Depois de Çalhanoglu e Bakayoko, Gattuso precisa recuperar a confiança de Cutrone

Não é mistério para ninguém que as passagens dos três últimos atacantes contratados a peso de ouro pelo Milan foram, na falta de expressão mais polida, fiascos retumbantes, e por conta disso um garoto das categorias de base rápido demais ao posto de queridinho da torcida, com merecimento. Todavia, agora que a concorrência é forte e a fase não é das melhores, o que fazer para não deixar Patrick Cutrone desanimar?


Para você que andou congelado e foi encontrado pelo Namor ou, sei lá, descobriu agora que foi preso e substituído por um Skrull nos últimos 2, 3 anos, aqui temos um resumão sobre Cutrone. O garoto do Milan Primavera, nascido em 1998, fez parte de um dos últimos bons projetos de Berlusconi/Galliani, que era chamado de "Milan Gold", jovens que já chamavam a atenção pelo talento nas categorias de base. Na temporada 2016/2017 o garoto esteve no banco de reservas em 9 das 38 rodadas da Serie A e estreou no time principal na partida contra o Bologna. Já na temporada seguinte ele foi incorporado por Vincenzo Montella ao time principal, disputando espaço com um Kalinic trazido da Fiorentina por 25 milhões de Euros e um André Silva, vindo por Porto por 38 milhões de Euros. Como todo milanista sabe, nenhum dos dois citados conseguiram superar o garoto de 20 que em 46 partidas na temporada inteira - contando Serie A, Coppa Italia e Liga Europa - marcou 18 gols e deu 6 assistências. O guri foi a alegria dos milanistas e, mais do que isso, é um milanista e se entrega toda a partida pelo time.


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O capeta em forma de guri, como diria o filósofo


A temporada 2018/2019 começou com a certeza de que Patrick seria um titular do time de Gattuso até a vinda de Gonzalo Higuain. O argentino chegou por um empréstimo de 18 milhões de euros, com a pompa de ser um dos principais atacantes do belpaese, o maior salário do time, tomou a #9 para si e a vaga no XI inicial de Gennaro, jogando Cutrone de volta ao papel de reserva imediato e jovem padawan. Foram 22 jogos na temporada, ridículos 8 gols marcados 3 assistências até Higuain trocar Milão por Londres, enquanto Cutrone, sem tantas chances e comendo pela beirada tinha números similares, com 9 gols e 2 assistências. Novamente o garoto foi elevado ao papel de ídolo caneleiro de uma torcida que não via um atacante goleador desde a aposentadoria de Pippo Inzaghi ou a saída de Zlatan Ibrahimovic, se você preferir. Novamente ele se impunha como principal atacante do time.


E finalmente chegamos a janeiro de 2019, quando um polonês de nome complicado chegou do Genoa por 35 milhões de Euros, aceitou a #19 e depois de 6 partidas com a camisa rossonera, chegou a incríveis 7 gols marcados. Claramente Piatek é uma evolução em relação a todos os atacantes que passaram pelo Milan pós-Ibrahimovic, ganhou carinho da torcida, um coro para lá de discutível da Curva Sud e a titularidade indiscutível, já que trazia à Gattuso ferramentas e soluções que Cutrone ainda não possuía e, para piorar, a má fase se apossou do corpo de Patrick, e este é o pior momento dele na curtíssima carreira como profissional.


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Calma, garoto, as coisas vão melhorar


Em 25 rodadas da Serie A, o #63 milanista marcou apenas 3 gols, sendo o último contra o Genoa no dia 21 de Janeiro, ou seja, há 5 rodadas ele não se envolve em nenhum gol do time, seja marcando ou dando assistência. Na Coppa Italia, a última vez em que foi o Cutrone que todos esperamos foi contra a Sampdoria, no longíquo 12 de janeiro quando marcou uma doppietta, passando em branco na vitória contra o Napoli em partida válida pelas quartas de final. Quando entra em campo, ele continua a dar tudo de si para o time, contudo, está cada vez mais afoito para fazer logo seu golzinho que comete erros de posicionamento com mais frequência, além de entrar normalmente ao final da partinda, quando o resultado já está consolidado e/ou o time já está pregado de cansaço.


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Vem cá, me dá um abraço!


Assim, com a moral de Piatek subindo cada vez mais, poucas chances de jogar uma partida inteira - a última foi exatamente contra o Genoa - e há um tempo sem balançar as redes, não seria de se espantar se Cutrone perdesse um pouco seu entusiamos e o ímpeto que fez com que conquistasse a vaga de queridinho da torcida e nesse momento entra a importância de Gattuso e seu primeiro desafio de verdade na gerência do grupo. Enquanto Bakayoko e Hakan Çalhanoglu tiveram tempo e confiança para serem recuperados pelo treinador, ambos, assim como Gattuso, também tiveram a sorte de serem necessários ao time por conta de lesões - Biglia no caso do francês - ou falta de capacidade dos reservas - Castillejo e Borini no caso do turco - Cutrone, por sua vez, não terá o caminho facilitado já que o atacante titular está jogando muitíssimo bem e fazendo gols a torto e a direito. Não há uma justificativa plausível para Gennarinno colocar o Piatek no banco de reservas e bancar o Cutrone agora por 3 ou 4 partidas seguidas, que é o mínimo necessário.


Ainda não se ouviu falar em insatisfação de Cutrone ou algo do gênero, mas a falta de oportunidades pode facilmente virar uma insatisfação em pouco tempo caso o jogador sinta que não é mais tão importante assim para o grupo. Gattuso deve tratar esse caso com muito cuidado e fazê-lo entender que atualmente Piatek está em um nível acima do garoto e que ele precisa abaixar a cabeça e aprender com o polonês a aproveitar toda e qualquer chance que tenha no tempo que estiver em campo para voltar a fazer seus gols com tranquilidade. Afinal, de todos esses anos de Milan, Cutrone é o que melhor se encaixa no perfil de "O capeta em forma de guri".