O Napoli trouxe uma vitória inesquecível para casa

Um clássico entre Juventus e Napoli nunca é um jogo comum. Pelas condições do pré-jogo, já não seria de qualquer jeito. E as coisas ficaram ainda maiores por algumas coisas: seria a primeira vez em muitos anos que a torcida do Napoli poderia assistir ao jogo no Stadium sem ter de se infiltrar entre os juventinos.


E no pré-jogo, se destacou a festa da torcida napolitana no embarque do time para Turim. Ali o time ganhou força e motivação. Ambos repetiram as táticas do primeiro turno, a diferença era que a Juve foi com Howedes em vez de Lichtsteiner, embora tenha tido que usá-lo com 10 minutos, após a lesão de Chiellini.


Em campo o Napoli precisava corresponder ao apoio da véspera. Já se via logo de cara um time que não desistia de nenhuma bola. Que já se impunha frente a uma poderosa adversária. Que foi cedo ao ataque, criou em cobrança de falta de Mário Rui. Criou por outras vezes nos primeiros 15 minutos, mas sem perigo.


Por minutos, o Napoli colocou a Juve contra a parede. Mas nós, a Itália inteira, a Europa inteira, e todo mundo sabemos: se não fizer, se não for letal contra eles, eles são letais contra você. E em menos de um minuto, duas chances perigosas, uma na falta do sempre perigoso Pjanic, que por sorte, foi na trave. E outra de um voleio de Higuaín que passou perto.


Depois disso, por mais que em algumas arrancadas Douglas Costa e Dybala ameaçassem, quem realmente mandava no jogo era o Napoli. Com chances de Hamsik, "chutamento" de Mário Rui, e até do sumido Mertens, passamos a criar mais em um certo período, mas a partir daí, os dois se calaram.


A Juve nem chegava a rondar tanto a área do Napoli. Talvez esperando a tática do primeiro turno, uma arrancada e a bola pra Higuaín, ou pra Mandzukic, que entraria depois no segundo tempo. O Napoli já chegava mais perto, embora mais em chutes de fora da área, ou nas inversões pra Callejón, que em uma das vezes, obrigou Buffon a fazer uma defesaça.


Buffon parecia estar em uma ótima noite, principalmente após o chutaço de fora da área de Zielinski, e a partir daí, já era hora de quase aceitar o 0 a 0. Quase, porque sabemos, principalmente nos últimos jogos, que um jogo do Napoli só acaba quando termina. E a máxima vale para a Juventus.


Logo, em um confronto direto assim se lembra do gol de Zaza em fevereiro de 2016, aos 43 do segundo tempo. Em uma bola perdida por Koulibaly, o italiano, hoje no Valencia, chutou pra marcar. Uma derrota dura para os napolitanos, com um gol que volta e meia é lembrado por juventinos até hoje.


Exatamente neste domingo, o futebol e o destino trataram de acertar as coisas com o senegalês. Um escanteio quase que de trivela de Callejón, e lá estava Koulibaly, subindo no terceiro andar. Uma bomba de cabeça. Buffon não pôde evitar. Ninguém poderia evitar esse gol.


Naquela altura, era difícil não imaginar uma vitória do Napoli, mas era preciso esperar o apito final. Faltavam só três minutos, mas durou uma eternidade, mesmo que não tenha acontecido nada. Estava por fim quebrado o tabu de só perder no Juventus Stadium, e da ausência de vitórias no clássico em Turim desde 2009. 


Para se ter uma noção do tamanho da vitória: pela primeira vez desde que foi inaugurado o Stadium, a Juventus saiu de lá sem chutar nenhuma vez sequer ao gol adversário. Contra um ataque tão poderoso como Dybala, Douglas Costa, Mandzukic e Higuaín, mais um meio incrível, isso só consagra a partida que fez a defesa do Napoli.


Outro fato é que essa foi a quinta derrota juventina no Stadium na Serie A. Antes disso, somente derrotas para Inter (2012-13), Sampdoria (2012-13), Udinese (2015-16) e Lazio (2017-18). 


Para não dizer que não há o que reclamar, há o fato do ataque não ter marcado por mais uma partida. Mertens, por sua vez, não marca gols desde fevereiro. A exceção da partida contra a Udinese, boa parte do ataque não vive grande momento. A prestação dos atacantes frente as redes adversárias precisa melhorar.


Mas mesmo assim, isso parece bobagem numa vitória como essas. Porque já dizia o poeta: clássico não se joga, clássico se ganha. O lema dito pelo Napoli era "grinta e cuore", que na tradução, significam "determinação e coração". É esse time que luta, que emociona, que todos queremos em todos os jogos.


