A tempestade chegou aos céus napolitanos

Com o Napoli, nunca temos a sensação de que a desgraça vem sozinha. Ela sempre vem acompanhada. A lesão longa de Milik veio com a de Ghoulam, e acompanhada da eliminação da Champions League. E como se não bastasse, Insigne ainda tem problemas físicos. Já começamos a preparação para o jogo com a ascendente Fiorentina dessa maneira.


No primeiro tempo, os minutos iniciais deram uma impressão de que até poderiam sair coisas boas. Depois dos dez minutos de domínio estéril, só a Fiorentina quem atacou de verdade, com boas chances com os perigosos Gio Simeone e Federico Chiesa (acordem, De Laurentiis e Giuntoli). O resultado foi que durante 45 minutos o Napoli sequer chutou a gol. 


O segundo tempo pode ser considerado uma evolução em relação ao nada ofensivo que foram os últimos jogos, por mais que na hora da conclusão tenhamos sido uma desgraça. Os gols perdidos nas grandes chances de Zielinski e Mertens (8 de 10 na escala Diego Souza), as melhores do jogo, foram uma síntese disso.


É perfeitamente explicável por razões simples a queda do Napoli na temporada pura e baseada somente nesse jogo. Até porque o que se representou diante da Fiorentina foi uma síntese dos problemas napolitanos que vem ocorrendo jogo após jogo desde outubro.


Primeiro, aquilo que já é de conhecimento público, as ausências de Ghoulam e Milik. A do polonês fez Mertens não ter descanso e até Insigne em segundo caso, visto que possibilita alterações táticas. E justamente no jogo onde tínhamos descoberto no 4-2-4 uma possível alternativa contra retrancas.


Especialmente a de Ghoulam, que cortou a alimentação de jogadas no lado esquerdo. Mário Rui não sobe tanto quanto Ghoulam, e pra piorar no jogo deste domingo, sem Insigne, com Zielinski não havia tanta incisividade, muitas vezes sumido do jogo. 


Até a entrada de Ounas, o Napoli praticamente só atuou pelo lado direito, o que, convenhamos, não deve acontecer há sei lá quantos anos, porque o lado esquerdo napolitano é fortalecido desde os tempos de Mazzarri. Não deu em absolutamente nada.


Sem o lado esquerdo, que aciona o direito por muitas vezes em inversões e trocas de passes, quem você pode confiar? No meio-campo. Mas o que fazer se seu principal meio-campista, capitão da equipe, notavelmente um craque, está com uma temporada tão horrorosa?


Fases ruins são naturais. Mas a má fase de Marek Hamsik é um negócio tão absurdo, que uma queda vertiginosa assim nos últimos tempos nos clubes que disputam título na Europa sem uma grande lesão, só me lembro de Hazard em 2015-16 pelo Chelsea. É bem verdade que fisicamente ele já não começou bem a temporada, mas é absurdo o quanto joga mal.


Embora em termos de números nas ações a diferença não seja grande, a diferença nos passes e na ausência de gols é impressionante nessa temporada. A temporada de Ghoulam compensava. Mas, no fim, se todas essas peças caem, o que fazer? Sarri precisa encontrar uma alternativa a isso. 


Não pode ser coincidência que, desde a lesão de Ghoulam, o Napoli só marcou três vezes no campeonato. Não pode ser coincidência que, nesse período, foram apenas três gols em jogadas trabalhadas na temporada, enquanto o resto dos gols foram resultados de bolas paradas (que já não têm sido tão eficientes quanto antes).


Sarri disse após o jogo que a equipe melhorou e que, se tivéssemos feito 1 a 0, metade das críticas não seria feita. De fato a equipe melhorou na segunda etapa. Mas precisa tirar essa sensação de que o time não sabe mais vencer. Parte dele principalmente a melhora mental da equipe, embora um dos grandes problemas seja a parte física.


Para superar, vale a filosofia do mesmo Sarri no pós-jogo: "O campeonato é como a vida: os momentos difíceis vem à força, e os fortes são aqueles que os superam o mais rápido possível". Mas pra superar esse período difícil, o time tem que voltar a jogar bola. Pra voltar a ganhar. Pra fazer a tempestade passar. 


