O Napoli não leva as copas a sério

Era um jogo que já se apresentava traiçoeiro no fim de semana, quando a Atalanta poupou titulares justamente pra esse jogo. As copas são a oportunidade da vida da rival bergamasca. Tanto a Coppa Italia quanto a Europa League.


O Napoli há tempos tem essa mentalidade bem questionável de estar nem aí pras copas. E não era diferente no justo time titular poupado diante da Atalanta. Alguns jogadores mereciam oportunidade. E pelo primeiro tempo, parecia vir coisa boa. Nos primeiros 30 minutos, boas oportunidades criadas. 


Mas aos poucos a Atalanta crescia. E acabou abrindo o placar numa sequência de falhas com direito a escorregão de Mário Rui, na jogada que terminou no gol de Castagne, chutando no alto do gol de Sepe.


Depois do gol da Atalanta, foram minutos em que o Napoli parecia querer fazer o tempo passar pra ser eliminado logo. Não se criava nada de chances ao gol de Berisha. O castigo veio com o gol de Papu Gómez. Ok, ficou a impressão de uma ajeitadinha marota com o braço, mas a escorregada de Chiriches no lance foi medonha e é outro símbolo dos erros capitais da defesa. 


O Napoli até veio a reagir depois quando só eles, Insigne e Mertens, apareceram no jogo. Lorenzo, com um incrível cruzamento pra Dries cabecear entre três defensores, na saída do goleiro. Ainda havia tempo. Embora não tenhamos feito quase nada. A eliminação foi mais do que justa.


O fato é que essa eliminação não pode ser colocada na conta dos titulares poupados. A Atalanta também poupou alguns de seus titulares. E nem por isso a qualidade caiu. É bem verdade que entre os não poupados estava o seu melhor jogador, Papu Gómez. Mas Gasperini se deu ao luxo de botar jogadores como Ilicic no banco.


Não se é uma questão de elenco se os erros cometidos não se devem cometer contra ninguém. Muito menos se o time dá poucos chutes a gol durante a partida. É claro que a qualidade do elenco não é inquestionável em alguns pontos, mas não adianta se ocorrem tropeços solitários.


Gasperini é talvez, junto com Allegri, a principal pedra no sapato do jogo de Sarri. Não é nenhuma coincidência o fato do mister napolitano ter mais perdido do que vencido nos 6 confrontos contra o técnico bergamasco desde que chegou ao Napoli, contando os dois contra o Genoa de Gasp em 2015-16.


E mais uma vez Gasperini ganhou se utilizando da estratégia jogando com alta intensidade diante do Napoli, forçando o erro da saída de bola defensiva dos azzurri e marcando forte no meio-campo, o que num dia ruim dos laterais não costuma dar saída.


Às vezes, o Napoli é capaz de se autossabotar como ninguém. Seja pela mentalidade do “fodam-se as copas”, ou pela mentalidade de alguns torcedores dizendo que “foi melhor ter perdido”. Oportunidades como essa são chances de boas campanhas, ou de títulos perdidos.


Já não é a primeira vez nessa temporada que o Napoli age desta forma. Foi assim na Champions League. Na era Sarri, salvo a temporada passada, foi uma tendência nas copas. Essa política de largar totalmente uma competição em detrimento a outra é bem questionável, independente dos napolitanos terem ou não elenco. 


Após o jogo, Sarri admitiu que a equipe tem mais aplicação no campeonato que nas copas. E isso é trabalho coletivo, de todos, especialmente do treinador, para se entender que as copas são muito importantes. Não é coincidência o fato de que possivelmente falarão, como Insigne falou sobre o Shakhtar, que o Napoli subestimou o adversário.


Não é simplesmente uma questão de colocar reservas ou titulares. Muitas vezes é uma questão de atitude em campo. A mentalidade de uma equipe que parece um moribundo esperando a morte chegar após sofrer um golpe (no caso, o gol). Uma atitude que não condiz com uma equipe que briga por títulos, somada às táticas de sucesso de Gasperini contra Sarri, especialmente ao travar o meio-campo napolitano.


