A vitória do Napoli foi obra de quem não desistiu

Chegou em um momento em que a vitória diante da Udinese era quase uma obrigação. Não apenas pra trazer a paz de volta ao ambiente do Napoli, em meio aos maus resultados, um time que não vence fora de casa há meses, e que parece não saber mais vencer sem estar aos trancos e barrancos.


Era a possibilidade de vencer e até mesmo convencer. O Napoli começou bem no jogo, com criação, boas jogadas, especialmente acionando as jogadas pelas pontas. Foi uma tendência durante os 15 primeiros minutos de jogo. Criou boas oportunidades, chutes de fora e de dentro da área que por vezes pararam em Bizzarri.


Mas, aos poucos, uma realidade foi se mostrando: Hamsik é o termômetro do Napoli. Para o bem e para o mal. E de fato era mesmo. O capitão estava mal, entregando vários passes, e sem a intensidade necessária para o jogo. A sua má atuação por vezes acaba contagiando a equipe ao jogar abaixo da média. As vezes ele e quase todos do time pareciam até desistir do jogo. Jogar como se tivesse tudo perdido em campo.


E a Udinese era o oposto. Por pior que esteja a situação do time, até então com nove derrotas seguidas e de uma posição em que parecia não brigar por nada, a correr riscos (embora mais remotos) de rebaixamento, o time bianconero ameaçava. Tinha a intensidade que o Napoli parecia não ter. Fazia Reina trabalhar. E saía na frente com uma bola que ninguém se deu o trabalho de cortar, e Jankto fez, aproveitando o blackout coletivo.


Aí se coletivamente a coisa não funcionava, era partir pras jogadas individuais. Embora as tabelas entre os poloneses funcionassem, eram as jogadas de Insigne quem mais criavam perigo. Nada mais justo que ele, o último a marcar em um primeiro tempo com a camisa do Napoli, diante da Roma, desbloqueasse isso e empatasse um jogo com um belo giro em cima da defesa.


Por muito tempo, parecia um time morto em campo. Como se achasse que ganharia a qualquer momento, mesmo parecendo moribundos. Apesar do empate, era essa a tendência no segundo tempo. A Udinese avançando, e por vezes o Napoli se retraindo. Em uma dessas, em bola mal rebatida pela defesa, tudo virou um cruzamento pela lateral pra ninguém cortar, e Ingelsson fazer o da virada.


Outra vez parecia que o Napoli tinha desistido do jogo tecnicamente. Precisou Sarri mexer no time taticamente, tirar Hamsik e colocar Mertens, pras coisas mudarem. Embora as coisas não mudaram com bola rolando. Tiveram que mudar pelo alto. Em mais um escanteio, outra vez foi lá Albiol subir sozinho pra nos salvar.


Os cruzamentos eram uma constante. Embora a entrada de Mertens e o 4-2-3-1 de Sarri dessem mais movimentação, era na base dos cruzamentos as melhores chances. Ainda assim, a virada saiu em um chute cruzado do então sumido Callejón, que o goleiro rebateu, e lá estava Milik pra empurrar com competência.


Ali aos poucos a Udinese sucumbiria. Sarri voltou ao 4-3-3, o que até diminuiu um pouco o volume de ataques que o Napoli criava naquele momento. Mas outra vez, na base da bola aérea, em outro escanteio, Tonelli subiu sozinho entre os zagueiros pra marcar o gol que acabou matando o jogo.


Se para quem questionava a qualidade do elenco, é importantíssimo levar em conta que nos jogos deste mês de abril, menos da metade dos poucos gols marcados pelo Napoli, foram marcados pelos "titularíssimos", apenas 2 de 6, com os de Insigne e Albiol marcados nesta quarta-feira.


Foi acima de tudo a vitória de quem seguiu o conselho de sempre da torcida: "você não deve desistir". Se por vezes os titulares parecem não seguir a essa ideia, os reservas nos últimos jogos tem feito diferente. Foi assim na vitória diante do Chievo. Foi assim na vitória desta quarta-feira diante da Udinese.


A marca da vitória de quem não desistiu. Uma marca da temporada. Como lembrado pela Opta, até o momento o Napoli virou nove partidas em que esteve atrás no marcador em algum momento até aqui, incluindo a desta quarta-feira. Foram 28 pontos conquistados nessas condições. 


