Na Europa League, o Napoli continuou tratando as copas com a mais pura preguiça

Antes do jogo, já nas entrevistas, Sarri falava que estava sendo difícil convencer seus jogadores a se concentrar na Europa League e no Leipzig. Em meio a um frio de zero grau,  Só aí você já poderia ter uma noção do que era o clima do pré-jogo. 


Havia uma espécie de um clima de preguiça. Se possível, pra muitos, já nem se jogaria a eliminatória com o RB Leipzig. Se para uns o clima era de total "dane-se", para os adversários é quase uma das eliminatórias da vida, em busca da tão sonhada cancha para a novata equipe.


No primeiro tempo, uma postura que se viu durante o jogo inteiro. O bom time do Leipzig ameaçando por diversas oportunidades, e criando o tempo todo em cima dos erros napolitanos. A única chance real do Napoli foi num chute de Callejón defendido por Gulacsi.


Para se ter uma noção do Napoli na primeira etapa: foi a primeira vez que o time concedeu mais de 10 chutes nos primeiros 45 minutos de jogo. Foram 11 chutes do time alemão, embora as ameaças não tenham sido tão fortes. O time precisava de mudanças, mas como mudar com um clima tão preguiçoso? 


O clima era tão de preguiça, que quando Rog lançou Ounas, e o argelino bateu bem, cruzado, pra marcar seu primeiro gol com a camisa napolitana, parecia que seria sinal de bons fluidos. De um Napoli que poderia dar certo no jogo, e até se animar. Ledo engano.


Aos poucos o Leipzig foi mostrando sua cara. Criando mais. O gol logo seria uma consequência. E foi, quando Timo Werner aproveitou jogada pela ponta, e apareceu do nada nas costas de Diawara, que começou o lance do gol dos alemães errando um passe fácil.


A apatia dominava o Napoli. Um time quase moribundo em alguns lances. Evitando divididas, errando passes mais fáceis. E o Leipzig querendo jogo. E a casa caiu de vez quando Bruma completou pro gol uma bela arrancada de Poulsen, embora Maggio tenha tentado evitá-la em vão.  


Mesmo a tentativa de pressão a partir dali foi xoxa. E o terceiro gol, a doppietta de Timo Werner, confirmada nos acréscimos, foi uma mera consequência de um time que já veio querendo ser eliminado no primeiro jogo. E aí sempre vale dizer o que Sarri disse após o jogo. 



"O salto da mentalidade deve ser feito: as grandes equipes se preparam um jogo, descarregam [suas forças] e, depois de 48 horas, estão prontas novamente". - Maurizio Sarri



Portanto não é uma questão de calendário, do elenco (que já era curto e ficou menor ainda devido aos desfalques) ou de qualquer outra coisa, especialmente do não-mercado, rechaçado por Sarri, que disse que temos de fazer o melhor com o que temos a disposição. Muitas vezes se é da atitude com que o Napoli leva as coisas. Nunca é e nunca será bom perder. 


O que me incomoda não é o elenco curto. É saber que o elenco quando entra as vezes não parece estar nem aí em copas. Que mesmo com o banco curto, dá pra fazer melhor. Porque se analisada a atuação da equipe, quem jogou pior ali foi quem costuma ser reserva, que na teoria, deveria entrar em um jogo como esses com a faca nos dentes pensando em uma hipotética titularidade.


E estes reservas não são jogadores que até aqui entraram mal. A não ser Diawara nessa específica temporada (embora o jogo com o City em Manchester prove o contrário), e Ounas, a grande maioria são jogadores que já entraram bem em alguns pontos de jogos anteriores.


Foram muitos, tanto titulares, quanto reservas, que parecem não ter levado o jogo a sério. Outros que estavam tão nervosos que pareciam querer dar um jeito de não jogar a volta. Muitos fugindo de divididas, sem correr tanto em grandes lançamentos. Sem a mentalidade de estar presente em campo, o Napoli se torna mais comum, como Sarri disse. 


E levar o jogo a sério sempre é um passo pra uma mentalidade mais vencedora. Quanto mais se leva as copas na base da preguiça, mais oportunidades de vencer se perde. E pra isso não é uma questão de elenco, não é uma questão financeira ou de técnico. É de jogar partidas dignas nas copas.


Com mais concentração, com mais motivação. Com uma mentalidade de um time vencedor, que chama vitórias em todos os campeonatos e copas possíveis. Não é tratando como uma mera obrigação de calendário, como o Napoli fez na temporada 2017-18, que se pensa em vencer. 


