O déjà vu napolitano diante do Milan

Déjà vu é um galicismo que descreve a reação psicológica da transmissão de ideias de que já se esteve naquele lugar antes, já se viu aquelas pessoas, ou outro elemento externo. O termo é uma expressão da língua francesa que significa, "Eu ja vi”.


Sensação vista com a maioria dos lances do Napoli diante do Milan. Por vários momentos as coisas pareciam iguais ao último jogo em San Siro, no empate diante da Inter. Embora tenha começado diferente. Não por mérito do Napoli, mas por demérito próprio e mérito rossonero.


O Milan ameaçava especialmente nos chutes de longa distância, que faziam Reina trabalhar bem. O Napoli? Bem, ele estava perdido, de novo. Embora Insigne era o único lúcido do ataque, que fazia muitas jogadas que pareciam perdidas, parecerem que dariam em alguma coisa.


Como o toque de calcanhar que deixou Mertens na cara de Donnarumma. Mas o belga chutou pra boa defesa do goleiro. Como em outro chutes de fora da área que passou perto. Embora, pra variar, o Napoli tocasse a bola na frente da área sem lucidez nenhuma. As atuações, especialmente de Hamsik e Mertens ajudavam a crer que estávamos abaixo da média. 


E no segundo tempo as coisas continuaram do mesmo nível. Tudo parecia igual a outros jogos. O time parecia morto mentalmente. Parecia um dèjà vu de tudo o que havia acontecido com o Napoli desde aquele jogo com a Roma. Time jogando mal, tudo dando errado.


O Milan até arriscou algumas vezes ao gol de Reina, mas sem sustos. Embora o Napoli tivesse melhorado com a entrada dos poloneses, não era nada de mais em relação a outros jogos, e ao necessário pra se ganhar o jogo. Mas um dèjà vù terrível aconteceu de novo.


Por mais mal que o Napoli esteja jogando, que as partidas tenham virado quase que notas de destaques negativos, como praticamente virou este blog, em todas uma grande coincidência: tirando a partida com a Roma, em todas o Napoli teve a bola do jogo pra matar.


Foi assim com a Inter, com Insigne. Não matou. Mesmo depois do gol de Albiol, a teve com o Genoa, com Mertens, não matou. A teve com Milik de bicicleta contra o Sassuolo. Não matou. Na última rodada teve a chance com Diawara nos acréscimos. Dessa vez, matou.


E outra vez a bola chegou nos pés de alguém capacitado pra marcar. Um belo cruzamento pra Milik, que ajeitou direitinho, bateu bem, tudo pra matar. Seria um gol quase certo. Entraria com boa parte dos goleiros do mundo. O problema é que do outro lado estava alguém que não a permitiria entrar.


Donnarumma, em seu 100º jogo pelo rival, fez uma das defesas mais bonitas dos últimos tempos. É bem verdade que a sua envergadura, a sua impulsão e o seu corpanzil de 1,96m, lhe ajudaram no lance, o que talvez com um goleiro menor não fosse o caso. Mas foi uma defesa histórica.


Por fim, o empate, que assim como com a Inter, há tempos seria um motivo pra se exaltar pela dificuldade histórica de jogar na casa rival, virou uma razão pra se chorar. Por muitas vezes se cogitou que o Napoli fosse condenado a perder por conta da adversária principal de sempre, que nunca perde pontos. 


Mas o problema não é nada que aconteça em outros locais. Não é aquela velha de sempre (por mais que eles não percam jogo nenhum). Somos nós mesmos. Há tempos o Napoli não consegue ganhar sem fazer esforço com adversários menores. Não está mais conseguindo se impor diante deles. Nos clássicos, pior ainda. 


Nessa altura do campeonato, é inútil saber se a razão do cansaço é física ou mental. Está na hora de cortar o mal pela raiz. Já passou da hora de voltar ao Napoli vencedor, ao Napoli que sabemos que está presente em algum lugar (talvez tenham tido seus talentos roubados pelos Monstars do futebol, vai saber...), que sabe jogar futebol. É hora de voltar a fazer as pazes com a bola. E sem mais déjà vu. 



