Uma vitória para cessar por hoje a tempestade

Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

Finalmente Callejón desencantou... Será que ganha confiança e volta ao futebol que o consagrou?


Depois de uma longa e densa tempestade, parece que ao menos neste domingo o sol apareceu literalmente nos lados do San Paolo. O sol de Nápoles combinou com um grande futebol do Napoli, depois de apenas 1 vitória em 9 jogos desde março.


Pareceu rara, mas até aqui diria eu que foi a melhor das vitórias tecnicamente falando no ano de 2015. Trabzonspor à parte, contra nenhum time o Napoli não sofreu perigo defensivamente. Ofensivamente o mesmo ímpeto de quase sempre, mas desta vez o time embalou por ter conseguido criar cedo e a defesa esteve em dia seguro. Apenas na tragédia de Bilbao na UCL contra o Athletic marcamos o primeiro gol e sofremos a virada. E o fato de não sofrer gols não deixa o ataque desesperado para marcar.


Em relação ao jogo, primeiro há de se destacar que a defesa foi perfeita como só havia sido em um jogo da Serie A até aqui: na vitória no clássico contra a Roma no 1º turno. Andújar não sofreu com tanto perigo, Koulibaly e Albiol foram seguros, especialmente o espanhol, que no segundo tempo ainda não perdeu uma bola sequer para Mario Gomez, e Maggio também foi seguro na lateral. Um ponto positivo para Benítez também na escalação de Strinic, que, assim como Maggio, foi seguro, apoiava bem o ataque e não permitiu que se criassem jogadas pelo seu lado.


Quanto à dupla de volantes, há de se destacar que Gargano fez o que muitos não conseguiram até agora: colocar Salah no bolso por 90 minutos. Não perdeu uma bola que dividiu no meio-campo. David López deu qualidade na transição entre o meio e o ataque - problema é que levou o terceiro amarelo e não joga na próxima rodada.


Separarei agora parágrafos especiais do meio pra frente porque todos, mesmo Gabbiadini, que ontem destoou um pouco do resto do ataque, jogaram muito bem. Dos destaques, Mertens, criou várias oportunidades e foi premiado com o gol que abriu o caminho para a vitória - o 3º na temporada. Jogou bem e foi substituído por Zuniga, que, quando entrou, nada fez. Hamsik, quando entrou no lugar de Gabbiadini, fez uma ótima partida, colocou velocidade no ataque, fez o segundo gol e participou (ok que fez falta no lance) do terceiro gol.


Pela primeira vez no ano de 2015, Callejón fez uma ótima partida, o que diz muito. E pela primeira vez no ano, o espanhol marcou gol e deu assistência para gol no mesmo jogo (no ano ele só havia marcado gol nos 4 a 1 sobre o Cesena em janeiro). Será que agora irá adquirir confiança? Outro que entrou bem e continua merecendo oportunidades é Insigne, que no pouco tempo que entrou foi o suficiente para cruzar a bola nos pés de Callejón.


Reprodução: Twitter
Reprodução: Twitter

Como o árbitro não viu isso?


Higuaín merece capítulo à parte. Não foi uma partida extraordinária, jogou bem, perdeu um gol que não podia ter sido perdido quando estava novamente cara a cara com Neto, mas aí a ansiedade pesa. Mas não é por Higuaín ou pela partida dele o capítulo à parte, e sim pelo gol dele não assinalado pela arbitragem - o árbitro Antonio Damato e o árbitro auxiliar atrás do gol Marco Di Bello não viram que a bola nitidamente entrou.


A questão é que nesta edição da Serie A é a 4ª vez em que a controvérsia do entrou ou não acontece. Já aconteceu 2 vezes com a Udinese, com gols de Rami (Milan) e Astori (Roma) - um não assinalado erroneamente e outro duvidosamente assinalado. Já aconteceu com o Palermo, que teve um gol de Morganella contra o Genoa não assinalado em um lance até parecido com o de Higuaín, que talvez seja a última vítima dos gols fantasma na Itália, que já ajudaram até a decidir Scudetto (mas esse é tema pros outros blogs), já que a partir da temporada que vem, assim como na Premier League e na Bundesliga, teremos o sistema do goal-line decision, aquele mesmo usado na Copa do Mundo.


Voltando a Benítez, para o jogo deste último domingo não há nada o que cornetar. Escalou certo, mexeu certo e soube poupar quando teve que poupar. Não tenho nem o que reclamar dessa vez.


--------------------------------------------------------------------------------------


Melhores do time: Mertens, Hamsik, Gargano, Albiol, Callejón


Meio-termo: Insigne, Maggio, Andújar, Gabbiadini, David López, Zuniga, Higuaín, Strinic


Piores do time: -


Notas a acrescentar:


- Será que a concentração e a bronca de De Laurentiis funcionaram mesmo? Se formos analisar pelo que aconteceu dentro de campo, sim.


- Além de todo esse futebol citado aqui anteriormente, viu-se um time mais unido desde as reuniões em campo antes do jogo e até nas comemorações dos 3 gols marcados. 


- Só não deve ter servido pra De Laurentiis, que, segundo a Mediaset, pegou uma suspensão de 20 dias pela raiva do jogo contra a Lazio.


- Durante a semana, Aurelio De Laurentiis também falou sobre a possibilidade de a Serie A ter uma rodada jogada no exterior. Sobre isso, garanto que farei um post em breve a respeito.


- Finalmente uma rodada favorável a nós, com exceção a vitória da Lazio. Agora estamos a 7 pontos da 3ª colocada, hoje a Roma. Ainda distantes, mas faltam 8 jogos. Basta fazer o que é preciso.


- Durante a partida no San Paolo, a torcida organizada Fedayn, localizada na famosa Curva B do estádio, estendeu uma faixa saudando os torcedores da Fiorentina pelo fato do respeito dos torcedores violas pela tragédia que matou Ciro Esposito. "Lunga vita al nemico viola!" (Longa vida para o inimigo viola!), dizia a faixa.


- Curioso que no primeiro jogo sem a tradicional "Napule' e'", cantada por Pino Daniele na entrada em campo, o Napoli tenha vencido... Descobrimos o motivo da falta de sorte (mentira, não descobrimos).


- Escrever sobre vitórias é tão fácil...