O que a venda do Milan e o Molejão têm em comum?

Enquanto dentro das 4 linhas a situação do Milan parece finalmente ter encontrado o ponto de equilíbrio - sem qualquer citação àquela banda de reggae -, conseguindo unir boas e médias atuações a resultados importantes e úteis, quando o assunto chega aos ternos e gravatas não mais amarelas, o clube da Via Aldo Rossi vive dias mais conturbados do que os de balanço financeiro das Empresas Wayne.


Quando time foi a Londres para enfrentar o Arsenal pela Europa League, Marco Fassone participou de diversas reuniões de negócios em busca de patrocinadores, investidores minoritários e também uma bem especial com os representantes do fundo americano Elliott.

Segundo a Gazzetta dello Sport, o CEO rossonero recebeu garantias de que o fundo de investimento americano não teria qualquer intenção de abandonar ou mesmo desmontar o Milan em caso de não pagamento do empréstimo realizado por Yonghong Li para realizar a compra da sociedade em Abril do ano passado. Ainda, em assembleia geral realizada este mês também, foi requisitado ao presidente um aumento de capital de 35 milhões de Euros para gerir o clube nos próximos meses e o jornal La Repubblica afirma que novamente o dinheiro pode vir de outro empréstimo dos americanos aos chineses/milanistas. Some a isso também a notícia da falência de Jie Andie, uma das empresas que Yonghong Li tinha indicado como garantia para pegar o empréstimo de 303 milhões de Euros com - adivinha quem? - a Elliott.


Favor, a partir desse ponto, dê o play abaixo e continue a lero texto.



A cereja do bolo foi a notificação da Procuradoria de Milão, que, através do Procurador Fabio De Pasquale, iniciou um procedimento para, em poucas palavras, saber que p*orra é essa e como esses chineses conseguiram realizar um negócio desse tamanho com garantias tão escassas e pobres, trocadalho incluso.


O assunto é complicado, é desgastante e muitas vezes desinteressante se você enxerga o esporte apenas como a prática em si, sem tem qualquer vontade de assumir o mundo de assuntos envolvidos e, principalmente, os interesses políticos e econômicos nessa farra de verdinhas. No final das contas, temos alguns cenários possíveis dada a situação atual.


A primeira é de que Yonghong Li consegue juntar todo o cascalho que deve aos americanos do fundo de investimento Elliott, salda todas as suas dívidas dentro dos prazos estipulados e esfrega na cara de todo mundo que os chineses vieram para ficar de vez no lado vermelho de Milão. 


Getty Images
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Te ganhei no paparico, te papariquei...


A segunda possibilidade é de que o senhor Yonghong Li não arruma a grana toda, aceita mais um empréstimo dos americanos da Elliott para cobrir as despesas nos próximos meses e ambos, Li e a Elliott, se apresentam para os órgãos reguladores da UEFA como gestores da A.C. Milan S.p.A., algo que parece ter mais possibilidade de ocorrer.


No terceiro cenário, entra em cena o poder de barganha e convencimento de Marco Fassone, além da tática arrumar uma dívida para cobrir outra. Aqui, o Milan pega empréstimo em outra fonte, paga a Elliott, tira os americanos da jogada e colocam outro credor no lugar deles. Assim, Li e a corporação Lanterna Verde mantêm o controle sobre a Sociedade, pulando de dívida em dívida.


Agora, o pior cenário possível é aquele em que Yonghong Li não tem o dinheiro, Marco Fassone não arruma outro empréstimo, os americanos da Elliott tomam de assalto o controle acionário do clube, não demonstram qualquer interesse na gestão da sociedade e o colocam na vitrine com uma plaquinha de 20% de desconto no pagamento à vista.


Divulgação/acmilan.com
Divulgação/acmilan.com

Minha paixão é verdadeira, faço tudo pelo nosso amor


Alguns jornalistas italianos, como Marco Bellinazzo, já afirmam que o Milan de fato já está sob controle do Elliott e que os chineses foram apenas uma maneira de passagem transitória de poder, como aconteceu com a Internazionale, Moratti, Thohir e o grupo Suning. Honestamente, uma nova troca de donos não seria tão mal vista caso, de fato, o império de Li seja falseta e o Milan se veja novamente nas mãos de alguém sem um puto no bolso para investir na equipe. Ainda, o clube pode aumentar seu valor de mercado com um bom resultado esportivo nessa temporada.


Italianos, chineses, americanos, uzbeques ou wakandianos, pouco importa a nacionalidade dos donos do Milan, contanto que não sejam mafiosos, traficantes ou qualquer tipo de criminosos, e que tenham alguma grana para investir nesse clube.