Por fim, ganhou quem fez questão de se classificar. Que foi a Atalanta, que levou o jogo a sério o tempo todo. Que jogou bola pra passar. Que não desistia de uma bola, e muito menos do jogo. E uma equipe que trata as copas como oportunidades de título. Não como uma mera parte do calendário pra "atrapalhar o campeonato". E assim o ano começa em marcha-ré para o Napoli.



Sepe - Uma ou outra boa defesa no primeiro tempo, no segundo tempo, poderia fazer muito melhor do que fez no lance do segundo gol da Atalanta. Não teve culpas no primeiro gol. Nota: 5,5


Hysaj - Teve seus problemas na luta contra um endiabrado Papu Gómez, embora não tenha tido falhas específicas no lance do gol e nem em algum outro. No apoio, não fez muito. Além disso, teve problemas físicos também no final da partida. Nota: 6,0


Chiriches - A única coisa na qual a partida dele foi no mínimo razoável, foi na distribuição via saída de bola. De resto, partida bem decepcionante, e a falha no segundo gol foi o símbolo disso. Nota: 5,0


Koulibaly - Não teve culpa em nenhum dos dois gols sofridos pela defesa. A parte esses lances de gol, teve uma boa partida, não cometeu grandes erros, teve bons desarmes e muitas vezes saía jogando como de costume. Nota: 6,0


Mário Rui - Outro dos trapalhões em campo. Embora o seu primeiro tempo tenha sido regular, o segundo foi terrível. No apoio não influenciava em nada. E defensivamente, meio desastroso, como no lance do primeiro gol. Nota: 5,5


Rog - Foi bem na primeira meia hora de jogo, quando o Napoli estava todo no ataque. Ganhou alguns duelos pelo meio. Ao longo do jogo, foi atuar na ponta e não participou tanto do jogo mais. Nota: 6,0


Diawara - Em termos de trocas de passes, não foi tão incisivo quanto em outros jogos. Na marcação, foi bem no primeiro tempo, e bem na medida do possível no segundo tempo. Nota: 6,0


Hamsik - Não foi uma partida digna de Marek Hamsik, mas foi uma boa partida, acionando muitas vezes o ataque. As jogadas mais perigosas da primeira etapa saíam dos pés dele. Nota: 6,0


Zielinski - Jogou em três posições ao longo da partida: Primeiro, na ponta esquerda, não rendeu. Depois, no meio, criou pouco. E por fim, na ponta direita, não fez quase nada. Atuação abaixo da média. Nota: 5,5


Ounas - No primeiro tempo, quando teve velocidade para tal, fazia uma boa partida, criando jogadas em velocidade, chutando a gol, e até com voleios. No segundo, quase não jogou direito. Nota: 6,0


Callejón - Teve uma movimentação melhor, flutuando entre a ponta-direita e o meio, embora tenha sido pego por várias vezes em impedimento. Teve poucas boas trocas de passes com os atacantes, e só. Nota: 6,0


Insigne - Não teve grande impacto em relação a outros jogos, esteve até mais perdido no jogo, mas participou bem com o cruzamento pra Mertens diminuir o marcador. Nota: 6,0


Mertens - A consistência do ataque com ele por ali é outra, completamente diferente. Um gol diferente do seu estilo habitual, sendo oportunista com o gol de cabeça. Nota: 6,5


Allan - Sua entrada melhorou o meio-campo na parte da marcação, embora o impacto não tenha sido semelhante ao de outros jogos. Nota: 6,0


Sarri - A sua abordagem de jogo outra vez saiu errada diante das ideias de jogo de Gasperini. Embora de início tenha parecido correta, poupando a maior parte dos titulares. Aos poucos a Atalanta foi ganhando na base da pressão alta em cima da defesa do Napoli, e bloqueando defensivamente de maneira em que o time não conseguia chutar. Pelo meio também, o time não conseguia criar. As substituições, pelas circunstâncias, foram bem feitas. Precisa superar a sua pedra no sapato contra Gasp. Nota: 5,0

Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

A reação de Ounas é a do torcedor napolitano em "por que não levar as copas a sério?"