O efeito dominó derrubou a peça napolitana

Efeito dominó. Inevitavelmente. tudo o que acontecesse em Florença poderia ser consequência do que aconteceria em Milão. Todos sabiam disso e tinham uma visão que essa era a oportunidade real das coisas mudarem, já que seria mais improvável depois disso.


Inevitavelmente, todos voltariam seus olhos pra Milão. Não ia adiantar de nada Sarri mandar cortar a televisão, porque todos os olhares estavam no que aconteceria por lá em San Siro. E logo começaria a reação em cadeia a partir desse jogo.


Em uma vitória normal da Juventus, já seria uma questão de pressão, em vista que curiosamente, desde que a virada do ano, somente em 4 de 15 vezes foi marcado que o Napoli jogasse antes da rival, e em uma no mesmo horário, como nos velhos tempos da Serie A até a década de 2000 (embora tenhamos uma rodada em que as circunstâncias fizeram com que a Juve jogasse depois).


Era natural que a Juve impusesse sua força, como já se colocou na frente com um belo chute de Douglas Costa. Aí começa a primeira polêmica, da expulsão justa de Vecino, que embora tenha tido uma controvérsia pelo protocolo do VAR, por mais que seja interpretativa, as pernas de Mandzukic mostram a gravidade.


Aí alguns lances de discussão de uma arbitragem desastrosa. Faltas sendo ignoradas, como uma de Alex Sandro sem bola em João Cancelo, outra de Barzagli em Icardi, essa punida com amarelo. No mais, um gol de Matuidi dois metros impedido inexplicavelmente validado pela arbitragem, que o VAR tratou de desvalidar.


E no segundo tempo, mesmo assim a Inter lutou num 10 contra 11. Conseguiu o empate, até que aconteceu o lance que ajudou a mudar a história da partida. Todos na figura de um só jogador, o bósnio Pjanic. Que já teve lances polêmicos, um cartão besta e uma rasteira perdoada por Orsato no primeiro tempo.


Na segunda etapa, quando a Inter havia empatado em 1 a 1, o bósnio atropelou o próprio Rafinha, se atirando com o antebraço no pescoço e o joelho na altura do peito do brasileiro, a menos de dois metros de Orsato, que em lance semelhante no Derby de Turim, expulsou Baselli, do Torino, por falta curiosamente feita em Pjanic. 


Por mais que a Inter tivesse feito o segundo gol e jogado com momentos de aplicação impressionante, no futebol atual defender em um 10 contra 11 parece mais difícil ainda pelo nível de intensidade. Em um 10 contra 10, as coisas obviamente se igualam. 


E isso influenciou no jogo, inevitavelmente, até nas decisões que seriam erradas de Spalletti, como a troca de Icardi por Santon, e que chamaram um time tão potente ofensivamente como a Juve pro seu campo. O resultado só poderia dar em virada bianconera nos minutos finais.


Feito isso, era inevitável que muita gente já perdesse o ânimo no próprio sábado. Aconteceu com muitos torcedores, e certamente teve efeito nos jogadores. Talvez em uma vitória que acontecesse mais cedo não teria um baque tão grande. E da maneira como foi em relação as controvérsias, desanimou mais.


Dita toda essa história, vamos ao jogo do domingo em Florença. Inevitavelmente seria um jogo dificílimo. Na era Sarri, o Napoli nunca ganhou diante da Fiorentina jogando no Artemio Franchi. E já tinha uma carga de pressão extra pra um jogo que seria difícil de qualquer jeito.


Era um jogo que tenderia ao equilíbrio, com a Fiorentina fazendo a mesma tática do jogo do turno em Nápoles. Mas inevitavelmente a situação acabou definindo tudo aos 7 minutos: Simeone ganha em velocidade, mas Koulibaly erra o bote e acerta o argentino.


Inicialmente, foi marcado o pênalti e o cartão amarelo ao senegalês. Mas depois, com a revisão do VAR, a falta foi fora da área e o cartão virou vermelho, ambas as marcações feitas corretamente. E aí vem uma questão: é melhor tomar 1 a 0 com 11 em campo ou não tomar gol com 10 em campo?


Aí entrou a mudança do técnico. Ela parecia dentro da lógica, tirar Jorginho e montar um 4-2-3-1, sem o 1 do atacante, e manter os atacantes. Por outro lado, ela deu meio-campo pra Fiorentina, que male male sofria perigo no campo de defesa, uma vez que o ataque, pra variar, não fazia nada. De tentar, só Allan e Insigne mereciam destaque.


O resultado é que se viu muitas vezes um time mais nervoso, e a única chance real foi num quase gol olímpico de Mário Rui. Mas as bobeadas defensivas já eram tão constantes, que em uma delas, numa jogada que era pra sair pela lateral, foi evitada a saída, e o balão acabou enganando toda a defesa, mas não Giovanni Simeone. E errar contra ele é terrível.


O Napoli até parecia que voltaria pro segundo tempo. Criou num bom voleio de Mertens. Mas só. Por várias vezes parecia perdido. Parecia que todos sentiam que tudo estava indo por água abaixo, era um time muito nervoso. E tudo ficou pior quando todos bobearam, mas Cholito não, e lá estava ele pra fazer o segundo.


Depois do segundo gol da Fiorentina, uma sensação de fim de feira tremenda. Alguns na arquibancada já começavam a criticar De Laurentiis. Outros a querer aplaudir o time. Enquanto haviam diversas reações, mas a sensação inevitável de que tudo está perdido. De que todas as peças do dominó já foram derrubadas.


