O Napoli tropeçou nas próprias pernas e trouxe de volta as nuvens negras

Já seria um jogo difícil de qualquer jeito, independente do balde de água fria que aconteceu na capital ou não. Por mais que ganhemos da Roma no Olímpico, nos últimos tempos, a coisa se inverteu, e estamos sofrendo dentro do San Paolo, onde, na era Sarri não ganhamos clássico deles. Pra piorar, a Roma é uma das melhores visitantes do campeonato.


O importante era não ter um começo de desatenção. Em vários jogos, pagamos por isso. Sofremos em um lance de Perotti, mas em uma boa jogada de Mário Rui, Insigne recebeu e chutou, com desvio, pra colocar o Napoli na frente do marcador. Parecia bons sinais. San Paolo em festa, tudo azul.


Tudo parecia bom. Felicidade no gol, ninguém contava com Under passando na velocidade, e o chute foi tão inesperado, com um desvio de Mário Rui tão inesperado, que ficamos alguns segundos incrédulos de que a bola havia entrado. E entrou. Tudo foi por água abaixo.


A partir daí, era o mesmo roteiro de sempre de 9 entre 10 partidas da Roma no Italiano (a outra é uma partida que eles ganham com folga). Todo mundo chuta, principalmente Insigne. Alisson defende. Isso diria uma tendência no jogo, até que Florenzi vai nas costas de Mário Rui, cruza e Dzeko nem precisa subir pra ganhar de Albiol e fazer a Roma começar a ganhar o jogo. 


Repete o roteiro: o time inteiro chuta, Mertens chuta, Insigne chuta, Callejón põe na trave em escanteio, gol atrás de gol perdido, a Roma castiga, em outra escorregada de Mário Rui, e chute colocado de Dzeko, sem chances para Reina, e ali o jogo estava morto. 


Roteiro repetido três vezes pede música? Não, mas pede outro gol sofrido, com direito a calcanhar de Mário Rui pra Perotti. Lembraram os tempos de Roma, talvez fizessem essa jogada nos treinos em Trigoria. Com a questão de que o português agora era jogador napolitano.


Mertens até descontou em um belo chute da entrada da área, mas de pouco serviu pro jogo o primeiro gol de fora da área que Alisson levou no campeonato. Serviu mais pra evitar que falassem em uma goleada do que outra coisa. Mas também nem tanto porque não havia mais tempo hábil.


A Roma acabou devolvendo uma ferida histórica no clássico. Muita gente fala daquela virada contra a Sampdoria em 2009-10, mas é importante também se lembrar do empate sofrido contra o Napoli no San Paolo, em que os romanistas sofreram a igualdade nos 15 minutos finais após abrir vantagem contra um Napoli que não ganhava um jogo há 2 meses.


Se olharmos as estatísticas do jogo, a derrota se torna um pouco mais absurda. Se olharmos a competência, nem tanto. A Roma foi letal por ter um artilheiro num dia inspirado, como Dzeko. Os nossos até deixaram os deles, mas não o suficiente pra evitar uma derrota. E as camisas negras romanistas trouxeram de volta as nuvens negras para Nápoles.


Voltamos a aquela história do não vencer não pelos gols que não fazemos, mas pelos gols que levamos. Especialmente quando Mário Rui está em um dia de Fideleff ou de Gresko. Aí não tem como vencer dessa forma. E não adianta culpar tanto, por exemplo, o fato de Hamsik não ter iniciado o jogo pela gripe que sempre rola em Castelvolturno (tem que dar vitamina C pra essa galera...).


Não adianta culpar muita coisa pela primeira vez que o Napoli sofre quatro gols na Serie A desde a era Benítez, e pela segunda vez que o time sofre uma virada na era Sarri. É hora de trabalhar pra corrigir esses erros. As cochiladas defensivas tem sido fatais em jogos como esse. Especialmente de um mesmo lado. Não a toa, "coincidentemente", o mesmo falhou nas derrotas vitais da temporada. 


Não pode ser coincidência também o fato de que em oito bolas na área o jogo inteiro, foram concedidos quatro gols. Enquanto no ataque, esbarrando com mais uma noite inspirada de Alisson, foram doze chutes pra dois gols. É hora de pensar na defesa pro futuro (embora alguns pensem no futuro em outras bandas mais ao norte...).


Existem saídas nos jogos grandes. Não adianta não esperar que o adversário não fará o jogo da vida. Porque fará. Para vencer, serve partidas de atenção. Servem partidas de competência. Aí não tropeçaremos nas próprias pernas. Servem partidas de luta, como até mesmo essa, que teve os aplausos do San Paolo após o jogo.


