O resgate do soldado Tchê Tchê

7.09.2017: “Tchê Tchê nega ser dependente do futebol do Moisés no Palmeiras”.


Dentro de qualquer atividade coletiva temos os que vão carregar a glória e aqueles que vão entregar a glória. Definitivamente o cara deste texto não parece fazer questão de medalhas e condecorações.


Depois de ter sido o pulmão do Palmeiras no título do campeonato brasileiro, Tchê Tchê teve um queda brusca de rendimento. Irreconhecível em campo, ele chegou a se tornar um jogador momentaneamente descartável. A justificativa, por parte da torcida e imprensa, era que ele precisava do nosso camisa dez para desempenhar um bom papel - e Moisés estava machucado.


Logo no início do estadual, as críticas já reapareceram, mas, aparentemente, o Palmeiras começou a ganhar um ritmo que fez com que a corneta cessasse.


A verdade é que o atual camisa oito não tem uma característica tão bem definida que o torne destaque: ele não finaliza tão bem, assim como não chega tantas vezes na pequena área (por conta da sua posição); defensivamente não é a peça-chave e não arma sozinho o jogo - poucas vezes vimos o Tchê Tchê fazer uma jogada individual que abrisse a defesa adversária.


Aí está o motivo pelo qual o volante não sai do time: se individualmente ele não desequilibra com dribles bonitos e gols emblemáticos, é quem consegue dar o tom ao coletivo (em seu bom momento). As reclamações da torcida vieram justamente por ele não ter conseguido fazer o que faz de melhor: tocar a bola, abrir espaços e ganhar tempo para o atacante. Mas isso mudou nos últimos jogos.


Tchê Tchê não é craque, mas ele prepara o terreno para que outros sejam. Em 6 jogos do Paulistão, foram 208 passes certos, contra 11 errados. O jogador foi titular em todos.


Não adianta querer argumentar com “jogador que toca a bola para trás”, porque ele tem se dedicado a prestar serviços ao ataque, aparecendo em todos os lados do campo - do meio para frente - e se sacrifica pela defesa.


Footstats
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Mapa de calor de Tchê Tchê - Mirassol x Palmeiras


TruMedia
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Mapa de calor de Tchê Tchê até a 4ª rodada do Campeonato Paulista


Hoje, talvez, esteja óbvio que a culpa não era só do jogador. Quando o Palmeiras voltou a funcionar coletivamente, Tchê Tchê reaparece podendo ser o apoio perfeito para o jogo do Lucas Lima. Toques de primeira, rápidos e curtos, permitindo que o camisa vinte se movimente com rapidez para sair da marcação e receber uma bola perfeita para o último toque em direção a pequena área. Com a velocidade do meio campo, nós ganhamos tempo em cima da defesa adversária. 


Acredito que o volante tenha se tornado tão independente do Moisés que, em baixo tom, já começamos a questionar se a titularidade do camisa dez é tão garantida como se imaginava.


Felipe Melo em ótima fase, centralizado entre as linhas, Lucas Lima dominando a zona central como criador e o Tchê Tchê como ponto de sacrifício do time: ataca, defende, cobre espaços, aparece na linha ofensiva para receber e se destaca na recuperação de posse. O lugar do Moisés não ficou esperando por ele desta vez.


11.02.2018: a verdade é que Tchê Tchê não é personagem para brilhar na TV, ele é o soldado que avança na linha de frente para abrir o caminho para os outros. Como torcedores, podemos pedir por mais destaque televisivo (que não nos falta) ou por um jogador minimamente midiático e taticamente impecável.


Nosso camisa oito é o personagem que diz para os atacantes quase sem respirar e sem méritos: “Façam por merecer isso”.