Segue o líder!

Qualquer pessoa do mundo que visse o futebol do Palmeiras na décima quinta rodada do Brasileirão, perdendo vexatoriamente para o Fluminense e ainda vendo seu técnico ser demitido, não imaginaria o que aconteceria nas rodadas seguintes.


O Palmeiras se encontrava na sétima colocação do campeonato e havia sofrido quinze gols em quinze jogos. Íamos ao estádio em todas as rodadas com a certeza de que tínhamos que fazer dois gols, no mínimo, porque com certeza sofreríamos um. Eram oito pontos de distância para o líder, que já começava a sentir novamente um tal cheirinho que conhecem muito bem. O São Paulo, na ocasião, já estava em seu processo de ascensão e se encontrava apenas um ponto atrás, na vice-liderança.


Tivemos a volta de Felipão, reprovada por grande parte da torcida e da mídia. O técnico que mesmo ganhando tudo em seu último trabalho, lá na China, era visto como ultrapassado e fraco.


Me lembro bem do que escrevi em “Os últimos anos do trabalho de Felipão e o que se esperar dele em sua volta para casa” e faço questão de fazer uma viagem no túnel do tempo e trazer de volta um fragmento daquele texto, pois faz ainda mais sentido agora (além de tudo, massageia meu ego e me permite dizer um belo “eu avisei”):


“É óbvio que este blogueiro que vos fala não coloca a mão no fogo para sustentar aqui a ideia de que Felipão vem para ser a solução de todos os nossos problemas. Mas, com certeza, coloca para sustentar a ideia de que este técnico que acaba de chegar, tem pulso o suficiente para mexer com o brio dos atletas, organizar o vestiário e nos levar novamente ao ápice. Ao topo do continente. Técnico italiano, ranzinza, paizão e sem jamais esquecer: copeiro. Felipão tem vários predicados que podem levá-lo ao sucesso à frente do Palmeiras por mais uma vez. Motivando jogadores para entenderem a grandeza de alguns clássicos ou para suarem sangue dentro dos jogos. E, se por ventura não der certo, ao menos teremos excelentes entrevistas nos próximos meses”.


De lá para cá, convivemos com torcedores rivais que tiveram sua confiança que vinha sendo destruída há anos voltarem ao topo de seu orgulho. Nos disseram para os seguirmos e por certo tempo o fizemos. Não só os seguimos, como os perseguimos. A fé alviverde foi sendo restaurada a cada jogo e a cada ponto que foi tirado de diferença até que chegássemos perto. Chegamos. Passamos.


O time que sofria um gol pro jogo, antes da chegada do novo general, sofreu três, nos últimos doze jogos. Venceu nove partidas e empatou três. Sequer foi derrotado na competição de pontos corridos, até o momento.
É empolgante, apesar de tentarmos negar. As cordas vocais tremem para ecoar as três palavras que compõem o título deste post e apenas a mentalidade supersticiosa de que isso traz uma zica danada ao time para a sequência do campeonato, nos barra de proferir tais palavras que tanto ouvimos de outros nesses últimos tempos.


Pode comemorar sim, torcedor. O Palmeiras é o novo líder do campeonato!
Porém, não comemore como se isso fosse um título antecipado. Porque não é!
É de suma importância entender que ainda são trinta e três pontos em disputa dos quais podemos perder no máximo nove. Além disso, teremos alguns jogos decisivos pela frente. Serão duas finais antecipadas, seguidas. Uma contra o São Paulo, no Morumbi, na próxima rodada. Onde lutaremos contra um forte time apesar de que, por conta de seu elenco curto, foi perdendo fôlego a cada jogo do returno. E outra contra o Grêmio, que iniciou seu sprint final na corrida pelo título e se aproximou do pelotão de frente.


Com humildade, seguimos fazendo o nosso. Uma nova guerra a cada partida e muito suor para se chegar ao lugar que almejamos.


Mas por ora, segue o líder.



Siga o autor no Instagram!