Saudades de quando o Corinthians não era páreo para nós

Sérgio Barzaghi/ Gazeta Press
Sérgio Barzaghi/ Gazeta Press 

 

 Talvez todo palmeirense tenha acordado neste domingo com um sentimento de acerto de contas. Dia de devolver uma humilhação recente, ou melhor, algumas.

 


Não foi desta vez, caro amigo palmeirense. Nosso alviverde inteiro até entrou com vontade, no começo do jogo até percebemos uma defesa que ninguém passa. Até o final do primeiro tempo, até percebemos uma linha com atacantes de raça.


Só que hoje, meu amigo, não dá pra criticar todo o trabalho de Roger Machado, somos líderes gerais da libertadores, estamos disputando o Brasileirão no topo da tabela e só temos cinco derrotas no ano. Curiosamente, três delas contra esse adversário tão indigesto que, em tempos de Cuca (2016) nos alegrávamos em chamar de freguês.


Hoje não dá pra dizer que teve interferência externa, que Anderson Daronco influenciou no resultado ou que a arbitragem ajudou o rival.


Hoje temos que admitir: bateu uma saudade enorme dos tempos em que sabíamos jogar contra o Corinthians. Tempos de Rafael Marques, o antigo rei de Itaquera.


O jogo vinha bem. Como sempre, com o Palmeiras pressionando o rival, criando oportunidades. Com Keno fazendo a famosa bagunça ali pela direita, indo pra cima, buscando o drible e tentando furar o muro de Itaquera. Uma lástima, foi só o Keno, e foi só no primeiro tempo. Bastou uma bola na trave e um contra-ataque do habilidoso Pedrinho para que a equipe verde se abalasse mais uma vez e se perdesse, ficasse irreconhecível perante ao que vem apresentando esse ano em jogos normais, não clássicos.


O segundo tempo? Um filme de terror com um roteiro que nem Alfred Hitchcock conseguiria escrever. Jogadores tão badalados e tão escondidos. Um técnico tão eficiente e tão perdido. Um segundo tempo difícil de se analisar, de se criticar. Só o Corinthians jogou. Com exceção de Jailson, é claro, se não fosse por ele com certeza o filme de terror teria sido ainda mais trágico.


Vimos um palmeiras que vinha jogando tão bonito alçar 45 bolas em toda a partida contra um Corinthians que finalizou 10 vezes e conseguiu 10 escanteios no jogo. Vimos jogadores alviverdes desarmarem o adversário 38 vezes e os jogadores alvinegros apenas 8. Não é pra menos, devolvemos a bola o jogo todo e deixamos o rival jogar, fazer o que bem entendia. Fomos zoados pelo Romero, merecidamente. Nem isso serviu pra fazer borbulhar o sangue dos jogadores, nem isso serviu de motivação para um empate que calaria a zona leste de São Paulo.


Palmeiras: a única coisa que falta para um ano perfeito, é jogar sem medo, é jogar com raiva dessa p#€@ de Corinthians, como já dizia Felipão, dos tempos em que os temidos éramos nós.