Napoli: uma história de Natal digna de cinema

Foram ressuscitadas as rodadas de Natal da Serie A. Não eram mais tão comuns quanto antes, embora nos últimos anos tenhamos tido até decisão de Supercoppa nessa época do ano. O fato é que o Natal, com sorriso de orelha a orelha, comemorou uma vitória diante da Samp.


Logo de cara, um enorme susto pra quem esperava sorrisos como numa comédia de Natal dos filmes de De Laurentiis. Gastón Ramírez já colocou os dorianos na frente com uma bela cobrança de falta. Foi um golaço do uruguaio, é verdade. Mas é inadmissível tomar gol numa falta assim, a exatamente quarenta metros do gol. 


O gol felizmente acordou o Napoli. Ali o time passou a dominar o jogo de verdade. A criar o tempo todo, primeiro parando em Viviano, que parecia um obstáculo por vezes, e criou até na finalização defendida de Callejón, mas aí Allan começou a brilhar, empatando o jogo no rebote, comprovando uma tendência do jogo: ele estava mesmo por toda parte, em todo lugar.


Estava tudo bem, até que Hysaj, em um dia que errou praticamente tudo e mais um pouco, resolveu fazer não apenas um como dois pênaltis em um lance só. Na cobrança, Quagliarella apenas confirmou o que sempre está escrito, que é a famosa lei do ex contra o Napoli. Dessa vez, sem vaias para ele, apenas aplausos, ainda mais depois da verdade revelada.


Era a hora de botar as coisas no lugar. Felizmente o Napoli não demorou pra empatar, em um erro fatal da defesa da Sampdoria, treinada por Giampaolo, que parecia não apenas querer vencer. Queria mostrar que poderia ser até o sucessor de Sarri, com ideias de jogo boas e semelhantes (exaltadas após o fim do jogo pelo mister azzurro com "a Samp foi a única equipe que veio aqui e jogou bola).


A Samp pagou por não ter se defendido bem diante da pressão alta napolitana. E pressão alta com Allan roubando bola, era quase uma certeza de bola recuperada. Desde então, toda uma jogada pra Insigne mandar meio de voleio, meio de canela, meio de joanete, pro fundo do gol. Mas faltava consagrar um dos principais heróis do "filme da tarde de hoje" no San Paolo.


Como naquelas histórias de filmes natalinos, Hamsik sofreu como um dos protagonistas. Mas justamente no jogo de Natal, teve seu final feliz para contar história. Com a competência e inteligência de um craque pra completar a bela jogada de Allan, sempre ele, e Callejón, pra estar na hora certa e no lugar certo pra ser o herói.


Um jogo altamente emocionante. Uma história emocionante de Natal, talvez digna de cinema. Uma partida que não tinha o roteiro dos tradicionais filmes de comédia que De Laurentiis e sua Filmauro lançam no cinema italiano em toda época de Natal, e que sempre parecem semelhantes.


O próprio ritmo acelerado do primeiro tempo impôs ao segundo tempo um ritmo mais lento. Embora a Samp atacasse pouco, mas ameaçasse. Por mais que ali a defesa já se estabilizasse, ainda que Hysaj e suas bobagens, e Mário Rui e sua expulsão tola, quisessem atrapalhar, havia o medo frequente do gol de empate.


O fato é que mais uma vez conseguimos pontos em situações de desvantagem. Foi a terceira vez que o Napoli saiu atrás no San Paolo, e recuperamos pela segunda oportunidade. Todos por erros primários, mas especialmente os deste sábado, merecem muita atenção de Sarri. Os erros de fato transformaram o jogo em um dos mais emocionantes do campeonato.


Por outro lado, não dá pra transformar um jogo de tantos períodos de domínio em um jogo emocionante. Não dá pra nos matar do coração todo jogo. Mas a história de Natal napolitana teve mesmo um final feliz. E no final das contas, isso é o que conta pra classificação. 


