Calma, gente: o Palmeiras de 2018 é um time para se desfrutar

Cesar Greco/Ag Palmeiras
Cesar Greco/Ag Palmeiras

Palmeiras jogou o suficiente para vencer em Mirassol, o que para alguns foi "preguiça"


O excesso de ansiedade sempre foi uma marca do palmeirense, e isso só piorou nos últimos dois anos, quando fomos infectados pelo Cucabolismo: se o time não marca um gol antes dos 15 minutos, não está jogando bem; se os jogadores não correm feito uns desesperados, estão “numa baita preguiça”. Apreciamos não a beleza de uma jogada bem feita, mas a correria incessante, mesmo que muitas vezes inútil. E, quando não apreciamos, obviamente cornetamos.


Parece incrível, mas cada uma das seis vitórias obtidas pelo Palmeiras neste ano vem quase sempre seguida de algum comentário adversativo: ganhou, mas não jogou bem tal período do jogo; marcou gol, porém não criou muito; venceu, no entanto mostrou pouca combatividade. E não me refiro só às análises dos coleguinhas da imprensa, mas às queixas dos torcedores nas redes sociais – minhas fontes principais são o Twitter e dois grupos de whatsapp de que participo.


E minha reação ao ler tudo isso é sempre uma só: CALMA, GENTE!


Fizemos apenas seis partidas no ano, somos o único time da Série A que mantém 100% de aproveitamento. O futebol ainda não foi brilhante? Não, e nem poderia ser em apenas um mês de jogos, depois de somente duas semanas de pré-temporada. O time não corre desesperadamente o tempo todo? Não, e nem teve necessidade, visto que tem chegado aos gols no máximo na primeira metade do segundo tempo – isso para não falar do inclemente calor que vive o Estado de São Paulo nestes primeiros 45 dias do ano. O time está pronto? Obviamente que não. Nem todos os jogadores ainda estão em forma, e de nada adianta o time estar pronto a um mês do início dos jogos de fato importantes, o mata-mata do Paulista e a estreia na Libertadores.


Cesar Greco/Ag Palmeiras
Cesar Greco/Ag Palmeiras

Borja já havia marcado contra o Santos, mas está longe de ficar imune à corneta


Cientistas têm apontando que o excesso de estímulos visuais e sensoriais tem deixado as pessoas mais ansiosas e impacientes, menos dispostas a atividades reflexivas e ao tédio, esse importante motor para o progresso da sociedade – alguns dizem “mente vazia, oficina do demônio”, mas o que Newton, Galileu, Einstein e Freud, entre outros, teriam feito se vivessem numa sociedade em que vivemos presos à espera das notificações do celular?


O palmeirense viveu em 2017 um ano pesado, carregado de expectativas e desejos frustrados: a queda no Paulista, as eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores num intervalo de duas semanas, a recuperação no Brasileiro interrompida pela derrota no dérbi. Tudo isso causou uma ressaca daquelas, e é evidente que a espera por dias melhores em 2018 nos deixa ansiosos. Mas podemos pensar de outra maneira: depois de todos os desastres do ano passado, o que vier neste ano é lucro, é sucesso. Sim, o Palmeiras deve brigar por todos os títulos neste ano – mas, honestamente, quem tem que se preocupar com isso é o Roger, que presta contas ao Mattos, que por sua vez se reporta ao presidente.


À torcida cabe, ora bolas, torcer. Torcer e, acima de tudo, aproveitar. Temos boas expectativas para o ano e, em vez de enxergar o lado ruim nas vitórias, a melhor coisa a fazer é desfrutar: aproveitar as jogadas bonitas, as tabelas, os lançamentos, vibrar com os gols e as vitórias. O Palmeiras de 2018 tem tudo para ser brilhante, por isso não devemos nos precipitar e queimar a largada. Há um ano promissor à frente: como diria o mestre Luis Mauricio dos Santos, vamos nos permitir mais.