A 'semana das trevas' do Napoli se transformou em um belo 'carnaval da bola'

Não foi uma semana comum. Foi a semana das bruxas. Já bastava que durante o tempo inteiro houve a dúvida se Mertens e Albiol estariam em condições para a partida. Como desgraça pouca é bobagem, nas últimas horas antes do jogo, tudo iria piorar.


Parecia que tudo iria bem porque Mertens, Albiol e Hysaj (com febre durante a semana), além do resto da equipe, estavam relacionados. Quando pinta a notícia um tanto quanto trágica, de que Ghoulam se machucou de novo. Doeu não apenas pensando na equipe, mas na alma dele. De repente, uma patela rompida pode colocar toda a batalha por água abaixo.


Como desgraça nunca vem sozinha, e levando-se em conta a necessidade da vitória por conta dos resultados, já estava contada a titularidade de Albiol. Mas Sarri achou melhor poupá-lo. Joga Chiriches, certo? Errado. Antes do jogo, ele também sentiu uma lesão. 


Era a chance de Tonelli. A sua última partida foi a vitória no clássico contra o Milan em San Siro, no dia 21 de janeiro de 2017. Desde então, quase foi embora por duas vezes. Não se imaginava nem mesmo que Maksimovic, a frente dele, jogaria na temporada, por isso o sérvio foi ao Spartak Moscou. Tonelli então, nem se fala. Mas a oportunidade bateu a porta.


E logo cedo, o mesmo problema de sempre. A mesma desatenção de sempre. Um cruzamento de Immobile, e De Vrij fez o mesmo do jogo do Olímpico. Colocou a Lazio na frente do placar com um toque. Muita gente já se apressou pra culpar Tonelli, embora ele não tivesse culpa nenhuma no lance.


O Napoli jogava mal. Não se encontrava. Nervoso, errava muitos passes. A Lazio ameaçava mais, embora aos poucos a dupla de zaga, especialmente Tonelli, se acertava e concedia cada vez menos. Só Insigne destoava da atuação coletiva.


Pra piorar, a atuação do árbitro Banti era muito contestável. Permitindo faltas o tempo inteiro, como é de costume em jogos apitados por ele, o que pra um jogo entre Napoli, um time de velocidade na transição, e uma Lazio mais física e combativa, já seria um desastre.


E no primeiro tempo foi uma arbitragem escandalosa. Foram três lances de faltas que poderiam até gerar possíveis expulsões. Primeiro, a pisada de Lulic em Allan no chão. Depois, a quantidade de faltas enormes de Lucas Leiva. Além disso, tivemos um golpe quase de wrestling de Milinkovic-Savic em Callejón. Os três? Cartão só pro brasileiro, depois de meia hora de jogo.


E o lance mais polêmico da noite mereceu um capítulo à parte: após um lançamento para Mertens, antes que a bola chegasse em Strakosha, Wallace ao proteger, larga a disputa de bola e dá um tranco no belga, que cai. Um lance claro pra se pedir pênalti, mas Banti não dá.


Tudo já se encaminhava pra Sarri xingar o time inteiro no vestiário e um placar desfavorável. Até que Jorginho achou um passe que nem Callejón, que recebeu, deve ter acreditado que ganhou uma bola tão açucarada. O espanhol não foi bobo e marcou o gol de empate. Um empate precioso em vista do que era o jogo até ali.


Segundo tempo sem Sarri, e sem Hamsik, que poderia ser substituído pela má atuação na primeira etapa, mas foi por uma dor nas costas, que já era problema pra ele desde o início da semana. Mais uma pra suspeitar que alguém tinha rogado praga pro Napoli.


O fato é que com Zielinski o jogo foi outro. Uma equipe mais dinâmica, criando o tempo todo. Primeiro, as chances de Insigne. Uma parava no zagueiro, outra no goleiro, outra tirava tinta da trave. Parecia azar. A sorte precisava virar pro nosso lado. E virou quando Callejón cruzou pra Insigne, mas Wallace no meio do caminho botou pra dentro pra virar o jogo.


E quando o Napoli voltou à frente do marcador, era como se a paz tivesse se instalado de novo. As jogadas passavam a fluir mais. E contar mais com a sorte, com mais confiança, como no chute de Mário Rui, que desviou em Zielinski, e a bola entrou. O árbitro deu gol pro português, que já vinha fazendo por merecer esse gol.


Tudo fluia um pouco melhor. De repente, uma partida difícil se transformou num show carnavalesco. Uma harmonia fora do comum, e uma ginga coletiva que se refletia na agora intensa troca de passes, que chegava ao ponto até de um olé gritado pelo San Paolo, em noite que passava um pouco longe da lotação, mas com a festa de sempre.


O quarto gol foi uma demonstração de um jogo coletivo, de um time incrível, que merecia o show. Jogada começando atrás, Mertens lançando Zielinski, que arrancou, driblou, deu uma ginga de corpo estilo futsal, e viu o belga livre pra só tocar pras redes. Nota 10 para o Napoli por mais essa jogada de classe.  


De repente, um jogo difícil pro Napoli, um clássico diante de uma equipe difícil como é a Lazio de Inzaghi, virou uma goleada fácil. Méritos do time de Sarri que soube transformar isso em gols. De transformar sustos em um domínio avassalador, com direito a 68% de posse de bola e 88% de precisão nos chutes, com 17 das 18 jogadas sendo feitas com bola rolando.


