Do Napoli dentro de campo, nada a reclamar, já fora de campo...

Se a chance de título tinha ido pro vinagre, chegamos a um momento que o que vale é bater nós mesmos. Bater o próprio recorde de pontos, e chancelar nossa campanha, e até mesmo a da rival. Ganhar da Sampdoria era a chance de chegar a 88 pontos e bater a pontuação da temporada passada, de 86.


Com cinco minutos, após cobrança de escanteio, a bola sobrou para Mertens, e ele completou para o gol. Era um lance legal, que demorou mais de um minuto pra ter seu desfecho, com razão porque era um lance difícil. O belga estaria mesmo impedido, mas o jogador da Samp cabeceou pra trás, o que lhe habilitava.


Mas, inexplicavelmente, o gol foi anulado. Sabe-se lá o porquê, o árbitro achou que havia sido um toque de jogador do Napoli, talvez acostumado a jogar de azul. Ou deu qualquer outra coisa sem o menor motivo, um dos erros mais bizarros do campeonato (e ainda tem quem espalhe fake news dizendo que fomos beneficiados...).


Dali em diante, havia um certo nervosismo misturado com a dificuldade de se jogar pelo chão em um campo encharcado, e para piorar, jogava-se sempre pelo lado direito, o mais encharcado. A chance era nos chutes de longe, por onde Insigne e outros criaram, mas passaram perto na primeira etapa.


Na segunda etapa, o roteiro era semelhante, até mesmo nos chutes de longa distância. Era a hora de Sarri sacar as suas armas do banco, que muitos acham que deveriam começar como titulares. Como Hamsik, no seu jogo 500, para dar mais criação.


Como Milik, que pensava na Copa. E que logo no primeiro chute a gol ele mandaria um belo arremate encobrindo Belec, pra abrir o placar. E ali se via mais uma face da péssima arbitragem: o polonês tomou cartão amarelo por fazer uma comemoração com a mão no ouvido semelhante a que faz nos jogos no San Paolo.


Mas ainda haveria um motivo pra se elogiar a arbitragem: ela fez o que muitos árbitros e muita gente faz questão de ignorar. Parou uma partida pelos cânticos racistas nossos de cada dia nos estádios italianos. Poderíamos falar tanta coisa, mas já conhecemos a demagogia e já sabemos que não se fará absolutamente nada, como não se fez antes, uma vez que interessa ao poder que se continue assim, infelizmente.   


Qual a melhor resposta pra calar racistas? Exatamente, fazendo gol. E lá foi o Napoli fazê-lo, com um belo cruzamento na área em escanteio de Mário Rui para Albiol, de cabeça, fechando o placar, com poucas chances para o "goleiro de última hora" Belec. Nada como um gol pra calar a vergonha protagonizada fora de campo pelos rivais de cada jogo. Dali em diante, a torcida do segundo time de Gênova se calou, obviamente.  


Uma partida em que em termos de atuação, em termos do que o Napoli demonstrou dentro de campo, não havia nada a reclamar. Somente fora de campo, com as reclamações de sempre, ou então, dessa vez, algo que não deveria acontecer com o VAR, mas que é perdoado na Itália, que são os erros de arbitragem. Perdoados de maneira estranha na Itália (com VAR) e sem perdão na Europa (sem VAR).


Para se ter uma noção da campanha: o Napoli já garantiu a sexta melhor campanha da história da Serie A em pontos. A melhor campanha de uma equipe não-campeã. O problema é que a Juventus resolveu fazer a sua segunda melhor campanha da história, atrás do recorde europeu de 2013-14, na campanha de 102 pontos. Isso demonstra o quanto o sarrafo subiu nos últimos anos.


É uma campanha para fazer festa, em vista as limitações e os problemas. Pra ter esperanças no futuro, uma vez que estamos em um campeonato onde ser mais velho é o contrário da lógica, uma vez que pode te dar vantagem. É algo a se construir. Sem perder a paixão de cada partida, de cada vitória. Se há quem tire sarro de nossa festa após as vitórias, paciência. 


