A nona sinfonia napolitana faz do seu espetáculo um drama para o Cagliari

Já é até comum. Para o Cagliari, talvez os confrontos contra o Napoli sejam o maior confronto da temporada. A obsessão, motivada por uma certa rivalidade entre as duas equipes, relativamente recente em relação a outras rivalidades napolitanas e até em outras dos sardos.


No passado, até houve boa relação entre os dois lados. Mas tudo se deteriorou com a contratação do Napoli de Daniel Fonseca no verão de 1992. No primeiro confronto no Saint Elia, em 1992-93, o uruguaio foi expulso e vaiado, e respondeu com aplausos irônicos. No segundo, em 1993-94, fez dois gols na vitória por 2 a 1, e mandou uma banana pra Curva Nord do Cagliari. 


Pulamos pra 1996-97. O Cagliari empatou com o Piacenza em número de pontos, o que significava que os dois teriam de fazer um "jogo desempate" em campo neutro para definir quem seria rebaixado. O jogo foi marcado para o San Paolo, em Nápoles.


Os locais napolitanos passaram a apoiar o Piacenza, muito porque seu técnico, Bortolotto Mutti, seria o técnico napolitano na temporada seguinte. Deu Piacenza, 3 a 1 e salvo da Serie B. E algumas confusões fora do estádio entre torcidas minaram ainda mais o ambiente. 


Nos anos de dificuldade napolitanos, eram períodos em que o Napoli nunca ganhava pontos na Sardenha. O fato é que depois disso, a última vitória do Cagliari em casa no confronto foi em 2008-09, vencida por 2 a 0, com direito a única partida do goleiro Luca Bucci (terceiro goleiro da Itália na Copa de 1994) no gol azzurro, numa temporada problemática entre as traves. 


O fato é que chegamos a uma partida em que mais uma vez o adversário falou, falou, falou, que ia pra cima do Napoli, principalmente nas entrevistas de durante a semana do meia Ionita e do bom goleiro Cragno. E dessa vez, a equipe do técnico Diego López foi pra cima desde o início.


Era um jogo de igualdade. Mas em que o Cagliari ameaçava de duas formas: nos cruzamentos para Pavoletti, que teve duas boas chances de cabeça mal concluídas, e nas jogadas em velocidade para o norte-coreano Han, enquanto o Napoli respondia em chutes de longa distância.


Especialmente nas jogadas para o norte-coreano, o jogo se tornava igual. Na melhor delas, Reina teve de sair nos pés frente a frente com ele. O ataque napolitano demorou pra se acertar. Pra piorar, tanto o árbitro Giacomelli quanto o árbitro de vídeo resolveram ignorar um puxão de camisa claro dentro da área que não apenas era pênalti como merecia uma expulsão de Lykogiannis.


Faltava um lance bom pra arrumar as coisas. E lá foi Allan fazer uma jogada maravilhosa pela direita, com drible em velocidade, pra cruzar pra Callejón bater cruzado, sem chances pra Cragno. Com dificuldade, o Napoli chegou na frente no marcador.


Mas a pressão do time da casa, empurrado pela maioria da torcida, fazia com que tudo começasse de novo. Dessa vez, nenhuma chance incisiva do Cagliari aconteceu. E aí no fim da primeira etapa, Hysaj e Mertens foram inteligentes ao aproveitar as sobras. O albanês cruzando, e o belga definindo uma vantagem boa no intervalo.


Foi quase como um golpe de misericórdia, porque no segundo tempo o Cagliari ameaçava na proporção inversa a que batia nos jogadores do Napoli. Barella poderia ter sido expulso na quantidade de faltas que fez. O time da casa só ameaçou em uma cobrança de falta em que Reina pôs pra escanteio.


O Napoli parecia tranquilo com o resultado. Começava a tocar a bola. Tocar a bola. A bola passava por todos os onze em campo. Trocas de passe do meio, pro campo de defesa, depois pro meio, até que ela chega em Insigne na ponta, que só toca pra Hamsik bater a seu estilo. Um gol típico da qualidade desse time.


A partir daí, o Cagliari já estava nas cordas. Não adiantava tentar bater. Era complicado adiar o inevitável, que era uma goleada. Castan até que tentou tirar com a mão dentro da área, mas quem deveria colocar as mãos para impedir o gol napolitano era Cragno, e mais uma vez ele não pôde fazer nada, agora no pênalti de Insigne.


Goleada consumada, gols do "quarteto fantástico" consumados, quem tentava o quinto gol era Mário Rui. Teve sua primeira chance, batendo cruzado pra fora. Na segunda chance, conseguiu o que Ghoulam tenta há séculos e não conseguia: um belíssimo gol de falta, que fechou o placar, e a segunda "manita" consecutiva na casa rival.