O fato da comoção por Ghoulam, antes, durante e depois do jogo, mostra também o quanto a equipe é unida. Mostrando a harmonia napolitana presente entre os jogadores. Na hora da comemoração o argelino foi lembrado . Uma bela homenagem de seus companheiros.


Jogando assim como no segundo tempo, o Napoli vence, convence, e dá show. E mostra a capacidade de poder sair de uma semana das trevas como essa por cima, criando novos heróis, e na semana de Carnaval, bailando o ritmo de uma bela vitória em um clássico.


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

Nesse sábado, o Napoli foi 'todos por um'. Todos por Ghoulam

Reina - Talvez pudesse fazer melhor no lance do gol laziale, a meu ver nem tanto. Teve boas saídas de gol na primeira etapa, e algumas defesas. Fez quase nada no segundo tempo. Nota: 6,0


Hysaj - Um dos seus melhores jogos com a camisa do Napoli. Algumas dificuldades físicas no primeiro tempo, limitou bem as ações de Lukaku e Lulic pelo seu lado. Ofensivamente também colaborou na saída de bola. Nota: 7,0


Tonelli - A grande surpresa dos últimos tempos. Um clássico difícil, pra alguém que não jogava há 380 dias. Jogou como se fosse titular, com dificuldades em alguns momentos na luta contra Immobile, mas se impondo frente a um difícil adversário. Nota: 7,0


Koulibaly - No início do jogo errando alguns botes, talvez poderia estar melhor posicionado no lance do gol laziale. Mas aos poucos, foi se acertando, bem nos cortes, e bem nas roubadas de bola. Ótimo na segunda etapa. Nota: 6,5


Mário Rui - Premiado depois pela arbitragem com seu primeiro gol vestindo a camisa do Napoli. Vem em crescimento não apenas por essa questão da fase ofensiva, mas também na marcação, onde foi muito bem limitando um jogador difícil como Marusic. Nota: 7,0


Allan - Um jogo um pouco mais complicado. Menos cortes e roubadas de bola, permitindo algumas progressões da Lazio em cima do brasileiro. Por outro lado, foi bem nas interceptações, e não era incomum, especialmente na segunda etapa, vê-lo aparecer no ataque. Nota: 6,0


Jorginho - Parecia num jogo de dificuldade, errando mais passes, com problemas na marcação, devido ao poder físico dos adversários. Mas quando arrumou espaço, aí começou a distribuir passes. Alguns sem tanto açúcar, mas o do gol de Callejón foi bem açucarado. Doce passe. Nota: 7,0


Hamsik - Um jogo de dificuldades, de erros de passes, de posicionamento, e de uma marcação forte. Ainda assim, teve 91% de precisão nos passes, um bom número. Saiu no intervalo por dores nas costas, mas uma partida abaixo da média. Nota: 5,5


Insigne - O gol dele não saiu, mas não foi por falta de tentativas. Foram dez finalizações durante o jogo todo. Sempre ou o vento ou Strakosha impediam suas grandes chances. No primeiro tempo, foi o melhor do Napoli. Nota: 6,5


Mertens - Um pouco mais desaparecido no jogo, em razão do sistema de três zagueiros da Lazio, ele foi um pouco mais discreto. Mas discreto para Mertens, é parecer que não joga nada, e do nada, chegar e completar um golaço, como foi o lance do quarto gol. Típico dele. Nota: 7,0 


Callejón - O homem do jogo. O seu jogo de sacrifício pela equipe, seja na frente, ou atrás, recuperando bolas, mais uma vez foi recompensado, e dessa vez, esteve mais letal ofensivamente, com uma frieza incrível no lance do primeiro gol, e com um belo cruzamento pro gol contra de Wallace. Nota: 8,0 


Zielinski - A sua entrada mudou definitivamente o jogo, oferecendo mais velocidade, tanto nas jogadas pelo meio, quanto nas jogadas principalmente acionando Insigne na ponta-esquerda. Até participou do gol de Mário Rui, mas a sua melhor participação sem dúvida foi no lance de futsal no gol de Mertens. Nota: 7,5


Rog - Entrou bem nos minutos finais, dando um pouco de gás pra segurar a bola e a vitória, e aquela velha história: um minuto pra ele é sinônimo de que vai correr, se movimentar e disputar bolas. Nota: 6,0


Maggio - Entrou nos minutos finais e desempenhou até bem a função na ponta-direita na parte defensiva. Na parte com a bola, a ofensiva, nem participou do jogo. Nota: 6,0


Sarri - O modo cenário foi mais difícil pra ele no clássico desse sábado, com tantos desfalques e baleados. Entre mortos e feridos, uma boa mudança de jogo, com a entrada de Zielinski na segunda etapa, uma mudança de necessidade que deu mais velocidade a equipe em relação a lentidão da primeira etapa, e que deu mais precisão no passe, o grande erro da parte inicial. Nesse momento, aos poucos, com mais confiança, as coisas foram indo ao seu lugar, e o Napoli ganhava o clássico. As outras duas substituições também foram bem feitas e necessárias. Nota: 7,0


Site oficial: SSC Napoli
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Callejón e Mertens fazendo o 31 de Ghoulam