Os últimos anos do trabalho de Felipão e o que se esperar dele em sua volta para casa

Depois da sétima troca de treinadores desde a reformulação geral que aconteceu na Sociedade Esportiva Palmeiras em 2015, nos encontramos novamente com um velho conhecido. Luiz Felipe Scolari, 69 anos. Técnico multicampeão, ganhador de quase tudo e inclusive do título mais importante da nossa história, até aqui.


Muitos torcedores, após a queda de Roger Machado, pediram por Abel Braga ou pela volta de Luxa. Com menos força em relação aos outros dois candidatos, mas mesmo assim ainda sendo bastante pedido por parte da torcida, Felipão também entrou no páreo para assumir o comando técnico da equipe. Acabou sendo o escolhido pela diretoria e, consequentemente, contratado.


É interessantíssimo se observar o que ocorreu aqui. A tão elogiada geração de novos técnicos e estudiosos do futebol nos últimos anos, com Eduardo Baptista, Zé Ricardo, Fernando Diniz, Jair Ventura, o próprio Roger Machado entre outros nomes, se provou de certa forma ainda incapaz de assumir as rédeas de grandes clubes. Salvo o exemplo de Barbieri, que apareceu “do nada” no Flamengo e hoje faz um dos melhores trabalhos do país a frente de uma equipe.


Os técnicos cheios de cursos do futebol moderno foram preteridos pelos “cascudos” da velha-guarda. A pedida pela volta dos três nomes aqui antes citados exemplifica bem isso, bem como a volta de Cuca ao comando do Santos. Não é pra menos. O futebol tem sido dominado por duelos intensos de egos dentro dos vestiários, sobretudo dentro de clubes recheados de estrelas, como é o Palmeiras. Não me entendam mal, não estou dizendo que o ambiente dentro do Palmeiras não é bom ou que jogador x não gosta de ser reserva de jogador y, que não gosta de tocar a bola para o jogador z. Mas temos bons exemplos de como times precisam estar unidos e fechados para chegarem a grandes conquistas. É Impossível não pensar na “família Scolari” quando falamos sobre Felipão, impossível então, não acreditar que ele seja capaz de unir totalmente a família mais uma vez. Ser o elo firme entre os jogadores e também entre time e torcida. Convenhamos, a distância entre esses dois últimos é mais do que só uma ilusão, faz tempo.


Desconfiança da torcida


Apesar de ser o técnico brasileiro com mais títulos no século XXI (sim, 14 títulos, Muricy tem 13 e Tite, 11) parte da torcida ainda desconfia muito de que Big Phil possa ser o “salvador” do ano palmeirense. Isso se deve muito à sua ultima passagem pelo verdão, quando, apesar de ter conquistado uma Copa do Brasil, rebaixou o Palmeiras para a série B do Brasileirão (as coisas melhoram bem quando, ao invés de pensar que ele conseguiu rebaixar um time campeão, pensamos que ele conseguiu fazer campeão um time de serie B). Claro, a desconfiança se deve também ao maior fiasco de sua carreira. Na verdade, o maior fiasco da carreira de um técnico a frente da seleção brasileira. E eu não preciso falar nem sete vezes para que você, leitor, se lembre do que ocorreu há quatro anos, mas isso não vem ao caso. Falamos de coisas importantes aqui. Falamos de Palestra.


Esqueçam agora esses dois probleminhas citados. Faremos uma breve revisão do que foi o trabalho de Felipão nesse tempo afastado do futebol brasileiro. E como sei que a maioria que lê este blog não está nem aí para o “Chinezão”, levantei alguns dados, que serão dispostos no próximo parágrafo. “Ah, mas no futebol chinês até eu!”. Calma lá, amigo! O técnico do Guangzhou Evergrande, antes de Scolari, ficou só seis meses no cargo e foi demitido mesmo com seus comandados na primeira colocação do campeonato nacional. Tudo porque a torcida o pressionou por conta de o time estar empatado em pontos com o segundo e terceiro colocados, faltando 23 rodadas para o final da competição. Sendo que o clube havia chegado até esse ponto, nos anos anteriores com uma larga vantagem para o time que ocupava a segunda posição. O técnico demitido? Ninguém mais, ninguém menos que Cannavaro, capitão da Squadra Azurra na copa do mundo de 2006. É rapaz, os chineses são bem exigentes!


Felipão conquistou sete títulos em três temporadas. Foram três títulos de Campeonato Chinês, dois de Supercopa da China, um de Copa da China e um de Champions League Ásiatica, ou se preferir, a “Copa Libertadores” do oriente. Vale ressaltar que a China, num todo, desde que a liga do campeões da Ásia começou, em 1967, só conquistou este título três vezes. De fato, não há como negar. O “ultrapassado” Felipão fez história por lá, como fez por vários outros clubes ao longo de sua carreira.


Quando resolveu que não queria mais viver na China e decidiu por não renovar seu contrato com o Guangzhou Evergrande, Luiz Felipe foi ovacionado como um dos maiores ídolos da história do clube. Torcedores transbordaram o aeroporto em sua saída e levaram faixas e mais faixas agradecendo ao “general Felipez” por todos os serviços prestados.


Pensamentos positivos


É óbvio que este blogueiro que vos fala não coloca a mão no fogo para sustentar aqui a ideia de que Felipão vem para ser a solução de todos os nossos problemas. Mas, com certeza, coloca para sustentar a ideia de que este técnico que acaba de chegar, tem pulso o suficiente para mexer com o brio dos atletas, organizar o vestiário e nos levar novamente ao ápice. Ao topo do continente. Técnico italiano, ranzinza, paizão e sem jamais esquecer: copeiro. Felipão tem vários predicados que podem levá-lo ao sucesso à frente do Palmeiras por mais uma vez. Motivando jogadores para entenderem a grandeza de alguns clássicos ou para suarem sangue dentro dos jogos. E, se por ventura não der certo, ao menos teremos excelentes entrevistas nos próximos meses.


Luiz Felipe Scolari será apresentado novamente como treinador do Palmeiras, na Academia de Futebol, ás 15h desta sexta-feira.


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