O Milan dessa temporada analisado por setor - O ataque

Quem diria que um dia a gente iria chegar ao fim? Nessa especialmente desorientada série de textos sobre o Milan da temporada 2018/2019 chegamos ao último setor justamente no última dia que antecede a estreia da equipe de Gattuso na Serie A contra o Napoli do inoxidável Caio Bitencourt.


Fechando a trilogia, vamos agora analisar 


O ATAQUE


O setor que recebeu o maior investimento na última temporada também foi o que trouxe uma das maiores dores de cabeça do milanista. Eram três atacantes de ofício no plantel, todavia, nenhum deles estava muito afim de manter uma regularidade de bolas na rede (ui) que o Milan precisava. Nas pontas, apesar de ótimos titulares, Gattuso caia na velha questão do cobertor curto.


Rino tinha sob seu comando Kalinic, André Silva e Cutrone para incorporar o caboclo fazedor de gols na equipe. Contudo, somados, os três atacantes anotaram 34 gols na temporada, sendo 18 apenas do jovem Patrick Cutrone. Nas pontas, Suso e Hakan tiveram uma temporada irregular, sendo que enquanto o turco cresceu de importância no time, o espanhol caiu muito de produção. O problema era a reserva de ambos, havendo apenas Borini para entrar em qualquer um dos lados e Bonaventura, que pode ocupar a ponta esquerda na falta de Hakan.


Dos citados, Kalinic (Atlético de Madrid) e André Silva (Sevilla) deixaram Milanello e foram ser felizes em outros campos, enquanto Carlos Bacca (Villarreal) mal chegou do empréstimo e já se mandou também, envolido em uma negociação. Assim como no meio-campo, Gattuso precisava de reforços imediatos ou em nada mudaria o panorama para a vindoura temporada 2018/2019 e, ao contrário do que aconteceu com a meia cancha, eles vieram com precisão e na medida necessária.


Getty Images
Getty Images

Vejo assistências e gols nessa foto


Com a nova diretoria vieram Leonardo, Maldini e duas oportunidade de ouro aproveitada pelo capeta. A primeira, como citado, envolveu o retorno de Bacca ao Villarreal enquanto o espanho Samu Castillejo veio no caminho contrário. O novo espanhol camisa 7 do Diavolo é fundamentalmente um ponta direito, devendo ser reserva imediato de Suso. A outra chance foi a negociação envolvendo Bonucci e Caldara que, por uma enorme coincidência, facilitou a vinda de Gonzalo Higuaín por um valor justo e, claro, parcelado. O atacante argentino chega com a mínima obrigação de repetir seus números do último campeonato, onde anotou 16 gols na Serie A.


Há aqui um asterisco que merece explicação. Tanto Diego Laxalt como Alen Halilovic foram citados em setores distintos, entretanto, também pode atuar nas pontas do tridente ofensivo se necessário. Esse tipo de polivalência, antes só mostrada pelo Molejão, é exatamente algo que Gattuso buscava e não tinha em seu plantel.


Divulgação/acmilan.com
Divulgação/acmilan.com

O novo #7 do Milan, Castillejo tem que oferecer DIBRE


A vinda de Higuaín tira um peso enorme do tamanho do inferno de Dante das costas de Cutrone, e isso é algo muito positivo. Com um centroavante do calibre do argentino na equipe, o italiano terá a paz necessária para evoluir e melhorar cada vez mais, algo que os 10 gols na Serie A passada deixam claro que ele pode fazer. As pontas do tridente finalmente possuem titulares e reservas definidos e, mais importante, com características diversas. Se o jogo pede criatividade e chutes de média e longa distância, Suso e Hakan podem garantir isso. Agora, se o adversário pede alguém mais incisivo e com facilidade para dar aquele DIBRE, Castillejo e Halilovic/Laxalt dão conta do recado.


Há também a possibilidade de uma interessante variação no esquema de jogo de acordo com o adversário durante a partida, havendo apenas a mudança de posicionamento dos jogadores por ordem do técnico, algo que Gattuso tentou fazer na temporada passada também, não obtendo muito sucesso justamente pela falta de opções no banco.


Nas primeiras rodadas, após essa partida contra o Napoli por conta da suspensão do #10 rossonero, o sete-peles de Milão deve ser escalado com Suso, Higuaín e Hakan na Serie A. É muito provável que haja a rotação do elenco durante as três competições a serem disputadas e Gattuso pode fazer isso bem. Afinal, se organizar direitinho, todo mundo.... joga.