Uma noite agradável

Tenho que tomar muito cuidado ao escrever logo depois de derrotas muito doloridas ou de vitórias muito arrebatadoras. Elas agitam nossa mente, nos impedindo, às vezes, de ver as coisas com a devida clareza. No entanto, farei o possível para relatar minha experiência do dia 2 de junho de 2018 da maneira mais sensata.


Por conta das últimas derrotas, da chatice da torcida, da rigidez do professor em não variar o esquema e também do futebol horripilante apresentado nos últimos dias, estava meio-cético quanto a um bom resultado diante de um São Paulo FC. Invicto no campeonato e com boas apresentações até aqui.
Meio-cético porque, ao mesmo tempo em que não acreditava numa vitória, estava apostando uns 10 reais com meu amigo Guilherme, tricolor. E anotando um placar de 3x1 no bolão que participo com colegas da época de Ensino Médio. É interessante o que o Palmeiras nos faz. Mesmo tentando ser racional, a paixão verde que nos move é capaz de nos fazer acreditar sempre na mais improvável das vitórias. Por mais que vitórias em cima do time do Morumbi, na Barra Funda, já sejam costumeiras e recorrentes.


Peguei minha câmera, leal companheira, meu casaco da coleção passada e rumei sentido ao Allianz Parque. O clima era agradável a ponto de me fazer dirigir de vidros abertos para sentir a noite paulistana enquanto ouvia um Folk Rock Moderno no Bluetooth do carro. De certa forma, ali já comecei a me sentir confiante, acreditando que um bom jogo aconteceria e já pensando no sorriso que eu estaria estampando em meu rosto ao escrever o pós-jogo neste blog.


Na entrada do estádio, mais precisamente na fila da revista policial, me deparei com mais um momento agradável. A torcida, que há tempos eu não via adentrar o Palestra fazendo suas cantorias, cantava como se a fase fosse a melhor possível, como se o Palmeiras já começasse o jogo vencendo por 1x0. Tomei fôlego, cantei junto, entrei nas arquibancadas da Gol Sul e esperei pelo início da partida.


Mal sabia que a noite tão agradável até o momento me pregaria uma peça. A confiança, em poucos minutos, foi jogada no chão. O Palmeiras utilizava o mesmo esquema manjado do último jogo, o 4-3-3 tão adorado por nosso treinador mais uma vez trazia dificuldades.


Moisés, na vaga de Lucas Lima, tentou fazer a diferença, mas era mais um meia sofrendo com a não aproximação dos atacantes. O São Paulo gostava um pouco mais do jogo a cada minuto e o sofrimento do palmeirense se iniciava. Se desenvolveu por completo na falha, pelo segundo jogo consecutivo, do experiente Edu Dracena. Sofremos um gol ao melhor estilo Palmeiras, em uma besteira gigante. Assim como dito no último texto, repito: Dracena, essas lambanças não combinam com o tamanho da sua qualidade e experiência. Vamos nos atentar um pouco mais a isso?


Atrás de mim, já haviam discordâncias entre torcedores, brigas, reclamações e medo do futebol apresentado. O juiz, como sempre, parecia estar com a menor boa-vontade do universo para o time da casa. Inseguro e invertendo faltas. Poxa vida, mais um jogo daqueles?


Larguei minha câmera com um amigo, de tão irritado, e decidi não fazer mais fotos daquele jogo.


Não sei o que aconteceu no vestiário, no intervalo. Talvez alguém tenha feito como em Space Jam e dado uma água mágica para os jogadores. O segundo tempo diria que a noite realmente tinha tudo para ser boa.


O time voltou ligado, acordado e parecia estar correndo o dobro que o habitual. Não demorou muito para o empate sair em um gol de Willian. Mesmo que, até a ocasião, o time não viesse desempenhando um bom futebol. O clima agradável da noite voltou a aparecer. As rixas da própria torcida se transformaram na maravilhosa canção que lembrava a todos ali presentes. “O Palmeiras é o time da virada, o Palmeiras é o time do amor”.


A noite realmente estava para nós. Roger foi forçado a abandonar o esquema com três atacantes num pequeno desconforto sentido por Keno. Hyoran, o garoto a quem defendo tanto uma chance no time titular entrou e o 4-4-2 acabou sendo natural já que ali estavam dois meias de ofício. A partir de aí, tivemos um outro Palmeiras em campo, jogadas começaram a sair. A bola parou de queimar nos pés e nas canelas dos atletas e ampliamos o placar em belas jogadas de Moisés, Willian, Hyoran e Dudu. 3x1.


Temos que destacar também a raça que vimos em Mayke e Antônio. Dignas de Palmeiras. Se atirando em todas as bolas. Não se importando com a dor ou com o cansaço que se ampliavam até o apito final.


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Pela primeira vez, Roger conseguiu virar um jogo à frente do time alviverde. Em um clássico, para dar aquela boa sobrevida e continuidade ao trabalho, para respirar e diminuir a agitação, apesar desta virada não ter sido proveniente de um jogo excelente. Curiosamente, o comandante conseguiu isso com uma formação que vem sendo pedida pela torcida, que pode não conhecer o futebol com a mesma técnica, mas que com certeza já conhece o time há muito mais tempo que nosso treinador.


Claro, não se pode fechar os olhos, o Palmeiras jogou bem por 30 minutos, apenas um terço do jogo.


Mas foi o suficiente para que todos fossemos embora com o sorriso estampado no rosto, aproveitando de mais uma vitória em uma noite tão agradável. Eu particularmente, sorrindo para o bloco de notas do celular e começando este texto, torcendo para que dessa vitória, sejam tiradas as boas lições. Sobre formação, sobre raça e sobre a variação que não ocorreu em outros jogos. E não as más, que nos fazem fechar os olhos e achar que ainda está tudo bem só pelo placar de uma partida.


Torcendo para que na quarta-feira, dia 06, a noite seja tão agradável quanto a do último sábado. Só que dessa vez, diante de um forte Grêmio, fora de casa.


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