma coisa era dando o esférico para Anthony Martial e aguardando a habilidade do atacante resolver. Não deu.


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Martial e companhia tiveram dificuldade contra a defesa muito bem postada dos Baggies


E muito se deve à estupidez de Juan Mata, que você pode conferir aqui. Isso mesmo: em míseros três minutos de futebol, entre 23’ e 26’, o espanhol conseguiu produzir dois atos desnecessários/bobos/nonsense e prejudicar ainda mais o já falho sistema da equipe. Sem nosso focal point na criação das jogadas, nos tornamos num amontoado de individuais tentando decidir e…


Um dos atletas mais explosivos e qualificados no 1v1 não estava em campo. Falo de Depay, que foi tema de post aqui no blog na semana passada. Memphis também foi um dos melhores no último mês e finalmente vem explorando o seu potencial de maneira prolífica. O que acontece? Ele perde a posição num compromisso fundamental. Inexplicável.


Aí você me diz: tá, mas considerando a expulsão precoce, Van Gaal certamente o introduziu ou mexeu no time de algum modo, né? A resposta é negativa. Pra não ser injusto, existiram mudanças - mesmo que insignificantes. Martial se tornou centroavante, o menino Rashford ocupou a ponta direita e Lingard inverteu para a esquerda. Nada que realmente ajudasse em determinado sentido.



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A primeira substituição resumiu o duvidoso game-management do treinador: ele errou no momento e na própria troca. Schneiderlin, que entrou, merecia os minutos e suas qualidades eram de grande valia, mas Herrera não podia sair. Comentei a lentidão que apresentávamos em todas as fases do jogo e Ander era quem carregava o piano e direcionava a criação. Ele foi para o banco mais cedo e Carrick, nulo, continuou.


Tal alteração travou ainda mais a partida e não acrescentou muita coisa. Acabamos cedendo a posse de maneira confortável aos Baggies e até mesmo sucumbindo a uma espécie de pressing situacional deles. Tal artifício trata-se da pressão em sua pura concepção mas é parte de um contexto diferente. Os movimentos só são executados em momentos esporádicos, quando os jogadores das linhas de frente percebem certa vulnerabilidade na saída do adversário.


Pra quem acompanha a Premier League há mais tempo, o pensamento é óbvio: não tem como aceitar o fato de sermos pressionados e, as vezes, engolidos, por uma equipe do Pulis. Goste ou não, o britânico ex-Stoke e Crystal Palace tem seus pontos fortes, mas esse definitivamente não é um deles. Mais uma vez, LVG quebrando paradigmas. A única explicação pra tudo isso é que o holandês fez uma aposta com Moyes pra ver quem faria mais feio em Old Trafford.


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Warren Joyce é um dos nomes mais qualificados nos bastidores do Old Trafford e faz por merecer uma chance como interino


O que nos resta, então, é torcer pra que a diretoria tome as decisões certas e aguardar a saída do homem que nos fez dar um passo pra frente, sim, mas dois pra trás também. Não existe evolução sob o comando atual e eu arrisco a dizer que seria inteligente deixar o first team na mão de Warren Joyce e Ryan Giggs. O segundo dispensa apresentações (e também não deve/pode ser efetivado como manager) e o primeiro é quem treina nosso sub-21, que faz ótima temporada, nos traz valores de peso e, acima de tudo, demonstra um futebol extremamente atrativo.


Tá chato, entediante, feio e, principalmente, ineficaz. Suportamos enquanto deu, mas cada vez mais a sensação é de que o limite foi extrapolado. Deem a equipe para quem tem motivação, só tende a crescer e conta com o fator surpresa ao seu lado. Mourinho deve assumir na off-season e, do jeito que estamos hoje, não vamos pra lugar algum. É melhor tomar riscos e dar um pingo de alegria ao torcedor do que manchar ainda mais a desgastada imagem do Manchester United.