O bom empate de antes não é mais suficiente para o Napoli

Quando se planeja um campeonato, você sempre planeja os pontos fortes e fracos da sua equipe. Os campos difíceis, os campos onde se pode conquistar pontos. Isso vale para o Napoli, para a Juventus, a Inter e os demais grandes italianos, como vale para equipes do pelotão de baixo da tabela, como o Crotone, a Spal e o Benevento.


O problema é quando se faz algumas coisas fora do normal. Como o campeonato é e está fora do comum. O que de repente era uma dificuldade, passa a ser uma obrigação. Como de repente se tornou o fato de ganhar em Milão. 


Para contextualizar um pouco as coisas: a façanha do Napoli na temporada passada de ter ganho os dois jogos em Milão foi inédita na história. Sempre deixou pontos para um dos dois. Chegamos a ficar 27 anos sem ganhar do Milan em San Siro. Da Inter foi um pouco menos, o máximo tabu com 16 anos. Mas quase sempre a lógica era ganhar ou pontuar em Nápoles, e rezar na Madonnina.


E de repente, o Napoli se viu obrigado a fazer um resultado que historicamente não costumava fazer. Dentro de campo, tanto Sarri quanto Spalletti repetiram as estratégias do jogo do turno no San Paolo. A diferença estava na hora de atacar. Nossos jogadores tinham a bola, mas muitas vezes lá na frente era como um não saber o que fazer com ela.


Ou melhor, a defesa da Inter sabia o que fazer com ela. Especialmente a dupla Skriniar e Miranda, que anulou o ataque napolitano. Não é nenhuma coincidência que não houve nenhuma grande chance nossa no primeiro tempo. Nem em chute de fora, nem nada.


Skriniar quase coroou sua atuação outra vez como um dos melhores em campo com um gol, mas a trave nos salvou. Só aí o Napoli passou a criar de verdade. Sempre com chutes de longa distância, com Insigne e Mertens, que passaram perto. Na melhor delas, de dentro da área, Lorenzo tentou encobrir Handanovic. Se foi proposital ou pegou sem querer, só importa o destino da bola. E nesse caso, foi bem longe do gol da vitória. 


A atuação foi bem abaixo do esperado pra quem precisava vencer o clássico. Foi um tipo de atuação digna de alguns pontos perdidos dessa temporada. Só que dessa vez não havia cansaço como desculpa. Não há nenhum tipo de desculpa para uma equipe concluir tão pouco a gol como o Napoli concluiu diante dos nerazzurri.


No mais, independente do campo, o tempo fez as reações de um empate em Milão serem diferentes. Antigamente, um 0 a 0 por lá seria motivo até de foto no vestiário comemorando o resultado. Talvez até pros tempos mais vitoriosos do clube. Maradona só voltou de Milão vitorioso em uma única oportunidade. Contra a Inter, salvo dois empates, só perdeu por lá. 


Os mais pessimistas podem dizer que é o fim da estrada. Os mais otimistas, que esse empate pode fazer uma enorme diferença. Qual dos dois estará certo? Só o tempo pode dizer. O fato é que o Napoli precisa voltar a vencer pra colocar as coisas no lugar. E fazendo sempre a sua parte.



Reina - Algumas saídas arriscadas, uns problemas de passes, mas no geral, nos momentos de grande perigo contou com a sorte de tocar na trave ou ir pra fora. Nota: 6,0


Hysaj - Uma boa partida defensiva contra um grande adversário como Perisic. Venceu todos os duelos, apoiou bem o ataque quando pôde. Foi até faltoso em alguns momentos, mas com necessidade. Nota: 6,5


Albiol - Ficou desatento no lance da bola na trave de Skriniar, no mais não teve grandes problemas e fez uma boa atuação no jogo aéreo, sem conceder oportunidades aos rivais. Nota: 6,0


Koulibaly - Alguns problemas de comunicação, especialmente na saída de bola, que foram corrigidos com o tempo. Na fase defensiva, conseguiu neutralizar um jogador importante como Icardi, mostrando estar em boa forma. Nota: 6,5 


Mário Rui - Se Candreva se criou muito no primeiro turno, depois da prova negativa do português contra a Roma, ele acertou as coisas e fez um bom jogo defensivo. Ofensivamente, nem tanto. Nota: 6,5


Allan - Não foi tão participativo na fase ofensiva quanto em outros jogos. Apenas um chute de fora e nada mais. As tentativas de passes não fluíam tanto. Defensivamente, alguns problemas pelo meio. Nota: 6,0


Jorginho - Bem na fase de posse de bola, distribuindo bem o jogo na troca de passes, e também fez um bom jogo na fase defensiva, roubando bolas e especialmente interceptando-as. Nota: 6,5


Hamsik - Trabalhava bem com Jorginho, procurando sempre as oportunidades, que paravam nos defensores rivais. Fez um primeiro tempo bom, mas um segundo em que pouco participou do jogo. Uma atuação na média, mas se espera mais do capitão. Nota: 6,0


Insigne - Fez uma boa partida dentro das condições. O problema é que o individualismo as vezes lhe mata. Será que parecia mesmo uma boa opção tentar encobrir o gigante Handanovic? Será que ele poderia tentar mais vezes os passes? Isso caiu a sua qualidade na partida. Nota: 6,0


Mertens - Perdido na marcação interista, não conseguia flutuar com tanta facilidade entre os defensores adversários. Teve alguns lances fora da área, mas foi muito pouco pra ele, que dialogou também em poucas oportunidades com os demais membros da fase ofensiva. Nota: 5,5


Callejón - Muito abaixo da média. Até deu uma boa ajuda na marcação pela direita, mas nas suas funções ofensivas não serviu para concluir, tendo problemas com impedimentos, posicionamento e principalmente, com a bola. Nota: 5,0


Zielinski - Entrou de forma razoável. Fez pouco de diferente em relação a Hamsik, embora tentasse ser mais individualista. Se esperava uma incisividade no jogo maior. Nota: 6,0


Milik - Entrou pra concluir as ações. Mas nesse retorno, até aqui nos minutos em campo, parece ter tido talvez um ou outro problema de posicionamento. Embora dessa vez o Napoli não tenha criado pra ele. Seria o caso de ter mais minutos. Nota: 6,0


Rog - Entrou por pouco tempo. Teve a vontade de sempre, mas pouco pra agir. Nota: 6,0


Sarri - A equipe não jogou de todo mal. Conseguiu neutralizar um adversário ofensivamente difícil. Bola na trave de Skriniar a parte, a Inter pouco criou. Mas ofensivamente, pecou muito. O fato de só ter criado em poucos chutes de fora na segunda etapa seria um motivo até pro próprio treinador repensar a abordagem de partidas como essa. Porque a Inter não foi pra se defender só nesse domingo, e tirando o Derby com o Milan, se manteve na defesa em boa parte dos clássicos. Em um jogo mais físico, as alterações, especialmente as entradas de Zielinski e Milik, não podiam demorar tanto como demoraram, e isso influi na análise. Nota: 5,5


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

Insigne foi só um dos atacantes que tiveram problemas em Milão