Também existe beleza nas vitórias suadas do Napoli

Em meio à depressão pós eliminação da Coppa Italia, era hora de reagir. Nada melhor que um clássico contra o Verona pra isso. Estádio lotado, rival na zona de rebaixamento (pra variar): tudo praticamente obrigava o Napoli a vencer.


Desde o começo o Napoli impôs uma superioridade. Colocou bola na trave com Mertens, teve vários chutes de fora defendidos por Nicolas (que havia falhado na bola na trave do belga) e especialmente o lance de Insigne, com um bonito giro antes de chutar pra fora.


E sempre chegando a seu estilo, tocando a bola e produzindo, embora tivéssemos um ou outro problema no último passe. Com essas jogadas bem trabalhadas, jogadas com por volta de 25 toques da defesa até o ataque, típicas do Napoli, era quase uma sensação de que o gol sairia a qualquer momento. 


As jogadas saíam, tudo fluía. Mas, mesmo assim, nada de gols. Aos poucos tudo estava ficando nervoso no San Paolo. No primeiro tempo, discussões entre jogadores do Napoli; no segundo, a tensão dominava o estádio com medo de um hipotético tropeço.


E tudo ficava pior à medida que chegávamos e parávamos em Nicolas. Ou então na trave, como na cabeçada de Insigne. Parecia uma daquelas tardes em que não faríamos gol de jeito nenhum. Até que Mertens fez. Comemoração? Seria a explosão de um estádio, mas foi tudo cancelado pelo impedimento de Callejón.


Tudo sairia de um escanteio. Mário Rui bateu tão bem que era capaz de fazer um gol olímpico. Foi certo na cabeça de Koulibaly. Uma cabeçada tão bonita quanto as jogadas pelo chão de trocas de passes. Com a melhor beleza de todas, a da bola estufando as redes. Não adiantou o rival procurar uma falta que não existiu. O gol foi validado.


Aliás, uma questão ao pessoal das Curvas do Verona, que já faziam cânticos discriminatórios e racistas já no jogo passado diante da Juventus contra os napolitanos: como é tomar um gol de um senegalês, negro e que veste a camisa do Napoli?


A superioridade era tão grande que era questão de tempo pro segundo gol sair. Depois de tantos gols perdidos, estava na hora de Callejón tirar a barriga da miséria. Estava na hora da jogada Insigne-Callejón voltar a funcionar. E voltou depois de quase três meses de ausência.


A volta aos gols de Callejón também deu um recorde importante pra ele. O recorde de ser o espanhol que mais marcou gols na história da Serie A, passando a marca de Luis Suárez, o Bola de Ouro de 1960, que marcou 51 vezes na Grande Inter nos anos 60 e também em passagem pela Samp.


O Verona quase não atacou o jogo inteiro. Pra não dizer que não ameaçaram, sejamos justos, teve um chute de Pazzini nos minutos finais que Reina quase falhou, mas nada de mais. Foi o único chute do rival o jogo todo. A partida da defesa foi tão bela durante o jogo inteiro que por vezes só por tocar na bola, Koulibaly e Albiol eram aplaudidos.


Foi bem mais difícil que o esperado fazer gols na segunda pior defesa do campeonato. Mas, apesar do suor da vitória, o melhor foi o fato de não ter sofrido lá atrás. De no fim disso tudo, ser a vitória incontestável da rodada. Essa foi a grande beleza da vitória napolitana. E vamos curtir essa beleza nos próximos dias.



Reina - Trabalhou muito pouco ou quase nada durante o jogo. Tomou um susto no chute de Pazzini, mas também não foi lá grande coisa. Ganhou a promoção assista o jogo dentro de campo. Nota: 6,0


Hysaj - Do seu lado não correu grandes riscos. Participou do apoio em alguns momentos. Seu único erro foi no meio, nos minutos finais, quando perdeu de Pazzini, e quase gerou um lance de perigo a favor do Verona. Nota: 6,0


Albiol - Pareceu ter problemas de lesão durante a partida, mas aos poucos se estabilizou. No mais, defensivamente uma partida segura, sem grandes erros, com os atacantes pouco se criando com ele. Nota: 6,5


Koulibaly - Chegou um momento no jogo em que o San Paolo apenas aplaudia tudo o que ele fazia. E era justo. Não perdia nada pelo alto e por baixo na defesa. Pelo alto então, foi tão soberano, que foi através disso que fez o gol que abriu o placar pro Napoli. Nota: 7,5


Mário Rui - Sem grandes trabalhos defensivos, não apoiou tanto na primeira etapa, mas na segunda participou mais do jogo, com um alto número de toques na bola. Mas nada como o escanteio na área no lance do primeiro gol. Nota: 6,5


Allan - Defensivamente perfeito, não perdia nenhuma bola, e quase sempre gerava arrancadas. Ofensivamente imperfeito, especialmente nos chutes, que saíam quase no Golfo de Nápoles. Nos passes também não saiam tão bem, especialmente na segunda etapa. No mais, boa partida. Nota: 6,5


Jorginho - Nos passes curtos, sempre bem o jogo inteiro. Nos passes mais longos, no primeiro tempo parecia dar umas tijoladas, mas no segundo tempo melhorou. Na marcação foi bem. Nota: 6,5


Hamsik - Quando esteve em campo, foi o jogador que mais trocou passes. Isso ditou o ritmo de sua partida, um pouco mais voluntarioso, e com menos ações individuais, embora quando elas aconteciam, geravam perigo. Nota: 6,5


Insigne - As jogadas individuais, embora com classe, não saíram com tanta precisão quanto em outros dias. Ainda assim, esteve bem como finalizador, colocando bolas na trave e gerando perigo a Nicolas em chutes que fizeram o brasileiro trabalhar. Nota: 7,0


Mertens - Esteve mais previsível quando tentou jogadas individuais, mas perigoso quando esteve finalizador. Deu azar na bola na trave nos primeiros minutos. No segundo tempo, participou menos em relação a seus companheiros, mas foi bem. Nota: 6,5


Callejón - Mais voluntarioso na partida deste sábado, com várias jogadas pelo seu lado na primeira e na segunda etapas. O seu jogo para a equipe foi recompensado com o seu primeiro gol desde outubro. Nota: 7,0 


Zielinski - Entrou nos minutos finais com o jogo já decidido, sem o mesmo ímpeto de antes, e não precisou impor um ritmo a mais, ajudando na posse de bola e na troca de passes. Nota: 6,0


Maksimovic - Parecia uma miragem, mas o sérvio estava em campo. Não participou tanto do jogo, mas estava lá. Nota: 6,0


Rog - No pouco tempo em campo, ao menos esteve presente com muita vontade quando esteve lá. Mas não conseguiu fazer muito. Nota: 6,0


Sarri - A formação foi a melhor possível pra manter a média de que o Napoli havia vencido 7 das últimas 8 partidas diante do rival. A equipe criou ocasiões o tempo inteiro. Na primeira etapa e na segunda ainda tinham a questão do nervosismo, por vezes na primeira etapa haviam discussões entre companheiros de Napoli. Desde a volta do intervalo, as discussões cessaram inclusive com 0 a 0 no placar. As chances mais calibradas e os gols foram consequência. A calma da equipe nos momentos difíceis também passou por ele. A partida foi bem bonita, com belas trocas de passes, belas jogadas, mas não tão belas quanto as bolas na rede, provando que existe beleza com suor. As substituições foram bem realizadas. Nota: 7,0


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

Quem é você no gol de Koulibaly? (eu sou o Mertens)