O Napoli ainda vai nos matar do coração

San Paolo lotado, era a melhor chance possível para colocar as coisas no lugar que já não vem acontecendo desde o começo de março, oficialmente desde aquele gol de Under que empatou o jogo pra Roma na nossa casa e iniciou a virada rival naquele clássico. 


Quando a bola rolou, havia a dificuldade de sempre de se jogar contra o Chievo. O time deles dentro do gol como nunca. Incrivelmente não poderíamos nem dizer que é uma dificuldade de se jogar contra times com três zagueiros, porque o time de Rolando Maran estava com uma linha de quatro defensiva.


É difícil furar a defesa deles em jogos assim. Por isso, o gol perdido por Callejón em cruzamento da esquerda se torna cada vez mais inexplicável de se ter perdido. O Chievo praticamente não ameaçava, era jogo de um time só. O roteiro era apenas do ataque tentando criar, e tudo batendo na parede da defesa gialloblù.


O Napoli até criava, mas era pouco em relação ao que o time poderia fazer. Havia uma certa dificuldade no último passe, e especialmente no posicionamento ofensivo. Isso quando as chances não paravam em Sorrentino, que rotineiramente faz boas partidas quando pega alguém da metade de cima da tabela.


Tudo estava difícil para o nosso lado, até que Mertens sofreu um pênalti no início da segunda etapa. Seria a hora do alívio? Pra premiar a partida horrível do belga, ele bateu mal e Sorrentino defendeu. Logo o goleiro adversário ainda faria duas defesas difíceis.


E em um contra-ataque, com Giaccherini recuperando erro de passe de Koulibaly, ele passou para Stepinski marcar. Era quase um filme dos piores pesadelos contra o Chievo. Não marca no ataque, e toma na defesa. Lembrava muito a derrota para o mesmo visitante no San Paolo da temporada 2014-15, com pênalti perdido de Higuaín e gol de Maxi López para os adversários.


Permitam me fazer uma saga pessoal após o gol do Chievo: Eu estava louco da vida pelo tanto de gols que o time perdia. O San Paolo também, alguns se dispersaram nas críticas a De Laurentiis, e outros até vaiaram alguns jogadores em razão da má atuação. 


Fui tomar um ar, voltei a tempo, meio desencanado com o jogo, e já planejaria começar a escrever com críticas ao time. Enquanto Sorrentino continuava seu show na cabeçada de Tonelli, já estávamos com raiva da desistência do time de uma parte da temporada, e que justamente agora iriam desistir de tudo.


Mas aos poucos o Napoli provava que quem pensava que o time iria desistir, estava enganado. Teve a chance quando Insigne tocou pra Milik livre, mas como foi rotina no jogo todo, Tomovic cortou. Mas ninguém cortaria quando Insigne lançou Milik, que finalmente marcou seu gol após outro retorno aos gramados.


De repente, um jogo morto passou a ter vida. Um jogo em que não estávamos nem aí, assim como o time, já xingando tudo e todos, de repente estávamos pedindo pênalti em um toque claro no braço dentro da área. Pouco depois, veríamos que ele não faria falta alguma.


O destino fez com que o escanteio sobrasse pra Diawara. Ele podia cortar pra dentro, enfeitar. Mas ele resolveu chutar de chapa. A bola deu um efeito bonito, Sorrentino se esticou todo e a bola entrou. Se existe torcedor do Napoli que não comemorou igual louco esse gol, eu desconfio que seja alguém morto por dentro.  


Mas o fato da bola ter entrado no final pode ter servido pro psicológico do time, e tudo mais, mas não pode servir de máscara para os erros dos últimos jogos, que voltaram a se repetir. Há tempos o Napoli segue a jogar mal, e não vai ser sempre que tiraremos gols na reta final da partida. 


Desde o início de março, jogamos com dificuldade. E não é uma questão de cansaço físico, mas principalmente de questão mental. Por muitas vezes, ainda dentro desse próprio jogo, parece que o time tem duas caras. Parece que o Napoli as vezes desiste da partida e de uma hora pra outra volta pra ela como se nada tivesse acontecido.


O Napoli tem que dançar conforme a música e corrigir seus erros. Corrigir o cansaço físico e mental, que parece ter aumentado nos últimos jogos. E principalmente, deve ter os minutos finais desse jogo com o Chievo em mente para tudo, essencialmente para o lado mental, que agora vê que não existe nada perdido, e que tudo pode acontecer no futebol.


