Decisões são definidas em pequenos detalhes

Quem me acompanha em meu perfil pessoal no instagram sempre se depara com alguns momentos em que ataco de blogueiro e começo a responder algumas perguntas, principalmente sobre o Palmeiras.


Em algumas delas, lá pro final de agosto, me perguntaram até onde o Palmeiras iria nas competições que estava disputando. Deixei sempre bem claro que, na minha humilde opinião, o Cruzeiro seria o adversário mais complicado e chato que enfrentaríamos em todo o ano e que a Copa do Brasil seria um campeonato difícil de se conquistar, justamente por conta do time que teríamos pela frente. Dito e feito, o Palmeiras não fez grandes jogos contra a Raposa e acabou eliminado da competição.


É claro que agora não só as raposas começaram a sair de suas tocas como também os nossos tão queridos e amados corneteiros impulsivos, com sua potente vontade e ânsia por acharem um grande problema para se iniciar uma grande pressão sobre o clube no pós-eliminação.


Por um período de tempo o Palmeiras deixará de ser o vice líder do Brasileirão com um ponto de diferença para o primeiro colocado. Por algumas horas, o Palmeiras deixará de ser a equipe que tem um pé na semifinal da Copa Libertadores. Por alguns instantes o Palmeiras será, em vários grupos de whatsapp e páginas de fãs, o time sem garra, que não serve pra absolutamente nada e que tem como obrigação ganhar todos os outros títulos que ainda está disputando porque foi eliminado para um time de menor investimento.


Se você está lendo isso, pare um pouco, respire bem, pense na situação atual do time e reflita sobre a validez que tem tantas críticas descabidas por um 2x1 num placar agregado.


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Pensou? Ótimo! Bora falar do jogo!


O Palmeiras foi para o Mineirão jogando contra diversos fatores. Para se classificar para a final, precisaria vencer por dois gols de diferença. Algo que não acontece num Cruzeiro x Palmeiras desde que ambos ainda eram Palestra Itália, lá em 1930. Não bastando o tabu de oitenta e oito anos, o Palmeiras ainda tinha pela frente um outro tabu de mais de sete jogos sem vencer o Cruzeiro. É fato, nosso rival de Minas Gerais vem sendo uma pedra no sapato há tempos.


O verdão entrou em campo visivelmente tenso por já começar a partida com uma desvantagem de um gol no placar agregado. As sólidas linhas defensivas do Cruzeiro dificultavam muito a troca de passes dos jogadores e Miguel Borja mostrou porque tem tido menos espaço o esquema de Felipão com toda sua falta de mobilidade em campo. Como exemplo, o próprio Felipão grita, às vezes, lá da área técnica, “Borja! Se mexe, você está fincado no meio dos zagueiros! Dá opção, dá opção!”.


Os jogadores que apareciam melhor eram Moisés e Willian, que tentavam movimentar o time e trocavam passes com os demais jogadores na intermediária do Cruzeiro.


Sabemos que já não estávamos tão próximos de fazer um gol e pra piorar falhamos defensivamente mais uma vez, como foi no jogo de ida. Sofremos com o contra-ataque veloz do time de Belo Horizonte em mais uma oportunidade e também com a Lei do Ex. Barcos fez seu segundo gol na competição, o segundo em nós.


No segundo tempo, Felipão teve ideias interessantes. Trocou Borja por Deyverson e Bruno Henrique por Guerra. Dois jogadores para aumentar a mobilidade do time e preencher um pouco mais o meio de campo. Funcionou por um tempo, o Palmeiras começou a pressionar um pouco e chegou ao gol de empate numa bela cabeçada de Felipe Melo. Faltava só um gol para levar a disputa aos pênaltis e tentar a classificação, mas ao Palmeiras faltou um pouco, ou um muito de protagonismo.


Nenhum jogador fez uma partida brilhante ou chamou a responsabilidade de levar o time pra cima. Senti falta de ver um Dudu colocando a bola debaixo do braço e indo pra cima da marcação, bem como senti falta de Guerra aproveitando sua oportunidade e aparecendo mais para construir algumas jogadas como fazia quando era conhecido como o melhor jogador da libertadores. Não os culpo totalmente, a equipe do Cruzeiro teve seus méritos, ainda mais no que se diz à questão defensiva. Mas confesso que esperava um pouco mais de alguns nomes.


Uma decisão, no entanto, se define nos detalhes. Um deles, foi a inexplicável entrada do volante Jean. É entendível que o profeta Moisés já estava esgotado por tanto ter se doado em campo durante todo o jogo. Mas existiam boas opções ofensivas no banco de reservas para o seu lugar. Lucas Lima e Hyoran, por exemplo. Jogadores com qualidade para driblar e acertar passes e cruzamentos milimétricos já que estávamos abusando das casquinhas e cabeçadas de Deyverson, dentro da área.


Se o esquema já estava sendo anulado pela tática de Mano Menezes, com Jean não seria diferente. Não chegamos nem perto de fazer um segundo gol. Fábio quase não sujou o uniforme, a não ser em uma entrada firme que Antônio Carlos, já jogando de atacante, o deu, buscando fazer um gol. Claro, não vamos esquecer que neste mesmo lance, Willian estava invadindo a área e sofreu um carrinho violento de Egidio. O VAR não serviu para absolutamente nada mais uma vez e foi ignorado pelo árbitro, que deu a posse da bola para a equipe celeste.


Getty Images
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A arbitragem foi crucial em detalhes que influenciaram diretamente no resultado final da semifinal


Como disse, uma decisão se define nos detalhes. Não posso deixar de frisar que o gol mal anulado no jogo de ida, por despreparo da arbitragem e também pela não-utilização do VAR, pesou a favor do time de Minas Gerais. Seriam dois empates por 1x1 e uma decisão emocionante nos pênaltis mas infelizmente, no Brasil, temos o hábito de ver grandes jogos serem estragados por grandes incompententes.


De qualquer forma, que vejamos o lado bom disso tudo, se é que existe um lado bom em não disputar um título. Dois jogos a menos para disputar, um calendário mais enxuto e finalmente uma semana de folga para Felipão treinar a equipe pela primeira vez desde que chegou ao time. A disputa do título brasileiro se torna mais palpável, sobretudo quando pensamos que teremos menos jogos até o confronto direto com o líder. Porém, CALMA! Não há nada ganho ainda e também não existem motivos para achar que de uma hora pra outra tudo deixou de prestar.


Por fim, deixo aqui meu imenso repúdio às atitudes do jogador Léo e do jogador Sassá. Do Cruzeiro. Léo por atropelar Felipe Melo, quando o juiz já havia decretado o fim do jogo e Sassá por acertar um cruzado em Mayke, pelas costas, da maneira mais covarde possível. Atitudes lamentáveis, mesmo tendo grande parte da imprensa colocando o time de verde como um “mau perdedor” por conta da confusão ao fim do jogo, que se originou de ações do time de azul.


Getty Images
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Sassá e Deyverson discutem ao fim do jogo. O atacante do Cruzeiro acertou um cruzado de direita no lateral Mayke, pelas costas, de maneira totalmente hostil