O Palmeiras não pode se dar o luxo de perder pontos importantes por besteiras

O Palmeiras chegou a esta vigésima-quinta rodada de campeonato brasileiro com grandes chances de se aproximar do líder do campeonato. A equipe até tinha a possibilidade de dormir relaxada na liderança até o jogo do Internacional, que acontecerá nesta segunda-feira. Bastava uma vitória em cima da fraca equipe do Bahia, lá na Fonte Nova, e uma derrota do São Paulo no clássico Sansão. Uma pena que a expectativa é a mãe da merda e que na maioria das vezes é muito diferente da realidade. Ambos os jogos empataram. O do Palmeiras, no entanto, teve um gosto bem amargo de derrota, por conta da atuação precária do time. Posso dizer com convicção que foi o pior jogo dessa nova “era Felipão”, mesmo estando o próprio, ausente da partida por ter sido expulso no jogo contra o Corinthians.


O Palmeiras de hoje, sem Felipão, me lembrou muito os tempos de escola. Todo mundo já passou por isso e sabe. Na escola temos os nerds, os neutros, os alunos bagunceiros declarados, que são bagunceiros em todas as áreas da vida e temos também os bagunceiros duas-caras, que são aqueles cujos pais se surpreendem quando são chamados na diretoria para ouvirem grandes verdades sobre os atentados escolares dos filhos, e que nem passa pelas suas cabeças de que seus anjinhos na verdade são umas pestes longe de seus olhares. O Palmeiras, longe dos olhares do paizão Felipão, se comportou na maior parte do jogo como o bagunceiro duas-caras. Foi o aluno preguiçoso que copiou a lição de casa do colega pra tirar uma nota azul, pra se manter na mesma situação que já se encontrava, mas não uma nota verde, como deveria ser e como é digna de Palmeiras.


Claro, a culpa pode ter sido ,em partes, da própria comissão técnica da qual Scolari faz parte. Afinal, Paulo Turra, o comandante de hoje, jamais escalaria o time que iniciou a partida sozinho. O Palmeiras entrou em campo com três volantões (Felipe, Bruno e Jean) e apostou que por um milagre, Lucas Lima, Hyoran e Borja iriam resolver lá na frente, mesmo que fossem apenas três em meio à legião de cabras-macho defensivos da equipe do Bahia.


Mesmo com três volantes que pareceram representar um medo inexplicável de jogar contra o time baiano, o Palmeiras conseguiu sofrer um gol. Victor Luís, que também fez sua pior partida no ano cabeceou para dentro da área e no burburinho, Ramirez jogou a bola nos pés de Gilberto, que jogou pro barbante e fez o primeiro tento do jogo.


O Palmeiras sequer finalizou no primeiro tempo. A defesa chutava pra longe e obrigava Borja a tentar imitar a “casquinha” que tão bem faz o atacante Deyverson. O colombiano imitou muito mal e não acertou absolutamente nenhuma. As bolas que, por sorte, sobravam nos pés de Lima e Hyoran rapidamente eram perdidas pela falta de opções ofensivas e pelo sono que estes jogadores mostravam a cada minuto. Não que isso tenha sido uma características específicas desses jogadores. Afinal, a equipe inteira parecia estar andando em campo.


O aluno bagunceiro melhorou mesmo no fim do jogo, quase pegando recuperação. Foi quando Turra entendeu que precisava preencher o meio campo e dar mais opções ofensivas para o time alviverde. Dudu e Willian entraram bem. E acordados. Tanto que começaram a rodear a área do Bahia e ganhar alguns escanteios. Foi num destes que Dudu jogou pra dentro da área e Felipe Melo chegou voando por cima da defesa adversária pra testar firme pra dentro do gol. Foi o empate do Palmeiras e a lição que salvou o torcedor de uma desgraça maior, quase no fim do prazo. Se perdesse o jogo, o Palmeiras derrubaria uma invencibilidade de nove jogos no brasileiro e de trinta anos jogando fora de casa contra o Bahia.


O verdão relaxou após o gol e baixou o nível de adrenalina. Se contentou com o empate e ainda teve que aguentar os poucos três minutos de acréscimos que Heber Roberto Lopes concedeu em cima de um jogo com tantas faltas e enrolações.


Triste. A primeira chance de grudar de vez no líder não foi perdida, foi desperdiçada. Não se pode dar-se o luxo de perder pontos tão importantes por besteiras.


O Palmeiras vira a chave e viaja para o Chile, onde enfrentará o Colo-Colo, pela Copa Libertadores, na quinta-feira, às 21h45.


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