Por fim, o Napoli deve corrigir seu lado mental e físico para que seus torcedores se poupem fisicamente. Partidas assim, que vão da derrota a vitória, do 0 a 1 ao 2 a 1 nos acréscimos, da partida horrível ao êxtase do gol de Milik, o gol nos acréscimos de Diawara, a ida do inferno no jogo ao céu do final dele com a vitória, ainda vão nos matar do coração. 



Reina - Por muito tempo não trabalhou no jogo. O único chute que teve, foi o do gol, que foi indefensável. No mais, ele e a defesa do Napoli tinham de pensar como conseguiram levar um gol do Chievo. Nota: 6,0


Hysaj - Boa partida defensivamente, com poucos perigos pelo seu lado. Na fase de apoio, participou pouco do jogo. Em resumo, uma partida de boa aplicação tática. Nota: 6,0


Tonelli - Uma cochilada enorme no lance do gol adversário, lento na marcação. Teve a chance de corrigir em uma bela cabeçada, mas Sorrentino e a trave lhe impediram de salvar o erro. Nota: 5,5


Koulibaly - Trabalhou pouco no jogo, mas não pode trabalhar com um combo de erros tão grande como foi o do lance do gol do Chievo, impreciso no passe e mais impreciso ainda na marcação. Nota: 5,0


Mário Rui - Foi meio mole na marcação no lance do gol do Chievo. Ofensivamente, até ajudou, mas seus cruzamentos de nada serviram, já que sem tanta qualidade. Nota: 5,5


Allan - Alguns problemas de posicionamento na troca de passes e outros problemas justamente na marcação, onde é o seu ponto mais forte, dificultaram o seu jogo. Nota: 5,5


Diawara - Uma partida com boa distribuição de jogo, dando velocidade aos passes. Alguns problemas na marcação. Uma partida básica, normal, até que um certo chute aos 47 do segundo tempo mudou a sua e a nossa vida. Nota: 6,5


Hamsik - Embora não aparecesse tanto em termos de finalizações, sempre procurou jogo, com boa movimentação e troca de passes. Tanto que foi até surpreendente sua saída repentina. Nota: 6,0


Insigne - Meio perdido no jogo em alguns momentos. Tem tido seus problemas nos chutes a gol, não sei se por pontaria, capricho ou sei lá o que. Estava até merecendo ser vaiado pela atuação. Até que ele tira um passe do nada e serve o gol de empate de Milik. Ele é capaz disso. Nota: 6,0


Mertens - De todas as partidas suas com a camisa do Napoli, essa é candidatíssima a ser a pior de todas. E não só pelo pênalti perdido. A movimentação foi fraca, perdia todas as bolas possíveis e estava sempre mal posicionado. Nota: 4,5


Callejón - Perdeu um gol que não se pode perder na primeira etapa. Depois, a medida em que o Napoli acionava cada vez menos o lado direito, desapareceu mais do jogo. Nota: 5,5


Milik - De novo sua entrada deu mais alma, luta e técnica a equipe, como já vem sendo rotina. Sempre bem posicionado, foi por conta disso que ele fez o nosso gol de empate. E ainda escorou a bola no lance do gol de Diawara. A virada é muito dele. Nota: 7,0


Zielinski - Nos momentos difíceis, tentou chutes de longa distância e uma boa troca de passes. Foi um pouco mais discreto, mas já melhor em relação a última partida. Nota: 6,0


Rog - Entrou pra fechar mais a defesa, mas acabou com quase nem um minuto em campo. Ganha a média do time. Nota: 6,0


Sarri - Outra vez a equipe não jogou bem. A abordagem não era tão má em relação ao que tínhamos, mas a medida que a equipe entrou em campo, se tornou mais inexplicável a presença de Mertens entre os titulares e Milik entre os reservas. Aos poucos, com Milik em campo, e as substituições sendo feitas, embora a princípio todas as três, até mesmo a de Rog, pareçam uma grande loucura, o time foi melhorando. Jogamos mal, mas vencemos. Isso deve servir pra trabalhar o lado mental da equipe. O lado físico e técnico precisa urgentemente melhorar. Mas ganhar assim sempre dá a oportunidade de arrumar a casa em paz. Nota: 6,0


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

Diawara quer ouvir a festa dos napolitanos pela virada