Lágrimas de Insigne lavam a alma do Napoli

Na caminhada rumo à recuperação de posições e classificação para a Champions League, mais um passo importante: a vitória por 4 a 2 na Sampdoria hoje representou mais uma vitória em que o Napoli suou e que o bom futebol apareceu. Mas tudo pode ser construído e lembrado no choro de Insigne após seu gol.


A volta de Insigne já representou a volta de um cara que, desde sua lesão em novembro, viu o futebol do Napoli sem ele cair um pouco, ainda que houvesse a onda de bons resultados entre o fim de dezembro e o fim de fevereiro. E que sua "concorrência" acaba estimulando o futebol de todos os outros concorrentes, como Mertens.


A volta de Insigne aos gramados representou também o retorno de um homem que começou sua carreira no Napoli, sabe o que é torcer pelo clube, nascer na cidade, ser um napolitano e defende a camisa azzurra como ninguém defende.


Site oficial: SSC Napoli
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Lorenzo tem honrado a camisa que veste


E seu gol representou o retorno às redes de quem não marcava desde a vitória contra o Torino, em outubro, no San Paolo, por 2 a 1. E especialmente, um retorno de quem até pouco tempo atrás não sabia se seria o mesmo após uma séria lesão no joelho.


Sua partida lavou a alma de um time que começou tentando se acertar e encontrou no gol contra de Albiol um achado da natureza. Depois, a apoteose de Insigne, em bela jogada individual - um chute de fora da área com uma bela curva. A Samp só reagiu no fim com um golaço de Muriel.


Agora, as avaliações individuais:


Andújar - Não teve culpa em nenhum dos 2 gols sofridos. Nem no contra de Albiol e muito menos no golaço de fora da área de Muriel.


Henrique - Defensivamente seguro, e as jogadas da Sampdoria não saíram de seu lado, ainda que o gol de Muriel tenha saído de uma rebatida sua, não dá pra culpar o ex-palmeirense. Boa partida.


Albiol - Seria lembrado por uma boa partida, se não tivesse colocado o cruzamento de Eder pra dentro. Depois disso, foi seguro na defesa.


Britos - Seguro na defesa, não teve culpa em nenhum dos 2 gols sofridos (ainda que a torcida do Napoli, incluindo este blogueiro, adore colocar a culpa nele e em Benítez).


Ghoulam - Tem sido uma avenida pelo lado esquerdo, já que tem atacado mais do que defendido. Enquanto Eder esteve em campo, sua avenida gerou perigo, mas depois da saída do brasileiro, com a má partida de De Silvestri, não gerou perigo. Dialogou bem com Insigne no ataque.


Jorginho - Teve um controle total da partida em suas ações no meio, já que junto com David López, fizeram um jogo no qual nenhum blucerchiata passou pelo meio azzurro.


David López - Fez uma de suas melhores partidas com a camisa do Napoli, se é que não foi a melhor. Já trabalhou muito bem na defesa, permitindo poucos ataques pelo meio. E ainda ajudou muito bem no ataque, criando oportunidades de gol.


Callejón - Sempre presente no ataque ou na defesa, na transição atacando ou defendendo, sempre presente nas jogadas pela direita. Hoje não fez tanta diferença para o marcador, mas foi essencial novamente.



Gabbiadini - Sua grande partida foi definida em dois lances, em um de grande categoria, que foi seu passe final após uma jogada sua com Higuaín que terminou no gol do argentino, e em um de sorte, no qual marcou o gol na ex-equipe com grande ajuda de seu ex-companheiro Viviano, que viu a bola passar por baixo das suas pernas.


Insigne - O cara do post. Com ele em campo, o Napoli é diferente. Outro que participou de tudo, e foi premiado com um belíssimo gol, em bela arrancada, em belo chute com uma bela curva.


Higuaín - Um dos grandes em campo. Teve uma boa partida, criou boas oportunidades e foi premiado com os gols nas jogadas com Gabbiadini, e marcando o 4º em cobrança de pênalti.


Hamsik - Fez boa partida quando entrou, controlou o meio-campo e sofreu o pênalti que serviu para Higuaín marcar o quarto gol azzurro.


Gargano - Entrou já na parte final, mas serviu para controlar o jogo nos minutos finais.


Zapata - Não entrou com tempo para fazer algo. Se recebeu a bola duas ou três vezes foi muito.


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Melhores do time: Higuaín, Insigne, Gabbiadini, David López


Meio-termo: Zapata, Gargano, Hamsik, Callejón, Jorginho, Ghoulam, Albiol, Britos, Henrique, Andújar


Piores do time: -


Notas a acrescentar:


- Mihajlovic pode ter entrado neste domingo no San Paolo pela última vez como adversário, segundo a Gazzetta dello Sport, ele logo confirmará sua saída a Massimo Ferrero, presidente da Sampdoria.


- Depois da volta dos bons resultados, e confirmado o "meu bem, meu mal" da torcida com Benítez, será que a torcida ainda quer sua saída?


- E digo mais: como De Laurentiis convencerá que Mihajlovic é melhor que Benítez?


- Em tempo: mesmo nos tempos de crise, afirmo meu pedido: eu, Caio Bitencourt, desejo a permanência de Rafa Benítez no comando do Napoli. Hoje, só aceitaria a troca para Vincenzo Montella.


- Um domingo de violência na Itália marcado pela briga nas arquibancadas do Olimpico de Turim, no qual uma bomba explodiu e feriu 10 tifosi granatas, que deveriam estar comemorando ilesos, o que seria a primeira vitória do Torino no clássico contra a Juve desde 1995. Antes do jogo, ainda foram atirados ovos e pedras no ônibus da Juventus.


- Sobre isso, é sempre bom ressaltar: os culpados serão punidos? Caçar a violência será mesmo prioridade? Quando coisas deste tipo acontecem, se entende um pouco do porque da mentalidade que levou a Serie A a derrocada na década passada e se entende o porque da necessidade de reconstrução que vai se fazendo e sendo feita (por alguns clubes) recentemente.


- E para enfrentar a violência, os coros discriminatórios e todo o câncer que necessita ser extirpado do futebol italiano, é necessário coragem. Coragem para lutar até contra certos interesses de alguns ultras (como os da Curva Sud da Roma, que agora insultam seu presidente James Pallotta, por ter tomado posição defendendo a mãe de Ciro Esposito após o caso do último Derby del Sole, citado neste post) para que as coisas continuem como estão.