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Reina - No primeiro tempo foi seguro quando acionado o tempo inteiro, especialmente nas chances de Benassi de fora da área e de Gio Simeone. No segundo tempo, só assistiu o jogo. Nota: 6,0


Hysaj - Trabalhou muito pouco defensivamente. Em compensação, ofensivamente, trabalhou até em excesso em relação ao que se costuma trabalhar. Jogou pro gasto, não fez uma partida de encher os olhos, mas não comprometeu. Nota: 6,0


Albiol - Foi muito bem na cobertura quanto aos perigosos atacantes da Viola, e participando mais da saída de bola em respeito a Koulibaly, e com mais qualidade no jogo em seus lançamentos em profundidade. Não correu risco em momento algum. Nota: 6,5


Koulibaly - Alguns momentos de problemas com Gio Simeone, mas aos poucos estava sempre cortando cruzamentos e roubando bolas. Por vezes nos momentos de pressão alta no campo viola, esteve no ataque. Nota: 6,5


Mário Rui - Teve alguns momentos de sofrimento na defesa, especialmente na primeira etapa. No segundo tempo, teve uma atuação tranquila defensivamente, e apareceu pro ataque. Finalmente fez 90 minutos. Nota: 6,0


Allan - Outra vez um dos melhores em campo. Defensivamente, nunca desiste de uma bola. Ofensivamente, procura sempre boas opções, e as vezes até acha, como no belo passe que Zielinski desperdiçou nos primeiros minutos do segundo tempo. Nota: 6,5


Jorginho - Partida abaixo da média, com pouca distribuição de bolas, muito bem marcado pela equipe viola, e com pouca ajuda na marcação. Parecia perdido em campo. Nota: 5,5


Hamsik - Foi um pouco melhor do que a média da temporada dele. O que não era difícil de fazer. Teve algumas boas interceptações nas tentativas de trocas de passes viola, e o seu chute pra fora por jogo. E só. Nota: 5,5


Zielinski - No primeiro tempo em toda santa bola que tentavam acioná-lo, parecia fugir da bola. No segundo tempo, teve boas chances, mas chutou mal em ambas. Há de se ressaltar que na ponta-esquerda não foi tão bem dessa vez. Nota: 5,0


Mertens - Até tentou flutuar, sair da área pra receber bolas, mas fazia muito pouco. Teve talvez a oportunidade do jogo, mas chutou muito em cima de Sportiello. O gol fez muita falta. Nota: 5,0


Callejón - Parece um pouco cansado. Não tem mais a mesma incisividade de antes, embora uma das características principais do seu jogo tenha sido limitada, que era receber as inversões da esquerda. Nota: 5,0


Ounas - Outra vez a sua entrada em campo deu outro ânimo a equipe. Tentando chutes de fora da área e cruzamentos. Precisa de mais minutos, embora precise resolver a sua fase defensiva, que é nula. Nota: 6,0


Rog - Entrou pra ajudar a equipe a melhorar ofensivamente. Até melhorou no passe em alguns momentos, mas não representava quase nada de melhora no resto. Fica dentro da média. Nota: 6,0 


Diawara - Entrou, ganhou alguns desarmes, mas nos passes, pelo pouco que fez, não foi tão incisivo quanto deveria ser pela necessidade da partida. Fica na média. Nota: 6,0


Sarri - Muitas vezes faltam velocidade e uma alternativa pra quando tudo parece dar errado, como agora. Qual a real ideia do mister pra essas situações, em que o meio parece não criar? Até resolveu a questão pelas pontas, mas há o enigma do porque alguns jogadores parecem ter vaga cativa no time titular, como Hamsik, e não são poupados nunca (um dos problemas dele que deixou a equipe nesta situação física). E outro principal, a questão Ounas. Por que ele não ganha mais minutos em campo? Um primeiro tempo ridículo, mas a segunda etapa pode lhe guiar um caminho a se trabalhar. Nota: 5,5


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

Allan, um dos melhores jogadores do Napoli em campo diante da Fiorentina