Napoli aprendeu a lição na Europa League, mas não o suficiente pra passar de ano

Em um espaço de uma semana, a postura do Napoli com a Europa League mudou. As broncas de Sarri serviram muito. A autocrítica de durante a semana também. Toda uma discussão enorme sobre a mentalidade azul, e sobre o quanto os resultados partenopei na Europa precisam melhorar.


A postura de Sarri já foi interessante por conta de que tirando Reina e Hamsik, nenhum dos titularíssimos jogou os dois jogos, mas cada um jogou um pouco de um, quando não partes dos dois. Acaba poupando com justiça todos do elenco, até Callejón, que é conhecido pelo fato de que nunca sai do time.


Desde o começo se via um time ligado no 220. Flutuações melhores, algumas boas jogadas, muitas vezes também sem dar tanto perigo. A defesa neutralizava o bom meio do Leipzig, sem Keita, e com Forsberg, no banco, é verdade, mas uma boa partida.


O Napoli procurava mais o gol do que o time da casa. E foi recompensado quando em lançamento para Insigne defendido pelo goleiro Gulacsi, o húngaro deu rebote, e Zielinski abriu o placar a nosso favor. Um placar que resumia a superioridade até ali, embora dali até o fim da primeira etapa, pouco se fez.


No segundo tempo, as coisas se equipararam. O Leipzig rondava mais a área, e ameaçava, e com o time italiano sem apertar muito ou sem ter o ritmo frenético e neurótico. O Napoli apostava em contra-ataques, e passou a fazer isso ainda mais a partir da entrada de Callejón em campo no posto de Hamsik.


Em jogada nos minutos finais, primeiro, Allan lançou o espanhol Callejón na direita, que viu Insigne passando livre entre os zagueiros pelo meio. E o Napoli amplia. Iguala tudo no placar agregado. De repente, uma eliminatória morta tem uma sobrevida.


De repente, de uma hora pra outra o Napoli ficou a um gol da classificação. Pode ter faltado tempo para isso. Mas não faltou tempo para o time aprender uma lição. A de parar de menosprezar campeonatos. E parar de menosprezar não é ganhar e perder. É de se repetir posturas como a desta quinta-feira, que fizeram o Napoli brigar pela vaga e ressuscitá-lo numa eliminatória morta.


Em resumo, o Napoli nas copas, especialmente nesta Europa League, foi como um estudante na faculdade que ignora o semestre ou o ano, perde muitos pontos por isso, e ao final, tem que recuperar uma nota para passar de ano. Só que no final, mesmo com todo o esforço, não passa de ano.


Ainda assim, isso acaba sendo como uma espécie de "DP" na faculdade. Uma situação em que tudo pode ser refeito lá na frente, com calma e paciência. É preciso rever o planejamento para as campanhas na Europa, e Sarri e seus comandados sabem bem disso (o técnico está bem lúcido para essas possibilidades). 


No final de tudo, podemos dizer que o resultado é ruim pela eliminação, mas tal qual o slogan da propaganda, o futebol apresentado em Leipzig faz ela descer macia e reanimar para o futuro. No global, o Napoli pagou pelos erros do jogo de ida, mas analisando a partida jogada na Alemanha, se há o que comemorar na vitória.


 


Reina - Protagonista de algumas boas saídas de gol, especialmente quando haviam lançamentos em profundidade do time alemão. Em relação a chances de gol, não defendeu muitas. Nota: 6,0


Maggio - No seu lado, Bruma, um jogador veloz, pouco se criou. Uma partida de boa aplicação defensiva e de muito boa marcação. Ainda assim, não se criou tanto ofensivamente, embora não se fez necessário. Nota: 6,0


Albiol - Partida segura contra um dos melhores atacantes do continente que é Timo Werner. Teve bons cortes e roubadas de bola, e participou bem da saída de bola também. Nota: 6,5


Tonelli - Limitou a vida de um adversário difícil como Poulsen, que já havia marcado no San Paolo. Teve bons cortes e um bom senso de colocação. No ataque, quase fez o da classificação. Nota: 6,5


Mário Rui - Uma partida mais discreta, com boa participação na saída de bola e uma boa marcação, mas ainda assim, sem tantas participações no apoio ao ataque. Nota: 6,0


Allan - Outra grande partida, mais uma vez estando em todos os lugares possíveis em campo. Ganha com facilidade da maioria dos adversários. Uma grande atuação, mesmo sem ter participado tanto de ataques. Nota: 7,0


Diawara - Uma partida mais segura em respeito a "noite do terror" do jogo de ida no San Paolo. Uma partida de mais passes curtos, e pouco espaço ofensivamente. Na marcação, o básico. Nota: 6,0


Hamsik - Um jogo de passes, com poucos erros. Não participou tanto ofensivamente com chutes das mais variadas distâncias como costuma fazer, mas fez uma boa partida, dentro da média. Nota: 6,0


Insigne - Sempre criando jogadas individuais, dos seus pés nasceu o primeiro gol partenopeo. Quando tudo parecia mais perdido, deu novas esperanças ao Napoli com um lance de oportunismo na área que foi o segundo gol. Nota: 7,5


Mertens - Flutuou bem entre os zagueiros e participou de algumas boas jogadas ao longo da partida, embora ainda tivesse tido uns problemas com jogadores do time da casa. Nota: 6,0


Zielinski - Não era tão ativo nas jogadas pela ponta-direita, onde foi escalado. Quando passou para o meio-campo teve relativa melhora. Mas compensava a ausência nas pontas, com muita flutuação pelo meio, e foi assim que marcou o primeiro gol napolitano. Nota: 7,0


Callejón - Sua entrada deu mais força ofensiva para a equipe, completando sempre jogadas das tradicionais inversões de jogo de Insigne, e retribuindo o favor ao companheiro com o belo passe do segundo gol azzurro. Nota: 6,5


Hysaj - Entrou bem no jogo, com uma boa participação na marcação, e especialmente na fase de saída de bola. Não teve grandes erros quando esteve em campo. Nota: 6,0


Jorginho - Entrou nos minutos finais basicamente pra operar ataques com passes em profundidade. Até conseguiu alguns no período em que esteve em campo. Nota: 6,0


Sarri - Uma abordagem de jogo interessante colocando pra jogar os que não jogaram no jogo de ida, e poupando os que jogaram na ida para este jogo de volta. Com isso, acabou rodando o time, e dando oportunidades para quase todos do elenco nessas eliminatórias. Neste jogo de volta, com o mais perto entre os "titularíssimos" dentre os escalados por Sarri no jogo, fez uma grande partida e elogiável para quem tinha seu comprometimento questionado na última quinta-feira. As substituições foram bem realizadas. Nota: 7,0

Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

Insigne e o gol que deu uma ilusão maior ao torcedor napolitano