No mais, sempre é bom lembrar que nenhuma vitória para nós vem fácil. Ainda mais em clássicos como os contra a Roma. Nunca foi fácil torcer para o Napoli. E por fim, podemos dizer em relação a isso, que ser napolitano é e sempre será sofrer no paraíso (uma adaptação de uma frase famosa por aqui). E pra tirar as nuvens negras do ambiente, só jogar bola serve.



Reina - Talvez tenha tido culpa no terceiro gol, mas ainda assim, foi um bom chute. No mais, não tinha tanto o que fazer nos outros três gols. Nota: 6,0


Hysaj - Sofreu com os contra-ataques romanistas, quando eles saíam por ali. Embora os gols não tenham saído pelo seu lado, o que não lhe gerou grandes problemas. Mas também não saíram pelo seu lado porque a Roma atacou mais na outra avenida. Nota: 5,5


Albiol - Tomou um baile de Under por baixo, nas entrelinhas da defesa, e pelo alto, de Dzeko. Os gols em cima dele foram pura consequência. Uma partida desastrosa. Nota: 4,5


Koulibaly - Foi o único que tentou dificultar alguma coisa ao adversário na defesa. Não a toa que Dzeko pouco se criou em cima dele. Já em cima de seus parceiros... Apesar dos quatro gols sofridos, nenhum pode se dizer que foi culpa dele. Nota: 6,0


Mário Rui - Vinha bem, nos primeiros minutos deu um bom passe pro gol de Insigne. Até que resolveu fazer uma partida digna de quem entregou o jogo. Uma das piores individuais que vi na vida. Digna de Fideleff, Cribari, ou qualquer um que tenha passado na era ruim da defesa. Entregar quatro gols é uma façanha e tanto. E só ganha 4 na nota porque deu assistência. Nota: 4,0


Allan - Teve alguns problemas na marcação, sem conseguir dar conta nos lances de maior marcação. Enquanto a Roma se fechava, ele até subia ao ataque, mas fez pouco. Nota: 5,5


Jorginho - Foi um dos que falhou na jogada do primeiro gol romanista. No desespero, passou a tentar mais lançamentos em profundidade, sem conseguir tantos resultados. Nota: 5,5


Zielinski - Uma partida um pouco sonolenta, de pouco desmarque, pouca ajuda na marcação, e poucas trocas de passes. Chutes então, nem pensar. Foi substituído até com certo atraso. Nota: 5,0


Insigne - Seria facilmente o melhor do jogo reconhecido em caso de vitória. Na derrota, também é reconhecido. Não apenas fez o gol como tentava de todo jeito. Valeu o prêmio pelo mérito, embora um pouco fominha as vezes. Nota: 6,5


Mertens - Meio perdido em alguns momentos, se achou em outros, criou boas oportunidades. Numa dessas, conseguiu diminuir o placar. Em outras parou em Alisson. Nota: 6,0


Callejón - Quando acionado, até teve boas chances. O problema é que passou uma parte da partida sumido, só aparecendo quando tinha que cobrar escanteios. Numa dessa, quase fez um olímpico, mandando uma bola na trave. Nota: 5,5


Hamsik - Entrou na segunda etapa e já melhorou um pouco das ações no meio-campo acelerando mais o jogo. Mas de diferente de Zielinski, só fez isso. Só ganha uma nota maior por pouco. Nota: 5,5 


Milik - Foi bom ter voltado a campo. Mas foi voltar e as coisas desmoronaram, acabou que foi pouco acionado. Ainda assim, correu, lutou e participou do jogo. Nota: 6,0


Sarri - Em vista do problema com Hamsik, a formação era a adequada para o momento. Mas o tiro saiu pela culatra, porque apesar das jogadas ofensivas renderem, todo contra-ataque era um perigo. E a Roma acabou sendo letal em quatro de cinco chutes, enquanto o Napoli perdeu gol atrás de gol, e só marcou dois, enquanto chutou doze ao gol de Alisson, um dos heróis da noite. Pela primeira vez sofre quatro gols em uma partida no âmbito local. Pela segunda, uma virada. As substituições foram demoradas até certo ponto. Precisa acordar quanto aos erros defensivos e a desatenção nos primeiros minutos de jogo. Nota: 5,0


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

A vida de Mertens foi difícil entre os zagueiros rivais