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Reina - Não tinha como não fazer melhor no lance do golaço de Gastón Ramírez. É claro, tinha o fator do sol forte lhe atrapalhando, talvez o começo de jogo, onde não se está muito calibrado. Mas é inadmissível se levar um gol a quarenta metros. Nota: 5,0


Hysaj - Mais perdido que calcinhas e cuecas em lua de mel. Conseguia errar tudo em todas as jogadas possíveis, errando passes, errando na cobertura, errando na marcação. Facilmente a pior atuação individual do ano do Napoli. Nota: 4,0


Albiol - Um dos erros no pênalti que gerou o segundo gol da Samp foi seu, em uma falha de cobertura sobre Caprari, e perdendo a bola pra Ramírez no mesmo lance. No mais, teve suas virtudes, especialmente nos minutos finais com Zapata. Nota: 5,5


Koulibaly - Quem se salvou na defesa e fez uma boa atuação foi ele. Partida de muitos cortes, salvando muitas jogadas por baixo, e muito bem pelo alto, especialmente nos minutos finais. Nota: 6,5


Mário Rui - Até fazia uma boa partida, vá lá. Mas os seus dois cartões foram trapalhões demais, por faltas inúteis, e que quase geraram problemas pros minutos finais do Napoli no jogo. Nota: 5,0


Allan - Um coração de leão. Estava em todas as bolas pelo meio. Parecia quase que onipresente na marcação. Por essa onipresença, esteve livre pra marcar o seu gol, e pra participar ativamente das jogadas dos outros dois gols napolitanos. Sem dúvida o melhor em campo. Nota: 7,5 


Jorginho - Uma partida mais discreta, talvez em razão do cansaço do meio de semana. Não distribuía tanto o jogo, e precisava de trabalho redobrado na marcação contra um meio-campo forte. Teve de sair cedo, mas fez uma boa partida. Nota: 6,0


Hamsik - Finalmente virou o maior artilheiro do Napoli. Estava meio na cara que justamente em um jogo decisivo no San Paolo ele viraria nosso maior artilheiro, com puro oportunismo na hora da conclusão. Parece com mais confiança pra trabalhar jogadas por agora. Nota: 7,0


Insigne - Reencontrou o entrosamento com Callejón nesta partida pelas várias tentativas de jogadas esquerda-direita com ele. Foi vital no gol de empate napolitano. No primeiro tempo, era um dos que parecia que tudo saía pelo lado dele. Nota: 6,5


Mertens - O gol não saiu, parece uma zica do belga quanto aos gols. Mas se os gols não saem, felizmente as assistências saíram. Participando ativamente das jogadas de dois dos três gols partenopei. Nota: 6,5


Callejón - As jogadas com Insigne pareciam voltar a sair. Só faltou sair o gol em algumas delas, embora o gol de Allan tenha saído de um rebote de uma finalização sua. No segundo tempo, foi importante na ajuda na marcação. Nota: 6,5


Diawara - Pareceu perdido algumas vezes na marcação, na perda de bolas e passes errados. Mas aos poucos foi se acertando, com trabalho dobrado na fase defensiva após a expulsão de Mário Rui. Nota: 6,0


Zielinski - Entrou pra fazer um trabalho de cobertura no meio-campo, e foi muito bem na marcação desde que entrou. Não participou tanto ofensivamente no jogo. Nota: 6,0


Maggio - Entrou nos minutos finais pra tapar um buraco, e tapou muito bem esse buraco, que era a lateral-direita com Hysaj, embora o próprio tenha ido pra esquerda. Nota: 6,0 


Sarri - Apesar das falhas individuais que complicaram muito em relação ao resultado, foi uma boa partida coletivamente falando da equipe napolitana. Ofensivamente, a equipe jogou muito bem, especialmente na primeira etapa, baixando o ritmo na segunda, talvez pela maneira com que os dois times levaram metade inicial da partida. Substituições foram bem feitas, embora a entrada de Maggio erroneamente não estava nos planos. Nota: 7,0

Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

Hamsik foi o herói do "filme de natal napolitano".