Acabou o gás, Milan?

Enfim, a casa caiu. Não que isso seja muito agradável de se ler, ver ou perceber justamente no final da temporada faltando 7 partidas para o final da Serie A e a grande decisão da Coppa Italia, todavia, uma hora a casa iria cair e o nosso Tom Hanks ficou perdidinho ali no meio de tudo.


Gennarino pegou o time no bagaço, deu pernas, objetivo e confiança para esse um bando de 12, 13 jogadores que conseguiram levar tudo numa boa por 3 meses até abrirem o bico. E olha que dessa vez o Milan até jogou bem a última partida contra o Sassuolo, que contou com um Consigli possesso embaixo das traves que defendeu. O empate nos últimos minutos com um gol do inominável novamente escancarou problemas que escolhemos ignorar por um tempo.


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Não comemoro gol DISSO AÍ


Por mais que tenham produzido bastante, o repertório há um tempo não é variado o suficiente para vencer algumas partidas importantes, como a deste domingo passado. O Milan, por motivos de cansaço e falta de peça de reposição, se tornou um lindíssimo samba de duas notas, forçando o jogo pelas pontas e entregando a bola nos pés de Hakan ou Suso para que eles resolvam seja com bolas alçadas seja com chutes de longa distância. Novamente, o time jogou bem e poderia sim ter vencido essa partida, só que o Sassuolo manteve o rossonero dominado boa parte do jogo ao dobrar a marcação nas pontas.


Gattuso até tentou uma mudança inesperada, e essa é outra questão que deve ser abordada. Por mais que o técnico calabrês tenha a obrigação de tentar de qualquer maneira vencer um time que está muito abaixo na tabela, ele não pode esquecer o que causou a queda de seu antecessor: a defesa com 3 zagueiros. No momento em que tirou Abate para colocar André Silva e recuou tanto Hakan quanto Suso para as alas, Rino matou as únicas opções ofensivas que seu time possuia e deu um espaço dos diabos para o time de Giuseppe Iachini atacar e abrir o placar.


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Acabou o gás


Agora, a verdade. Claramente esse time já está no seu limite e nesse momento as coisas complicam mais ainda. Além da má fase já inegável de um cansado Bonaventura, a lesão de Romagnoli - que deve afastar o romano por pelo menos duas semanas dos gramados - e a suspensão de Bonucci pelo número de advertências entregam a chave da defesa para a dupla Musacchio-Zapata, ambos com poucos minutos jogados nas pernas, justamente em uma partida contra o Napoli. Ter um time titular é importante e transmite segurança a todos, contudo, fazer rotação de elenco em certos momentos é indispensável para evitar esses efeitos colaterais.


Para encerrar, esse empate é simbólico por representar a diferença entre Milan, Napoli, Internazionale ou Lazio e Juventus. São jogos assim, em que a atuação não é tão ruim mas o time não consegue fazer gols de jeito nenhum que o banco de reservas faz uma diferença gritante, e não estou falando do técnico. Ter peças de reposição com um nível técnico pelo menos próximo dos titulares é a chave para o sucesso em qualquer campeonato.