Uma vitória com recorde de Hamsik para trazer de volta a paz ao Napoli

Depois dos últimos resultados, de três jogos sem vitória, era a hora de trazer a paz de volta de qualquer jeito ao Napoli. Só havia um meio de voltar com a paz no avião de volta pra Nápoles. Ganhando o jogo diante do Torino, independente do que acontecesse. E a ocasião pedia isso em dobro.


Era hora de retomar algumas coisas. De partir pro ataque, porque seria um jogo difícil por conta das circunstâncias pré-jogo. Embora talvez não contássemos com um gol tão cedo, nem nas condições que foi, com um belo escanteio batido na área, a escorada de Allan e a testada firme de Koulibaly pra abrir o placar.


Lembrando do que disse no jogo passado, a partida diante do Torino foi outra prova de que quando a bola entra, as coisas são diferentes. As jogadas napolitanas saíam com mais confiança. E agora a expectativa era pro primeiro gol com bola rolando em um mês. 


Primeiro, o gol perdido de Mertens, que passou perto. Com o tempo, o Napoli foi acertando a mira. Aos 25, foi a hora do acerto definitivo. Justo de quem se esperava, um bolão de Jorginho pra Zielinski, e na cara do gol, o polonês só teve o trabalho de ser frio pra ampliar a vantagem.


Algo especial estava a vir. Havia essa sensação. Na jogada de Mertens, lá estava Hamsik na entrada da área. E dessa vez o destino da bola foi diferente. A rede tardou, mas não falhou. O terceiro do Napoli foi escrito com a maior festa possível. Não só pelo gol azzurro, mas pelo recorde igualado com Diego de maior artilheiro da história desse clube.


O gol 115 de Hamsik veio com o fim do jejum de dois meses do capitão sem marcar. Nós sabíamos que o gol ia sair a qualquer momento. E que sairia em um momento importante para o Napoli. Mas tudo isso estava ficando difícil. Talvez as palavras de durante a semana do "não ligo para o recorde" tenham ajudado. O fato é que com paciência, as coisas saíram. 


Finalmente o Napoli jogava a sua maneira. Por várias vezes no segundo tempo deu a impressão de que ia golear. Perdeu gols em chutes de fora da área. Até teve gol anulado por impedimento claríssimo de Callejón, o que já tem sido rotina. 


Mas era mesmo o dia de quebrar o jejum. O Torino mostrou que estava vivo com Belotti. Não marcava desde 20 de setembro. Nenhum problema, certo? Se você torce pro Napoli, é aí que mora o problema. O fato é que a vantagem estava diminuída de vez.


Ali o Napoli melhorou pro jogo. A bem da verdade, não goleamos por incompetência do ataque. Não era o dia de Mertens, que perdera um gol feito cara a cara com Sirigu. De Callejón então, pior ainda, que ele tirou um lance que certamente seria gol de Insigne, que retornou muito bem a campo. Embora tenha tentado, o Napoli não conseguiu golear. Mas conseguiu o mais importante.


E o mais importante era vencer. Mas o Napoli fez mais do que isso. Uma vitória em que seu futebol foi visto de novo. Pra fazer a paz voltar aos lados de Castelvolturno. Jogando bem, com recorde do seu capitão e de onde se espera o jogo fluir, só assim podem sair as nuvens negras que pairavam nos últimos dias.


Mas pra fazer a paz e o céu azul ficarem em definitivo, basta voltar a praticar o bom jogo com frequência. Partidas como a deste sábado precisam voltar a ser mais frequentes. Capacidade pra isso tem. E é assim que o time de Sarri é e sempre foi capaz de vencer.


