Alguém ainda respeita o Milan de Gattuso?

A vida de torcedor do Milan nessa temporada que nem começou direito parece muito com uma montanha-russa invertida, enferrujada, mal lubrificada e com o cinto de seguranças faltando ou com o encaixe funcionando mal. Daquelas em que você, se tiver alguma fé, reza para entrar pois já foi uma das maiores atrações do ramo e quando vê o cidadão que está na cabine de comando reza três vezes mais para que você chegue quase vivo ao final. E mesmo nessa analogia piegas, existe outro ponto em comum: o medo.


Como dito no texto anterior, a curva de crescimento do Milan não pode ser freada pelo medo de Gattuso na condução do time. Ontem, na derrota para o Real Bétis, novamente se viu um time que em momento algum teve o controle do jogo em seu próprio estádio, a sensação é de que os 11 do capeta eram um bando em campo sem qualquer criatividade, sem começo, meio e fim para as jogadas e isso é culpa única e exclusiva do técnico. Logicamente podemos alegar que os jogadores reservas, tais como Bakayoko, Borini e Zapata não estão no mesmo nível dos titulares e que, cá entre nós, nem mesmo alguns titulares estão tão bens assim (Bonaventura, Biglia e Calabria), todavia, quem escolhe o time, arruma os candangos no esquema errado e coloca esse monte de caneludos em campo é o técnico.


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Lo Celso acabou com o jogo


Para quem vê de fora, parece que algo mudou na relação de jogadores e técnico, e eles deixaram de acreditar no trabalho de Rino. Por mais que as declarações pós derrota tenham sido de confiança e apoio vindo tanto dos jogadores quanto da Diretoria - Leonardo novamente reafirmou que a cadeira de Gennarinno não está esquentando - o clima não parece ser tão lindo com perfume de flores silvestres e papel higiênico branquinho e fofinho mais como era antigamente.


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O desespero de Cutrone ao final da partida


Há rumores de que as próximas três partidas pela Serie A - contra Sampdoria (c), Genoa (c) e Udinese (f) - serão decisivas para o futuro do treinador. Caso não haja uma mudança extrema de mentalidade e de jogo, a fila do seguro-desemprego deve ser o destino de Gattuso. Não acho que seja impossível uma virada de jogo pelo técnico, já vimos isso acontecer há duas rodadas atrás nas vitórias fimes contra Sassuolo e Chievo Verona. O time precisa entender que ganhar pontos contra os times com menos expressão é obrigação mesmo jogando mal, e esse é outro ponto em que Rino tem falhado muito. Além da incapacidade de mudar o sistema de jogo de acordo com o que a partida exige e a fase de seus jogadores, por exemplo, não pode o Cutrone com a média de gols que tem entrar em campo para ou jogar na ponta esquerda de um 433 que não funciona sem os pontas titulares ou ficar a mercê de cruzamentos à granel na área adversária.


O Milan precisa de um choque de cultura, de gestão, de realidade, de fio desencapado, o que diabos for necessário para que, com ou sem Gattuso, o capeta volte a inspirar respeito pelo menos no San Siro.


- Curtinhas - 


Domingo é dia do time Milan Femminile entrar em campo contra o Hellas Verona Women no estádio Aldo Olivieri, em Verona. O time de Carolina Morace está dividindo a liderança do campeonato com o Sassuolo Femminile, que enfrenta a Fiorentina Ws nesse sábado, tendo ambos 10 pontos.


Tudo indica que Gattuso deve entrar em campo contra a Sampdoria com Cutrone e Higuaín no ataque e Suso e Bonaventura nas pontas, montando um 442 que já deveria ser o esquema alternativo há tempos por causa da má fase de Hakan.


Alguém coloca o Bakayoko no avião para Londres em uma viagem só de ida que o editor-chefe do ESPN FC paga a passagem, por obséquio. Se esse cidadão é um jogador profissional eu sou um astrofísico.


Higuaín, aliás, parece estar putaço pois não vem podendo mostrar, com esse Milan, que seu ex-time errou ao deixá-lo a margem do "pojéto".


Que arbitragem desastrosa nessa partida também. Gol do Bétis mal anulado, pênalti em Castillejo não dado, o Reina salvou o mundo mas meteu o bração na bola e não foi penalizado. Que coisa.