A saideira da temporada foi gostosa para o Napoli

Era um clima de saideira para várias coisas no domingo napolitano. Agradecimento de um San Paolo lotado, com mais de 50 mil pessoas, e despedidas de alguns jogadores. Coros de agradecimento pra Reina e Maggio, de saída, e pedidos insistentes pra permanência de Sarri. E agradecimento, claro, pela temporada.


No que tange ao futebol, era um jogo que valia pro adversário, em vista a luta inglória destes contra o rebaixamento, especialmente numa rodada em que todos os adversários pegavam descompromissados, e, ao Crotone, restou simplesmente o Napoli no San Paolo.


Os pitagóricos até chegaram ao ataque. Mas esbarravam em dia inspirado de Insigne do outro lado do campo. Nas jogadas individuais, e na criação delas. Esbarraram de vez, especialmente, após o giro e a virada do nada de Insigne, que achou Milik pra cabecear e abrir o placar. 


E, em outra jogada de Insigne, ele cruzou a bola quase dentro do gol para Callejón aparecer do nada e empurrar pras redes. Ali, era praticamente a definição de um nocaute para o Crotone, que parecia até um pouco mais morto em campo mentalmente depois disso. 


Após o segundo gol, a pontaria ficou um pouco descalibrada. Seja nos chutes de fora da área, seja nos chutes em cima de Cordaz, ou até em arremates na trave. Pecou um pouco nas finalizações, mas os 50 mil azzurri presentes no estádio não queriam cornetar e nem saber disso.


O San Paolo mesmo queria curtir o futebol napolitano. Vibrava a cada troca de passes. Puxava cânticos de apoio. Vibrava quando Milik estava na área. Vibrou e aplaudiu as entradas de Mertens e Hamsik, e vibrou nas jogadas de Insigne e até nas de Koulibaly, arrancando de qualquer parte do campo pro ataque.


Só ficou na bronca com Sarri e silenciou um pouco com a não-entrada de Maggio em campo. Justo ele, de mais de 10 anos de Napoli. Isso gerou um certo mal-estar no San Paolo, mas logo estavam aplaudindo as investidas de Koulibaly pela lateral. 


Nos minutos finais, o Crotone ainda fez o seu gol de honra em um belo chute de fora da área de Tumminiello, e se despediu da Serie A por ora. Nada que pudesse impedir a confirmação dos 91 pontos do Napoli, que acabou se tornando mesmo o melhor vice-campeão da história.


Não há nada o que reclamar do Napoli nessa temporada. Nem mesmo pensar que se acontece tal coisa o destino seria melhor. Sabemos realmente o porquê não tivemos melhor sorte. De toda forma, uma temporada inesquecível, que prova também que o sarrafo subiu.


Uma campanha de 91 pontos, que seria campeã da maior parte dos campeonatos, inclusive de cinco de sete títulos juventinos, mas acabou não sendo nessa temporada. Azar o nosso. Azar talvez do futebol de não ter o nosso título. Porque coisas boas duram pra sempre. E esse Napoli fez coisas boas e inesquecíveis durante a temporada 2017-18. E nunca nos esqueceremos (para o bem e para o mal).


Reina - Na sua despedida, não teve tantos trabalhos, sem defesas difíceis, não teve culpa no lance do gol de Tumminiello, que descontou para o adversário. Sai pela porta da frente. Nota: 6,0


Hysaj - Do seu lado, o Crotone pouco se criou por conta da boa partida do albanês. Muito bem na marcação, e bem também no apoio, com boas subidas ao ataque. Nota: 6,5


Albiol - Teve um ou outro problema com as jogadas aéreas, que costumam ser seu ponto forte, mas de resto, uma boa partida, segura, e bem na saída de bola. Nota: 6,5


Koulibaly - Provou porque é um dos melhores zagueiros do país em mais uma partida. Sempre bem na marcação, e melhor ainda na saída de bola, e na ligação pro ataque, até com arrancadas. A meu ver, o melhor jogador napolitano na temporada pela regularidade durante toda ela. Nota: 7,5


Mário Rui - Errou um pouco mais defensivamente nos primeiros minutos, mas se acertou ao longo da partida. Premiou a sua convocação para a Copa com uma boa apresentação, com boas triangulações pelo seu lado. Nota: 6,5


Allan - A mesma disposição de sempre, muito bem fisicamente, com boas arrancadas e trocas de passe, embora não tenha pisado tanto na área como em outras oportunidades. Nota: 6,5


Jorginho - Bem na marcação, bem na troca de passes, como sempre. Deu o incrível número de 164 passes, número que seria o maior da vida para muitos, mas é de um dia comum pra ele. Chegou bem ao ataque. Nota: 6,5


Zielinski - No seu aniversário, chegou perto do gol em algumas oportunidades, e teve boas chances, com uma partida de muita troca de passes. Jogou também pela ponta-esquerda, embora menos incisivo. Nota: 6,5


Insigne - Deu azar de não conseguir o gol nos seus chutes, mas, em compensação, acabou achando quase que de uma maneira mágica achar duas assistências, primeiro, colocando a bola na cabeça de Milik, e mais tarde, com o cruzamento quase dentro do gol pra Callejón. Um dos melhores da temporada junto com Koulibaly para mim. Nota: 7,0


Milik - Outra vez muito bem nas finalizações. Espetacular pelo alto, com a bela cabeçada que deu no gol. Muito bem carregando a bola e criando chances. Boa movimentação, vem bem para a Copa do Mundo. Nota: 7,0


Callejón - Com uma movimentação muito boa, através dela, fez o seu gol, e criou boas jogadas até carregando mais a bola, o que não costuma fazer normalmente. Nota: 7,0


Mertens - Entrou bem no jogo, boa movimentação, embora não incidiu tanto no jogo. Até colocou uma bola na trave, mas nada de mais além disso. Nota: 6,0


Hamsik - Tem melhorado o time quando entra na segunda etapa, criando, com vontade. Terminou um pouco melhor uma temporada fraca muito por conta disso. Nota: 6,0


Rog - Outro que entrou em campo com a disposição de sempre mesmo na última partida da temporada. Merece um bom destaque. Nota: 6,0 


Sarri - Poderia ter feito melhor com algumas homenagens, especialmente a Rafael e Maggio, de saída? Poderia. Mas a equipe jogou como sempre, com um bom futebol, eficientemente. E não tem mais o que dizer devido as circunstâncias. Agora o seu futuro é nublado. Não saberemos se depois disso vem o sol napolitano, o clima chuvoso inglês, o inverno russo ou até um local de veraneio depois disso tudo. Chegamos ao momento onde tudo pode acontecer, inclusive nada. Nota: 6,0 


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

O agradecimento dos jogadores a quem soube celebrar esse time e a uma temporada inesquecível, apesar da ausência do título