Reina - No encontro com seu futuro clube, foi seguro tanto nos chutes de longa distância, nos quais fez grandes defesas, quanto até mesmo nas saídas de bola. Talvez se não fosse por ele, o Napoli poderia sair atrás no primeiro tempo. Nota: 6,5


Maggio - Outra vez chamado por necessidade, outra vez uma grande partida. Não participou tanto do apoio, mas defensivamente foi bem seguro contra adversários difíceis como Calhanoglu e Bonaventura. Nota: 6,0


Albiol - Foi bem no jogo pelo alto e na saída de bola, escapando de diversas situações complicadas. Errou pouco, e acabou sendo um dos melhores da equipe no jogo. Nota: 6,5


Koulibaly - No que dependia do corpo, ele se saia bem, especialmente nas lutas com Kessié e os demais atacantes. Com a bola foi meio irregular em alguns momentos. Em outros, foi bem. Nota: 6,0


Hysaj - Teve alguns momentos de complicação contra um adversário difícil como Suso, até fazendo mais faltas que o comum. Mas por muitas vezes fazia o espanhol levar as jogadas pro seu pé ruim, e o neutralizou. Nota: 6,0


Allan - Parece ter caído de produção nos últimos jogos, chegando em um momento em que por várias vezes ele rouba a bola do adversário e a entrega logo em seguida. A movimentação também sumiu do jogo do brasileiro. Nota: 5,5


Jorginho - Teve boa precisão na troca de passes, sem grandes erros. Embora também não tenha feito tantas verticalizações, e poucos passes em longa distância, uma partida dentro da média, mas mais discreta. Nota: 6,0


Hamsik - No primeiro tempo alternava entre alguns momentos de boa movimentação, e outros de que simplesmente não tocava nem mesmo a bola direito. Faltou ser mais incisivo para ter um jogo melhor. Nota: 5,5


Insigne - Tentava criar jogadas a sua maneira. Na base da troca de passes, foi criando suas chances. Também teve as suas em bons chutes de fora da área, com uma atuação no todo, acima da média. Nota: 6,5


Mertens - Vive o seu pior momento com a camisa do Napoli. Nem em outras ocasiões sumiu tanto quanto nesse ano de 2018 a partir de fevereiro. E não há outra palavra que não seja sumir para essa situação, sempre perdido entre os zagueiros adversários, sem confiança e perdido com a bola nos pés. Nota: 4,5


Callejón - Teve até uma boa movimentação, criando espaços em alguns momentos. Mas por algumas vezes parecia não acreditar nas jogadas, não chegando nas bolas, o que fazia a movimentação ser inútil. Com a bola, foi quase nulo. Nota: 5,0


Milik - Outra vez a sua entrada incendiou a equipe, e chamou de volta pro jogo. Com boa movimentação, criou boas jogadas, e teve boas finalizações. Deu azar em chutar pra defesa histórica de Donnarumma. Nota: 6,5


Zielinski - Criou jogadas, teve boa movimentação, e deu um bom impacto a um meio-campo que parecia perdido, entrando na partida com boa personalidade para o momento. Nota: 6,0 


Rog - Nos poucos minutos que entrou, não chegou a fazer uma grande diferença. Curiosamente, desde 18 de novembro, contra o mesmo Milan, até este 16 de abril, no segundo turno, só atingiu mais de 90 minutos em campo nesse domingo. Pouco a afirmar. Nota: 6,0


Sarri - A escolha pelos titulares não tem mais surtido tanto efeito. Não se sabe se é uma questão de confiança ou o quê. O fato é que alguns jogadores já não tem rendido tanto como antes. Parece uma questão de cansaço físico. Mas também é uma questão, principalmente de cansaço mental. As substituições poderiam ser feitas até mesmo no intervalo em relação ao que a equipe (não) vinha jogando. É claro que alguns dirão que a equipe não tem banco, mas como contestar a afirmação quando alguns reservas tem entrado melhor que os titulares? Como contestar quando alguns como Rog entre um turno e outro só tem pouco mais que 90 minutos de jogo? Nota: 5,5


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

O olhar de Milik e a sensação de "déjà vu" napolitana