Por fim, Gio Simeone acabou matando o jogo, fazendo o terceiro dele e da Viola em um momento em que ninguém estava mais prestando atenção no jogo, e por uma ironia do destino, mais uma vez a família Simeone acabou decidindo um campeonato na Itália. O pai com os de 2000 e 2002, e o filho agora em 2018. 


As palavras de Sarri sobre a partida tem suas razões. Perguntado sobre o jogo da véspera: "Hoje perdemos devido ao nosso pior desempenho da temporada, e é isso que tenho que falar. Caso contrário, se dirá que procuramos desculpas. Eu quero agradecer aos nossos torcedores, eles foram extraordinários, e para eles, pedimos desculpas".


Inevitavelmente pode se dizer que o jogo da véspera influenciou. Mas nada influencia como a nossa prestação dentro de campo. E nisso Sarri tem a maior razão, porque não há desculpas para uma atuação dessa forma, apenas lamentações (e trabalho pra corrigir nas próximas).


E quanto ao Napoli? O fato é que inevitavelmente este fim de semana acabou tendo um efeito dominó nas nossas pretensões. Mas não é tempo pra se lamentar. Não é tempo pra mais nada, a não ser tempo para se recuperar. Quando todas as peças do dominó são derrubadas em um efeito assim, é hora de levantá-las. E sempre há tempo. Sempre há saída. 



Reina - Se a derrota não foi maior, foi um pouco por sua conta, nas defesas importantes na primeira etapa. No primeiro e no terceiro gol, sem culpa. No segundo gol, agiu no susto e poderia fazer muito melhor. Nota: 5,5


Hysaj - Ofensivamente foi nulo, e defensivamente tomou um baile de Chiesa. Desatento o tempo todo, de um desvio seu, surgiu a liberdade pra Simeone marcar o segundo gol. Nota: 5,0


Albiol - Uma partida nervosa do espanhol. Ainda assim, apesar do nervosismo, não cometeu grandes erros nem nos lances de erros. Ganha nota um pouco maior que os outros, mas abaixo da média. Nota: 5,5


Koulibaly - Inevitavelmente a sua partida vai ficar marcada pela expulsão. Um bote errado em Simeone fora da área, e a expulsão que esfacelou a equipe tática e tecnicamente. E só. Nota: 4,5


Mário Rui - A tentativa de gol olímpico acabou sendo a melhor jogada de uma partida desastrosa do português. No mais, perdido em muitas ações defensivas, entre elas, o lance do terceiro gol que não deixou em impedimento Simeone. Nota: 5,0


Allan - Por muitas vezes a equipe com ele foi um exército de um homem só. Ficará marcada pra muita gente que lembrar desse jogo, com 2-0 contra e ele correndo atrás. Sua disposição na defesa e no ataque o fizeram ser o melhor azzurro em campo. Nota: 7,0


Jorginho - Nos poucos minutos iniciais, até participou de uma troca de passes, se mexia na marcação. Mas não passou disso, porque logo teve de ser substituído. Ganha a média comum das notas. Nota: 6,0


Hamsik - Talvez eu seja duro demais com ele, mas a maioria das jogadas que deram em coisas erradas, nasceram com ele. Vários cartões nasceram por erros de passe. Uma marcação fraca, uma troca de passes horrível. Se mantinham em campo por causa do poder de decisão, esse foi nulo. Nota: 4,0


Insigne - Até tentou, mas isolado, não conseguiu fazer muita coisa. A furada na frente do gol foi a síntese da sua partida. Valeu pelo empenho, mas foi muito pouco pra ele. Nota: 5,5


Mertens - Outra partida discreta. Decepcionou muito nesse ano, por conta da falta de movimentação, e pela facilidade com que fica entre os zagueiros perdendo bolas. Não foi diferente nesse domingo. Nota: 5,0


Callejón - Teve lá sua ajuda defensiva. Mas uma vez que participou mais do meio-campo, não teve sua melhor versão ofensivamente. Até teve espaço na segunda etapa, mas fez muito pouco. Nota: 5,0


Tonelli - Entrou mal no jogo. Um pouco perdido no lance do primeiro gol, atrasado em relação a Simeone. Deveria marcar Simeone no segundo, não conseguiu. Isso resume seu jogo. Nota: 4,5


Milik - Parecia que poderia mudar o jogo. Mas entrou nervoso demais, fora de posição, talvez pelas circunstâncias, e rendeu muito pouco. Abaixo da média. Nota: 5,5


Zielinski - Entrou em meio as coisas perdidas, melhorou um pouco a equipe, com mais incisividade, teve personalidade, ainda que não tivesse feito grande coisa, acabou se salvando. Nota: 6,0


Sarri - É muito complicado falar de abordagem errada uma vez que você perde seu principal defensor com menos de 10 minutos de jogo. Parecia a melhor decisão tirar Jorginho e voltar um 4-2-3-1, embora sem o 1, que o Napoli costuma jogar em momentos de dificuldade. Mas a sua decisão entregou o meio-campo para a Fiorentina. A partir daí, todo o resto foi consequência. Uma fase ofensiva que jogava mal, marcava dobrado e mal, e acabava espirrando tudo na defesa. Contra Chiesa e Simeone inspirados, era sentença de morte, que nem as entradas tardias dos poloneses mudaram em algo. Nota: 5,0


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

O momento que acabou definindo a partida em Florença