Se tem quem torça por sala de troféus em vez de um clube, e nem mesmo conseguem celebrá-lo quando ele vence, fazer o quê? Nós celebramos o nosso clube pela existência dele, e pelas vitórias dele. Celebramos tanto que tem quem lembre mais dos cânticos de apoio nossos do que dos deles (se é que existem). Sempre é bom dizer que não precisamos de taças ou de evocar tragédias para mostrar porque amamos nosso clube. E isso basta.


 


Reina - Algumas boas saídas de gol e uma boa defesa em um chute de Praet na primeira etapa. No mais, trabalhou pouco durante a partida fora da troca de passes na saída de bola. Nota: 6,0


Hysaj - Foi participativo, especialmente na saída de bola. Se preocupou também em defender, neutralizando as jogadas da Samp pelo seu lado. Teve alguns momentos de nervosismo, no mais, uma partida regular. Nota: 6,0


Albiol - Um bom trabalho defensivo, com bons cortes de cabeça e bons cortes por baixo. Ofensivamente, esteve lá pra cabecear e fazer o segundo gol napolitano na partida. Nota: 7,0


Koulibaly - Facilmente o melhor em campo, inspiradíssimo na defesa, com roubadas de bola e antecipações que pareciam fazer o trabalho defensivo ser uma coisa fácil. Nota: 7,5


Mário Rui - Pelo seu lado, a Samp pouco ou nada fez. Teve boas trocas de passes com Zielinski e Insigne, e bons cruzamentos com a bola rolando, embora não tenham dado em muita coisa. Com a bola parada, o escanteio do gol de Albiol. Nota: 6,0


Allan - Mais uma vez sua disposição em campo foi uma tendência, embora esteve um pouco mais lento em relação a equipe, o que dificultou um pouco sua partida na fase ofensiva, aparecendo menos no ataque. Nota: 6,0


Jorginho - O campo encharcado lhe dificultou um pouco na missão do jogo de troca de passes. Assim, a movimentação ficou um pouco comprometida. Sem acertar tantos passes e sem tanta movimentação, natural que jogasse mal. Nota: 5,5


Zielinski - Teve boa movimentação, com boa troca de passes, embora não fosse tão incisivo. Foi participativo, embora, às vezes pareça faltar um pouco mais de Hamsik, um quê de quem coloca tudo para decidir (como ele já mostrou neste campeonato). Nota: 6,0


Insigne - Deu azar de não ter feito gol, mais uma vez. Porque criou boas jogadas a todo momento, com boa movimentação, troca de passes e jogadas de qualidade. Teve boas chances para marcar que tiraram tinta da trave (todas elas). Nota: 6,5 


Mertens - Fez até o seu gol, pena que a arbitragem inexplicavelmente o anulou. Foi calado, mas um pouco menos, o que fez a sua partida estar na média, uma vez que tentou boas tabelas com Insigne. Foi melhor assistente que finalizador. Nota: 6,0


Callejón - Movimentação pífia, errando cruzamentos a noite inteira. Na frente do gol, tentou uma cobertura inexplicável contra Belec. Outro que foi abaixo da média. Nota: 5,5


Hamsik - No seu jogo 500 pelo Napoli, teve um chute de fora da área, momentos de nervosismo e boas participações na troca de passes e na ajuda na marcação pra garantir o resultado. Nota: 6,0 


Milik - Logo no primeiro chute, o gol que abriu o placar. Não tem como não avaliar a partir disso, e isso bastou muito, embora tenha feito pouco no jogo. O amarelo pela comemoração dado pelo árbitro a ele foi uma piada de mau gosto. Nota: 7,0


Rog - Entrou para ajudar a matar o jogo, e deu certo. Ajudou bem na marcação nos minutos finais. Nota: 6,0 


Sarri - A priori foi bem contestável a escalação inicial, em vista que era um jogo que não valia nada. Mesmo assim, a equipe jogou bem, talvez na melhor partida depois da vitória no clássico diante da Juve, sofrendo pouco. Poderia ter colocado mais cedo alguns jogadores, inclusive o curiosamente no banco Hamsik, e os que entraram no jogo, Milik e Rog. As substituições acabaram por mudar a partida. Nota: 6,0


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

Albiol e a comemoração do segundo gol napolitano