David Beckham, o astro subestimado

Sim, você leu certo. Chamei de subestimado um dos maiores ícones da sociedade moderna, conhecido em todos os cantos do mundo. O ponto é que não falo em relação ao alcance global da marca criada pelo inglês, mas sim a apreciação dada ao rendimento dentro de campo. Nisso, não tenho dúvidas de que David Beckham é visto como algo a menos do que realmente foi.


Hoje em dia, é habitual vermos uma grande quantidade de pessoas se referindo ao ex-jogador como simplesmente um exímio cobrador de faltas. Sua imagem, refinada em todos os sentidos, também fez com que muitos o tratassem de maneira rasa e, até certo ponto, invejosa. Como um atleta pode ter tanta qualidade, fama, dinheiro e sucesso?


Getty Images
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Becks frequentemente aparece nas mais diferentes ações e eventos ao redor do mundo, mas boa parte da fama ele ganhou dentro de campo


Esses foram alguns motivos que levaram a conclusões extremamente desprezíveis por alguns torcedores em geral e, infelizmente, pela imprensa. Uma série de fatores - alavancados pelo próprio indivíduo, é claro - fez com que suas habilidades futebolísticas fossem criminalmente diminuídas. Atualmente, quando seu nome é colocado em discussão, fala-se mais sobre os elementos que faltaram do que aqueles presentes em seu repertório - e currículo.


Ninguém sai valorizado de Manchester United, Real Madrid, Milan e Paris Saint-Germain sem um vasto potencial e desempenho condizente com o hype. Essas gigantes agremiações não o mantiveram por aspectos publicitários (os franceses, de fato, focaram mais nisso), mas sim por aquilo que Beckham era capaz de fazer com a bola nos pés. E pode ter certeza, era muito mais do que finalizações e cruzamentos de categoria.



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Seis títulos da Premier League, duas FA Cups, uma Champions League, uma La Liga, uma Ligue 1 e duas MLS Cups preenchem o cartel coletivo. Individualmente, foi o Jogador Jovem do Ano em 1996-97, Jogador Inglês do Ano em 2003, Jogador de Clubes do ano da UEFA em 1998-99, Personalidade do Ano da BBC Sports em 2001 e marcou o Gol da Década em 1996. Além disso, ficou em segundo lugar na votação para Melhor jogador do Mundo em duas oportunidades. Marcou presença quatro vezes na seleção do Campeonato Inglês, duas na seleção da UEFA e por aí vai.


Ok, não chega a ser um currículo digno de Lionel Messi, mas pense bem: dá pra ganhar tudo isso sendo apenas um bom cobrador de bolas paradas e tendo um rosto bonito? A especialidade ajuda, é claro, mas é óbvio que a resposta é negativa. Numa época levemente obscura para o futebol britânico, vale lembrar que David é o único do país a ter conquistado troféus nacionais em quatro nações diferentes.



Esse feito fica maior ainda quando colocamos em perspectiva o fato de que a maioria dos seus conterrâneos não têm sequer a coragem de largar o conforto da EPL. São mínimos os exemplos que resolveram deixar a ignorância de raiz de lado para expandir os horizontes lá fora. Becks é o maior e mais significante deles. É bem verdade que existiu um atrito com Sir Alex Ferguson, mas não se esperava vida fácil no Santiago Bernabeu.


Naquela ocasião, pipocam dúvidas em relação a titularidade nos Galacticos e o atleta acabou com elas dentro das quatro linhas. Sendo um winger (não dos tradicionais e unidimensionais, é claro, mas original da posição) em Manchester, conseguiu adaptar completamente o seu jogo para as exigências redobradas que encontrou. Passou a ser um meia central de patamar world-class e impressionou nomes de peso na Espanha.


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Beckham é admirado em todos os lugares que passou, seja como companheiro ou adversário


Ou seja, ele atuou em alto nível por dois dos maiores clubes do planeta e, cada vez que dominava o esférico, cativava o público. É um fenômeno de marketing, branding, estilo e tudo mais? Com certeza, e isso também é admirável. O mais importante, porém, não pode ser jogado pra debaixo do tapete: Beckham foi um dos melhores jogadores do mundo dos últimos 25 anos.