É esse Napoli que faz uma cidade inteira festejar e receber o time no aeroporto de madrugada. É esse Napoli lutador que faz toda a sua torcida pelo mundo afora pular de alegria com o gol de Koulibaly e o clássico vencido. É o Napoli que emociona, é o Napoli que a gente ama.



Reina - Teve sorte na cobrança de falta de Pjanic. Algumas boas saídas, e no mais, fora o primeiro tempo, não teve grande trabalho, numa partida em que a rival não chutou nenhuma vez ao gol. Nota: 6,0


Hysaj - Uma grande partida de aplicação tática do albanês. Defensivamente impecável, sem conceder espaços no seu lado, em vista que Dybala sumiu do jogo. O bom posicionamento permitiu que fosse bem também contra Mandzukic. Não apoiou tanto quanto Mário Rui, mas foi bem. Nota: 7,0


Albiol - A partida poderia ser condicionada se daquela falta feita em Higuaín, saísse o gol de Pjanic. Com a bola batendo na trave, as coisas se encaminharam positivamente para o espanhol, que não cometeu erro nenhum na defesa, muito bem por cima e por baixo, embora não tenha trabalhado tanto na defesa. Nota: 7,0


Koulibaly - O principal herói da vitória no clássico. Foi perfeito no jogo aéreo de todas as formas. No ataque, fazendo o gol da vitória, e defensivamente cortando vários cruzamentos. Por baixo, também conseguiu neutralizar um adversário difícil como Higuaín. Nota: 8,0


Mário Rui - No primeiro tempo foi espetacular no apoio, sendo um dos melhores do Napoli. No segundo tempo, foi um pouco mais tímido nisso. Defensivamente, foi espetacular durante os 90 minutos. Nota: 7,0


Allan - Teve boa movimentação o tempo todo, seja apoiando ao ataque, ou até mesmo ajudando na marcação tanto pelo meio quanto pelo lado direito. Foi uma das marcas da pressão alta em cima da defesa juventina. Nota: 7,0


Jorginho - Sua calma foi uma marca da equipe. O jogador que mais tocou na bola por mais uma partida, com 113 passes. Destes, muitos foram na cara do gol, com boas inversões de jogo. Colaborou bem com a marcação, ajudando até em jogadas pela lateral. Nota: 7,0


Hamsik - Boa partida do capitão nas duas fases de jogo. Ajudou bem na defesa, e no ataque teve bons lances de movimentação e troca de passes, especialmente ajudando Jorginho, embora precise melhorar nas finalizações. Nota: 6,5


Insigne - Sempre procurando jogo o tempo todo. Criando oportunidades, especialmente em cruzamentos na área. Nas suas, pecou nas finalizações, que muitas vezes pararam em Buffon. Mas em uma delas saiu o escanteio do gol. Nota: 7,0 


Mertens - Outra atuação discreta. Esteve discreto contra três zagueiros diferentes, uma vez que um deles saiu com dez minutos. Só criou um chute de fora da área. Incorporou o centroavante até mesmo nesta seca malvada de gols. Nota: 5,5


Callejón - Uma partida de altos e baixos. Alternava momentos de boas finalizações, como a que fez Buffon trabalhar bem, com outros nem tão bons, de passes errados. Mas a partida ficará marcada mesmo pelo escanteio bem batido pra cabeçada de Koulibaly. Nota: 6,5


Milik - Foi um pouco mais discreto em relação aos últimos jogos, muito provavelmente por ter de sair da grande área, seu habitat natural, por mais vezes. Resultado: os chutes como o que mandou na arquibancada, foram tendência. No mais, partida na média. Nota: 6,0


Zielinski - Entrou com personalidade, arriscando mais chutes de fora da área, pressionando a Juve pelo meio, como o que fez Buffon trabalhar nos minutos finais, embora não tenha trabalhado tanto com passes em relação a Hamsik. Nota: 6,0


Rog - Entrou com disposição pros minutos finais, distribuindo carrinhos, e dividindo todas as bolas. Ofensivamente, trocou alguns bons passes. Nota: 6,0


Sarri - A tática da pressão alta em cima da defesa rival funcionou. Preferindo Hamsik e Mertens em relação aos poloneses, a tática se mostrou certeira em relação ao capitão eslovaco, que foi bem no jogo. Ao belga, nem tanto. O time foi bem a ponto de uma equipe tão forte como a adversária ter de tentar igualar as coisas no físico, mas perdendo mesmo assim. Substituições conservadoras como a opção pelo 4-3-3 quando muitos pediam até uma mudança tática antes da partida. E o conservadorismo deu resultado defensivamente, contra uma Juve que com todo o seu poderio, não nos ameaçou. No fim, a vitória conquistada. Nada mal para quem queria apenas se divertir... Nota: 7,5


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

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