Jogador do ano do United: De Gea ou Anthony Martial?

Nesta segunda-feira (2), o tradicional evento de fim de temporada foi realizado em Old Trafford. Alguns prêmios foram anunciados e Van Gaal deu seu veredicto sobre a campanha. Acho difícil que alguém concorde com as palavras do chefe, ainda mais quando o mesmo gastou 250 milhões de libras desde que chegou, fez o que quis com o elenco (algumas ótimas decisões, como explicadas aqui, e outras nem tanto) e provavelmente vai nos deixar sem muita evolução.



"Vem tudo sendo muito difícil. Mais para os meus jogadores do que para mim. Primeiro porque eles tem que lidar com esse treinador, o que não é fácil. Estou feliz por dar aos torcedores uma decisão. As expectativas estão muito altas, estamos num período de transição. Os atletas entendem isso, é complicado."


Sobre os rumores que indicam sua demissão:


"Sou um técnico que gostaria de ter certa autoridade mas todos os dias o elenco pode ler essas coisas, o que vocês pensam? O que vocês acham da maneira que eles vão querer seguir minhas instruções? Quando sou tachado como um ninguém. E eu não sou o que a imprensa diz pelo fato de eu ser arrogante, mas sim porque sou um dos melhores treinadores do mundo."



Pois é. O tratamento dos jornalistas realmente passa dos limites e, apesar de todo o baixo rendimento, existe um limite quando estamos tratando com pessoas. Concordo que não seja fácil lidar com essa avalanche de críticas e algumas acusações, já que ninguém é de ferro - mesmo se a autoconfiança é enorme. Por outro lado, foi o próprio holandês que criou esse cenário amargo. As desculpas parecem exageradas e tenho certeza que um pouco de consciência interna fariam bem para qualquer parte envolvida neste momento.


Enfim, partimos para a premiação.


Como esperado, De Gea levou o troféu de Jogador do Ano pela terceira temporada consecutiva (algo inédito na história do clube) e isso deixa duas coisas em evidência. A primeira, obviamente, consiste na qualidade do jogador. Considerando a contestação que enfrentou nos meses iniciais em Manchester, é um feito e tanto. Um fato pouco conhecido é o de que até mesmo Sir Alex Ferguson não depositava muita confiança no espanhol, tendo Manuel Neuer como seu número 1 na lista de desejos em 2011.


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De Gea com certeza fez por merecer o terceiro troféu da carreira, mas isso mostra o baixo desempenho dos jogadores de linha


Entretanto, foi convencido por Eric Steele - preparador de goleiros na época - a fechar negociação com o então atleta do Atlético de Madrid. Bom, não podemos falar que o alemão seria uma escolha errada, mas hoje David faz por merecer todo o reconhecimento que tem. Seu começo de carreira no United foi cercado de instabilidades no desempenho e incertezas em relação ao futuro. E não foi coisa mínima. A situação chegou ao ponto de SAF deixá-lo de molho para dar minutos entre os titulares à Anders Lindegaard.


O grande problema na campanha de estreia foi o modo com que DDG reagia frente ao caos e os costumeiros cruzamentos da Premier League. O futebol da Liga BBVA é bem mais tático e estrategicamente organizado, colocando uma pressão menor em quem defende as metas. Na terra da rainha, porém, a constante bola aérea e os bombardeios que aconteciam sem aviso prévio faziam questão de testar o jogador ao seu limite. E, depois de muito treinamento e amadurecimento psicológico, nos encontramos numa completa - e justa - lua de mel com o camisa 12. Que o fax do Real Madrid seja abençoado.


O segundo ponto que esta nomeação destaca é menos animador. Quando seu goleiro é o melhor jogador da equipe por 3 vezes seguidas, algo está errado. É claro que é ótimo ver que o rendimento vem sendo espetacular por parte do individual, mas isso também mostra as falhas do coletivo. Um upgrade nos outros setores é necessário, e isso só vamos alcançar com uma troca no comando. Considerando que desde 2013/14 tivemos bons valores entre os nomes de linha, está visível que o maior empecilho não passa pelo individual, mas sim pelo sistema em que estão inseridos.


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Ícones como Denis Law, Sir Bobby Charlton e Denis Irwin marcaram presença no evento


Pois bem. Pra falar bem a verdade, este que vos escreve daria o prêmio para Anthony Martial. Não especificamente por seu 15/16 ter sido melhor que o do arqueiro, mas sim pelo peso que carregou em suas costas. Dentro de um time extremamente desequilibrado (ou equilibrado demais?), o francês tratou de chamar toda a responsabilidade e fazer chover em cada gramado que tocava. Pode parecer exagero, mas o nível demonstrado em sua primeira temporada foi assustador. E quem acompanhou tudo bem de perto sabe que isso é verdade.


No panorama atual do esporte - e da sociedade -, praticamente todo jovem que surge com um leve sinal de qualidade é elevado a um patamar que ainda não foi alcançado. Foi assim com Memphis Depay, por exemplo, e apesar de ainda confiar em seus serviços, por enquanto a coisa tá complicada. As expectativas são enormes, o nome pesa antes mesmo de ser provado, e, por fim, dentro das quatro linhas o que pinta é a decepção.


O atacante ex-Monaco, por sua vez, chegou em Carrington como uma verdadeira incógnita. Mais que isso, um youth prospect pronto a ser queimado por milhares de torcedores/analistas que, impulsionados pelo imediatismo, tomavam conclusões rasas antes mesmo de ver o desempenho. A resposta foi dada na bola, do jeito que deve ser. Sua real influência não se resume a estatísticas, mas é certo que 15 gols e 4 assistências para quem tem 19 anos e joga numa equipe como a nossa é um record bem agradável.


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Primeira aparição da carreira no maior clássico inglês e um golaço para selar a vitória; Martial também mereceu o seu título


Os outros prêmios, menos badalados, não abrem tanto espaço para discussão. Chris Smalling foi votado pelo próprio elenco como o Player of the Year, enquanto Marcus Rashford levou o jogador do ano do sub-18. Com justiça, o gol de Martial contra o Liverpool foi considerado o mais memorável da campanha. As performances de Cameron Bortwick-Jackson foram recompensadas com o título entre o grupo do sub-21 - e, pra finalizar, deixo a questão aberta: o lateral-esquerdo foi muito bem quando chamado para o first team e continuou demonstrando capacidade fora dele. Por que temos que aguentar Marcos Rojo ou até Ashley Young improvisado?


E aí, De Gea ou Martial? Outro? Deixe sua opinião nos comentários!