É claro que também o San Paolo foi parte importante nessa vitória, apoiando o tempo todo, com os novos e velhos hits da arquibancada napolitana. Mas a torcida deu uma tônica importante a equipe, sempre lembrando o verso da música mais cantada por esses dias: "você não deve desistir".


Essa partida deve ser vista como reflexão. Primeiro, a reflexão sobre o papel dos reservas na equipe, que foi tardio, mas deu tempo para acabar servindo para alguns jogos. Por fim, a equipe tem que usar esse e outros jogos como exemplo de luta. Exemplo do que fazer. De não desistir dos jogos. De não desistir nunca. Hoje, amanhã e sempre. O apoio pra isso sempre tem, e sempre terá.


Reina - Sem maiores culpas nos dois gols. Teve boas defesas na primeira etapa e boas saídas de gol durante a partida, mas nada de extraordinário durante o jogo. Nota: 6,0


Hysaj - Falhou na marcação de Jankto no primeiro gol, embora por vezes tenha tido até mais de um adversário por ali. No mais, se acertou defensivamente. Na fase ofensiva, não fez um grande trabalho, mas não comprometeu. Nota: 6,0 


Albiol - Foi meio mal tanto na linha de impedimento quanto ao deixar a bola passar no lance do primeiro gol da Udinese. A partir daí, melhorou seu jogo defensivamente. Ofensivamente, esteve presente pra empatar o jogo de cabeça. Isso basta. Nota: 6,5


Tonelli - Uma boa partida do italiano, embora tenha participado do blackout coletivo nos gols da Udinese. Ao longo da partida, teve boas recuperações de bola, e foi ao ataque para fazer o quarto gol de cabeça. Nota: 7,0


Mário Rui - Teve boa participação no apoio ao ataque pelo seu lado, e na saída de bola. Na marcação, altos e baixos, como o primeiro gol da Udinese ter saído pelo seu lado. Nota: 6,0


Zielinski - Uma partida de boa movimentação, tabelas o tempo inteiro com Milik, mostrando um bom entrosamento, e servindo a Insigne o gol de empate na primeira etapa. Com a entrada de Mertens, assumiu uma função mais marcadora que a de antes, que já era marcadora. Nota: 7,0


Diawara - A troca de passes e os passes em profundidade não são tão rápidos e precisos como os de Jorginho, mas são eficientes. E a eficiência foi parte do seu jogo, seja nos passes, na saída de bola, ou na marcação. Nota: 6,0


Hamsik - Nos primeiros minutos foi bem, com um chute de fora da área. Depois, sumiu do jogo. Uma partida irregular atacando, e irregular também defendendo, como no lance do segundo gol visitante. Vem deixando muito a desejar. Nota: 5,0


Insigne - Outra partida de boa movimentação, de boas tentativas, que dessa vez deram certo, com o belo gol após o giro em cima da defesa no primeiro tempo, curiosamente sendo ele o último a marcar. Nota: 7,0


Milik - Ele pede passagem. Grande partida, com boas trocas de passes, movimentação, e com mais conclusões. Não apenas pelo gol importante marcado na segunda etapa, mas pela continuidade e boas chances. Nota: 7,5


Callejón - Alguns momentos em que pareceu perdido no jogo, outros nem tanto. A partir do momento em que Zielinski passou a acioná-lo mais, apareceu mais no jogo. Em uma dessas, criou a jogada do terceiro gol. Nota: 6,5


Mertens - Entrou dando uma movimentação maior a equipe. Em termos de criação de chances, foi um pouco abaixo do que o normal. Nota: 6,0


Allan - Entrou em campo já com a vantagem conquistada no marcador, mas mesmo assim, não deixou de correr, e de dar intensidade na marcação pela equipe. Nota: 6,0 


Rog - Entrou nos minutos finais para ajudar a segurar a vitória com boa intensidade no pouco tempo em que jogou. Nota: 6,0


Sarri - A abordagem para a partida acabou sendo melhor que a esperada. O time jogou bem, até nos momentos de preguiça houveram jogadores que se sobressaíram com o esquema. Quando as coisas não davam certo, foi rápido demais para mudar a tática, embora não a tenhamos testado em momentos de vantagem no marcador, uma vez que assim que o Napoli foi a frente no marcador, logo a tática normal do 4-3-3 voltou. Coincidicionadas a isso, as substituições foram bem feitas. Nota: 6,5


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

Milik, um dos que não desistiram contra a Udinese, foi premiado