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Reina - Não trabalhou na primeira etapa. Há uma certa dúvida se podia fazer melhor no lance do gol de Belotti, o que a meu ver, poderia. Fora isso, soltou uma bola fácil no chute de Iago Falqué, que logo em seguida defendeu. Foram essas as únicas vezes que trabalhou no jogo todo. Logo, por isso a nota é abaixo da média. Nota: 5,5


Hysaj - Teve alguns problemas na luta contra Berenguer, mas aos poucos foi se estabilizando a ponto de praticamente não sofrer contra ele na segunda etapa da partida. Nota: 6,5


Albiol - Bem na luta contra Belotti, especialmente pelo alto. Esteve bem nas subidas ao ataque, e na saída de bola, se consagrou sendo um dos que mais distribuiu bolas ao longo da partida. Nota: 6,5


Koulibaly - Espetacular ofensivamente pra marcar o primeiro do Napoli. Defensivamente, uma grande partida, limitando as ações de Belotti na maioria do tempo. Um dos melhores em campo. Nota: 7,5


Mário Rui - Cresceu no ponto de vista físico. Tem acompanhado bem as ações no lado esquerdo, embora não tenha subido tanto ao ataque. Defensivamente, pouco sofreu contra um bom jogador como Iago Falqué. Nota: 6,5


Allan - Aos poucos foi ficando tão forte pelo meio que não perdia mais nenhuma bola. A lamentar talvez uma certa lentidão nas tomadas de decisão no ataque, como quando recebeu sozinho com chances de chutar, mas que Molinaro lhe tomou a bola. No mais, grande partida. Nota: 7,0


Jorginho - Grande partida do ítalo-brasileiro na distribuição de jogadas, em uma delas, nasceu a jogada do segundo gol napolitano, e foi muito útil na marcação, roubando tantas bolas quanto Allan, e nas jogadas sem a bola, com o posicionamento. Nota: 7,0


Hamsik - Você nota o quão grande é o jogador quando ele é substituído e as duas torcidas aplaudem. Foi o que aconteceu no Olímpico, com uma bela atuação, com belas trocas de passes, e o belo gol marcado. Teve grande número de passes ao longo do jogo, e bons chutes com perigo além disso. Nota: 8,0


Zielinski - Bem no jogo flutuando entre a ponta e o centro, onde esteve pra receber o passe de Hamsik e marcar o segundo gol. Esteve mais coletivo no jogo, e menos tentando "imitar Insigne", em partir pra dentro e bater pro gol, por exemplo. Nota: 7,0


Mertens - Tem feito certo, boas movimentações, troca de passes, mas na hora das conclusões, tem pecado. Não atrapalharam sua bela partida, mas poderia sair coisa melhor. Ficam na mente seus gols perdidos. Nota: 6,5 


Callejón - Teve muitos problemas com o impedimento, tirando até um gol marcado por Insigne. Ainda assim, um bom jogo, com boa troca de passes, e bom diálogo com Mertens. Nota: 6,0 


Insigne - Foi um dos responsáveis pela manutenção da vitória no segundo tempo, uma vez que com sua entrada, o Napoli ficou mais no ataque, criando chances. Ele até esteve pra marcar seu gol, mas Callejón lhe tirou. Nota: 6,5


Diawara - Entrou bem no jogo, com boa distribuição de jogo enquanto esteve em campo. Deu físico na luta defensiva contra o ataque granata, em um momento em que o Napoli parecia perder o meio. Nota: 6,0


Rog - Entrou por pouco tempo, mas é incrível que se ele disputa um minuto de jogo, ele vai com a mesma fome do que se tivesse jogando 90 minutos. Nota: 6,0


Sarri - Uma grande atuação em um momento que se precisava. Coletivamente a equipe foi muito bem, com poucos perigos defensivos contra uma equipe que tem boas peças individualmente falando do meio pra frente. A lamentar apenas a incompetência nas finalizações na segunda etapa, porque poderia ser inclusive uma goleada. As substituições foram muito bem feitas, e sabemos que ter Insigne no banco ajudou até para que o Napoli fizesse um bom segundo tempo, embora não tenha gerado gol (por culpa do próprio ataque). Nota: 7,5


Reprodução: Getty Images
Reprodução: Getty Images

Vale o cumprimento de Sarri ao melhor em campo diante do Torino, e só ao novo maior artilheiro da história desse clube