Por fim, a frase que Sarri disse na coletiva (que se bem aproveitada, pode servir como um marco no time), serve muito bem pra sintetizar a derrota, e o que deve ser o Napoli, e serve também para fechar o texto e entender o que se passa algumas vezes nas copas:



"A mentalidade tem de ser sempre a certa. Você pode ganhar ou perder, mas a mentalidade tem de ser sempre a mesma. Hoje, eu vi um time que jogou como se fosse uma obrigação. Não havia entusiasmo, paixão ou foco e isso é um péssimo sinal". - Maurizio Sarri


 


Reina - Boas defesas durante a partida, com boas saídas de gol, uma defesa com os pés na segunda etapa. Não teve grandes culpas nos lances dos gols do Leipzig. Nota: 6,0


Maggio - Quando acionado pelo seu lado, não decepcionou muito na marcação. Ofensivamente fez pouco. Por pouco não consegue evitar o lance do gol de Bruma. Nota: 6,0


Tonelli - Uma partida mais fraca, talvez pelo fato de ter jogado mais exposto pelo meio. Pra piorar, seu parceiro de zaga ainda estava em um dia horrível. Resultado: era toda hora ele tendo que lutar em um contra um contra algum jogador do Leipzig (normalmente Timo Werner). Nota: 5,5 


Koulibaly - Uma partida mais fraca dele. Entregando bolas mais fáceis, mais nervoso que o comum, bem mais distraído, errando posicionamentos, uma noite pra se esquecer. Nota: 5,0


Hysaj - Quando esteve em campo, esteve bem na marcação, participando ativamente da saída de bola defensiva. Com ele, Sabitzer não criou grandes problemas. Nota: 6,0


Rog - Brincamos aqui que muitas vezes ele é um cachorro louco, mas foi uma partida bem ausente defensivamente, com alguns buracos (embora ele tenha ido corrigir erros do parceiro Diawara), e na fase ofensiva, poucas ações. Nota: 5,5


Diawara - Foi um completo desastre. Errando botes, errando passes, e pra complicar tudo, falhando nos três gols, com erro de passe, erro de posicionamento e erro de bote. Uma partida pra se esquecer. Nota: 4,0


Hamsik - Um dos melhores do Napoli, sendo lúcido especialmente na primeira etapa, em um dos poucos locais onde poderia sair alguma coisa. Fez boas trocas de passes com Zielinski pelo lado esquerdo. Nota: 6,0


Zielinski - Uma partida razoável na ponta-esquerda. Dos seus pés saíam as poucas jogadas de qualidade por aquela faixa do campo. Foi um que não pecou por omissão. Nota: 6,0


Callejón - Um pouco mais lento na função de falso nove. Até auxiliava na marcação, mas fez muito pouco na função de centroavante em relação ao que poderia fazer. Abaixo da média. Nota: 5,5


Ounas - Parecia perdido em alguns momentos, mas foi outro que não pecava por omissão. Finalmente conseguiu seu primeiro gol com a camisa do Napoli, mas a atuação em si não foi tão incisiva quanto poderia ser. Nota: 6,0


Mário Rui - Entrou não tão bem no jogo. Esteve mais nervoso, reclamando mais com o juiz, chegando mais forte. Foi mais exposto nos contra-ataques adversários. Nota: 5,5


Insigne - Uma partida mais displicente de Lorenzo. Não deu impacto ao jogo, com alguns erros, e perdendo mais bolas do que o normal no ataque, além de não receber lançamentos bem. Nota: 5,5


Allan - Não entrou tão bem no jogo, mas foi regular. Com a bola, se movimentou bem, sem a bola, não teve grande impacto. Nota: 6,0


Sarri - Na abordagem do jogo, foi bem na medida do possível. Melhor que isso, só se poupasse alguns jogadores mais, embora, claro, não houvesse uma possibilidade. Por conta disso, as substituições foram bem feitas. Dentro de campo, uma equipe que atacou com menos frequência do que o normal, embora tenha sido letal. Uma equipe que não se defendeu direito. Suas reclamações de um desinteresse por parte da equipe são justas. Mas precisa corrigi-los para o futuro, embora o problema de mentalidade tenha muito a ver com os jogadores. Nota: 5,5  


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

Diawara, um dos nomes negativos do Napoli diante do Leipzig