Napoli: o futuro a Deus pertence

Em vista a primeira parte da temporada antes da data FIFA, agora poderemos dizer que a temporada começa de verdade. Junto com o azar tradicional do Napoli em sorteios, virão os jogos e um calendário um tanto quanto pesado para a temporada.


Os primeiros jogos deram uma tônica de que o time precisa de mudanças técnicas, para que não ocorram novamente os sofrimentos nas vitórias nos clássicos contra Lazio e Milan e,principalmente, o horror da derrota contra a Sampdoria. 


Para isso, há um caminho, a meu ver: a mudança tática. É hora de Ancelotti pensar especialmente no que deu certo pra vencer o jogo contra o Milan e até pra diminuir os estragos na derrota contra a Samp. Mudar para o 4-4-2 e suas variações.


Infelizmente, parece ser hora de abandonar o tão amável 4-3-3, consagrado nos tempos de Sarri. Os atacantes já não rendem tanto assim, aos defensores o jogo alto de Sarri já não parece mais tão viável com Ancelotti, e o meio-campo sofre por algumas vezes. 


Penso de maneira semelhante a Frank Sidekick neste excelente texto feito ao Sempre!, um outro ótimo podcast sobre o Napoli, em língua inglesa, em um texto que vou reproduzir por aqui: 


A configuração do 4-4-1-1 que nos garantiu a vitória sobre o Milan proporcionou uma maneira simples e direta de criar movimentos de ataque que poderiam passar pelo meio-campo com tranquilidade, ou mesmo com jogadas sem passar por lá.


Pela ponta, temos uma abundância de talentos e Insigne e Callejón podem fazer essas jogadas muito bem. A segunda metade do jogo contra a Samp ilustrou isso com Ounas bem e Zielinski fazendo um sólido trabalho pela esquerda, onde já nos tempos de Sarri chegou a jogar. E ainda temos Verdi e Younes, este que ainda não jogou.


Mertens pode ter conseguido uma nova função nos jogos contra a Samp e o Milan, em vista que não jogou nas características ponta-esquerda ou como centroavante, mas como um ponta-de-lança, jogando atrás de Milik, e chegando bem na área pra finalizar. E não só o belga pode fazê-lo como Verdi, Hamsik e Zielinski. A ver as condições de Fabian Ruiz.


Para arrumar a defesa, por incrível que pareça, todas as vezes que Ancelotti mudou a configuração tática, o time não sofreu. É bem verdade que tomamos gol contra a Samp, mas aí foi pura obra de um golaço de Quagliarella. As jogadas defensivas saíam com mais confiança, a troca de passes era melhor. 


Talvez os papéis mais claros dentro do sistema permitissem isso? Os três meias no sistema anterior de Ancelotti tinham papéis trocados e fluidos, mas isso tem repetidamente levado os nossos meio-campistas a estarem fora de posição e sofrido muitos contra-ataques, não a toa quase todos os gols sofridos foram a partir disso.


No 4-4-1-1, por sua vez, é preciso ser muito mais disciplinado e vimos com as duplas Zielinski-Allan, Allan-Diawara e Allan-Rog como exemplos disso nos dois jogos mais recentes. Esta situação mais clara na frente da defesa parecia dar um pouco mais de confiança ao time napolitano.


A partir daí, é notável como Koulibaly não joga exposto, o que faz por diversas vezes, poder avançar mais ao ataque. Além das coberturas aos laterais, em vista que tanto Mário Rui, quanto até Hysaj, passaram a avançar mais com Ancelotti. E com uma defesa menos exposta, Albiol não sofrerá sozinho, e nem mesmo o goleiro da vez, seja Meret, Ospina ou até mesmo se Karnezis estiver lá, não sofreria tanto. 


Dito isto, o meio-campo ainda conseguiu ser criativo: um exemplo na partida contra o Milan, a maravilhosa assistência de Allan para Mertens, que já seria uma grande coisa vindo de um meiocampista, começou com um belo passe de Diawara.


A solução pode ser um sistema que possa fazer Hamsik e Diawara jogarem juntos de novo. Coloque Marek de volta ao que ele faz de melhor, que é marcar gols e chegando bem na área. Ancelotti poderia alternar entre ele e Mertens na função e rodar também Allan, Diawara, Fabian, Rog e Zielinski para os duas vagas de titular restantes no meio.


Há outras questões do futuro a se analisar. Principalmente a questão do estádio, que cada vez mais se arrasta, entre as palhaçadas de De Laurentiis chegando a falar até que pode jogar no San Nicola, a uma prefeitura que parece não querer se mover com relação ao San Paolo. Enquanto isso, a torcida protesta pelo alto valor dos ingressos (35 euros o mais barato). 


Como essa questão não vai se resolver nos próximos tempos, encerramos ela por aqui, a espera de promessas que sejam concretizadas, e que acima de tudo, se respeite a torcida do Napoli. Seja por parte de quem faz picuinhas, seja por parte da prefeitura, ou de quem comanda o clube. 


Dentro de campo, a questão dos próximos dias, meses e até da temporada é se Ancelotti vai mexer taticamente nesse time. É claro, não se muda tudo do dia pra noite, mas é de se imaginar que após alguns jogos de começo das competições, o sistema de jogo precisa de reparos. 


Acima de tudo, o Napoli não precisa necessariamente de uma revolução, como é pregado desde a chegada de Ancelotti, em relação aos métodos praticados por Sarri. Mas precisa claramente de uma evolução nos métodos de jogo e na maneira como a equipe joga coletivamente. 


E fora de campo, torno a repetir o que citei nos últimos textos. É hora de parar com as picuinhas e demais palhaçadas e sentar para conversar com a prefeitura de Nápoles sobre o San Paolo. E principalmente pensar na torcida, pensar em lotar o estádio para o resto da temporada. 


Talvez o pragmatismo nas decisões e dentro de campo possa colocar o Napoli nos trilhos e no caminho das vitórias. Mas isso só o futuro dirá se vai dar certo ou se vai dar errado, como muitas tentativas que não ousaram. Em vista que este clube, seja com Maradona, ou com vários outros casos que se fez o diferente, talvez seja hora de pensar fora da caixinha.


Talvez seja uma hora de tentar algo novo, com novas atitudes ou mesmo táticas inovadoras. Mas é algo a se rever com o tempo. Porque o Napoli precisa pensar acima de tudo no futuro, pra poder, enfim, cravar o seu nome na história novamente. Mas podemos pensar que o futuro a Deus pertence, em vista que este futuro parece um sol entre nuvens. 


Com esse tom futurista, e em meio a esse turbilhão de sensações, anuncio a minha saída do projeto ESPN FC. Agradeço a todos os envolvidos no projeto, especialmente a Fabio Chiorino, que me convidou para o projeto em 2015 para poder representar o Napoli em um espaço importante na internet brasileira. 


Agradeço aos grandes amigos que fiz com base neste espaço. E principalmente, agradeço a todos vocês, leitores, que leram, gostaram, ou até mesmo quem não gostou, mas que teve paciência com o que foi apresentado aqui desde o dia 13 de março de 2015, quando comecei tratando de uma vitória contra o Dínamo Moscou, pela Europa League. 


Para quem quiser mais contato com minhas loucuras travestidas de análise, estou presente no Twitter. O arquivo de postagens, também estará presente em breve na minha conta no Medium. 


Um grande abraço a todos, e Forza Napoli Sempre.


Reprodução: Getty Images
Reprodução: Getty Images

Não importa onde seja, no San Paolo, em São Paulo ou em qualquer outro canto, uma bandeira napolitano sempre tremulará no coração azul