Mais uma vitória importantíssima consumada, e não apenas isso: vitória de goleada, com um grande estilo, e com direito a muitas estatísticas positivas, como a que cita da segunda vez que o "quarteto fantástico" marca junto em um mesmo jogo, sendo a primeira vez em maio de 2017, nos 4 a 2 sobre a Sampdoria.


Foi também a nona vitória como visitante nos duelos diante do Cagliari, empatando o confronto direto nos jogos com o time da Sardenha como mandante. Até por conta disso, podemos dizer que a segunda "manita" consecutiva, acabou se tornando a nona sinfonia de Sarri. Um recital de futebol. 


Reina - Boas saídas de gol na primeira etapa, especialmente uma nos pés de Han. Na segunda etapa, defendeu apenas uma cobrança de falta adversária com perigo, e nada mais. A partida da primeira etapa lhe garante. Nota: 6,5


Hysaj - Participou menos do jogo em relação a outras vezes, com menos bolas tocadas no jogo (43), muito em razão das saídas serem especialmente pelo meio. Cumpriu bem o seu papel defensivo. Nota: 6,5


Albiol - Teve alguns problemas de posicionamento que possibilitaram Pavoletti de cabecear sozinho e finalizar sozinho. Mas aos poucos pôs as coisas no lugar. Depois disso, foi grande, especialmente no jogo aéreo, com alguns cortes. Nota: 6,5


Koulibaly - Alguns problemas na marcação contra Han, mas aos poucos se acertou. Na segunda etapa, não teve grande trabalho. Recebeu um cartão amarelo por uma falta de intensidade desnecessária. Nota: 6,0


Mário Rui - Nos primeiros minutos, teve alguns problemas na marcação contra um adversário driblador como Han. Mas logo pôs as coisas no lugar. Passou a ser dominante na defesa. E participativo no ataque, trabalhando bem com Insigne. Mas foi numa bela cobrança de falta que ele foi premiado com um belo gol. Nota: 7,5


Allan - Pelo meio o Cagliari não criava. Muito porque sempre ganhava qualquer disputa. Dividida? Ganhava. Interceptação? Também. Em várias arrancadas em velocidade, deu opções de passe. E deu o passe valioso pra Callejón abrir o placar. Nota: 7,5


Jorginho - Marcado por Han e João Pedro desde o campo de ataque, teve um pouco mais de problemas para tocar bolas, e ajudou na marcação. Na segunda etapa, um pouco mais lento, participou um pouco menos do jogo, embora aos poucos encontrava bons espaços para contra-ataques. Nota: 6,5


Hamsik - Ajudou muito Jorginho na primeira etapa quando a marcação do Cagliari apertava um pouco mais, porém, não era tão incisivo no ataque. Mas quando teve sua chance, deixou um belo gol, pra premiar uma jogada que passou pelos onze em campo. Nota: 6,5


Insigne - No primeiro tempo, teve lá seus problemas com a bola, mas aos poucos foi melhorando, nunca se abstendo de tentar. Em uma dessas tentativas, conseguiu o pênalti, e lá foi ele bater pra fazer o quarto gol, e tirar a seca do campeonato em 2018. Nota: 7,0


Mertens - Sofreu um pênalti não marcado pelo árbitro, foi bem marcado o tempo todo. Mas em um momento de desatenção, lá está ele pra dar o toque final na jogada do segundo gol. Nota: 7,0


Callejón - Importante não apenas no chute cruzado que abriu o placar da partida. Suas jogadas em velocidade sempre confundiam Ceppitelli. Ajudou na marcação, e também teve uma química ótima com Allan. Nota: 7,0


Zielinski - Entrou bem no jogo, com vontade, mesmo com um jogo praticamente morto. Ganhava sempre na aplicação, na luta pela bola, e criou boas jogadas. Nota: 6,5 


Maggio - Uma partida de boa aplicação tática e defensiva, ainda que não tenha atacado tanto, e ainda também que não tenha tido tanto trabalho defensivo, contra um Cagliari já nas cordas. Nota: 6,0


Diawara - Entrou nos minutos finais e colaborou com a qualidade da troca de passes, sem perder a vontade mesmo com um placar mais elástico. Nota: 6,0


Sarri - Uma estratégia interessante com os titularíssimos. Soube sofrer, pra usar um termo na moda, quando o Cagliari atacava. O time demorou, mas foi incisivo e letal na frente, tanto no lance do gol de Callejón, quanto no de Mertens, que pôs o adversário nas cordas, e a partir dali, foi controlar a partida, e dar os três golpes fatais na segunda etapa. Além disso, as substituições foram bem feitas. Nota: 7,0


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

A festa do belíssimo gol de falta de Mário Rui, a festa de outra "manita" no Cagliari