Para a entrada de Scarpa, você tiraria o Dudu?

Gazeta Press
Gazeta Press


A resposta mais óbvia, depois da indignação com a pergunta, é: "Claro que não, tira o Willian". Bastou eu me manifestar algumas rodadas atrás sobre o desempenho do camisa sete no início da temporada que a revolta já começou. Parece que, ao se tornar intocável, com suas presentes declarações de amor ao clube, o jogador passa a se tornar imune a críticas - que é o maior erro que podemos cometer. Mimamos e protegemos escolhidos, na mesma proporção em que crucificamos outros, sem a maior cerimônia. A regra deveria ser uma: não existe jogador intocável no Palmeiras.


Veja, não estou pedindo a saída do Dudu. Estou pedindo, sim, a sua opinião. Se você fosse o Roger, teria coragem?


Sejamos pragmáticos: futebol é uma batalha por espaço e quando se ganha o meio campo, com qualidade, os atacantes ficam bem servidos, a defesa recupera a posse de bola mais facilmente e conseguimos nos manter a maior parte do tempo no ataque. Se não no ataque, pelo menos sem sofrer pressão. O controle do jogo se baseia nos jogadores que temos na zona central e, que maravilha, o Palmeiras tem os melhores.


Não existe a necessidade de iniciar a partida com três atacantes, quando podemos ter três meias que se apresentam para o jogo, sendo que dois deles (Gustavo Scarpa e Lucas Lima), aparecem constantemente na área para finalizar as jogadas. Scarpa é, provavelmente, em anos, o nosso melhor finalizador à distância. Com o chute mais consistente e consciente, dentro e fora da área. Se não bastasse, ainda podemos ter as cobranças de falta divididas entre ele e Lucas. Não que uma partida contra o Ituano seja o suficiente para avaliar como será o seu desempenho no Palmeiras, mas sabemos bem o que ele representava no Fluminense - e ontem foi só uma degustação de um show que vamos (querer) pagar pra ver.


Gustavo Scarpa dá sinal que tirou as correntes que prendiam suas pernas e a camisa de duzentos quilos que vestia para jogar ainda em sua curta trajetória pelo Palmeiras. Isso tem um lado bom, que "finalmente o craque estreou", e o ruim: quem o roger tiraria para efetivá-lo no time.


Às vezes parece besteira discutir titularidade quando podemos ser um time completamente rotativo, visto a qualidade do nosso banco de reserva e quantidade de jogos no ano. Estudando o adversário, conseguimos colocar os jogadores que, estrategicamente, funcionarão melhor a cada jogo. A força ofensiva com três atacantes é uma boa opção, mas que eu, pessoalmente, prefiro deixar para o segundo tempo - em caso de um empate ou necessidade de virada.


Acontece que, mesmo em um time adaptável, não existe lugar para um craque ficar no banco. Entre os jogadores que podem ser nomeados como insubstituíveis, nosso camisa catorze, certamente, pode ser um deles.
Borja recuperou a confiança e é o artilheiro do time, então não é uma opção sacar o centroavante do time (que está em um claro momento de recuperação e evolução). Em jogos em que não poderemos contar com a sua presença, é viável jogar com o falso nove. Mas não com o Willian, que não desempenha um bom papel na posição. Talvez testar o Gustavo da mesma forma que utilizávamos o Gabriel Jesus, então manteríamos três atacantes, intensidade e bom poder de finalização.


No caso de dois atacantes (minha preferência; tire o jogador de sua escolha), com o Bruno Henrique em uma clara dedicação em busca da titularidade: Felipe Melo, Bruno Henrique, Lucas Lima, Guerra e Scarpa, estejam, hoje, aptos a garantir a melhor opção de meio campo. Bruno, no lugar do Tchê Tchê (que tem sido irregular), é o típico volante que aparece para o bate (não à toa marcou duas vezes, e na Libertadores). Então, ganhamos na marcação, ao lado de Felipe Melo, e garantimos um elemento surpresa na zona da grande área adversária. Moisés ainda está voltando, vamos com calma.


Uma boa surpresa é saber que o Tchê Tchê pode ser aproveitado na lateral direita, na falta de Marcos Rocha. Está aqui, mais uma vez, a importância de um time em que os jogadores são capazes de exercer várias funções.


Outro lado positivo é que o Dudu passa a ser um homem mais livre dentro de campo, sem tanta necessidade de se mostrar o homem do jogo (que garantiu seu status de ídolo). O lado ruim? Tem que tomar cuidado para não ser engolido por um meio campo entrosado, de altíssima qualidade.


Sobre a nossa zaga, uma coisa sabemos: Juninho e Thiago Martins não são os nomes para o ano. Antônio Carlos é o dono da vaga, ao lado de Dracena. E precisamos contratar mais um para o Brasileiro e Libertadores.


Ituano é um time de qualidade técnica inferior, claro, mas o Palmeiras havia perdido para o São Caetano, em casa, e empatado com o Linense (rebaixado). Talvez o caminho esteja se apresentando, finalmente.


Com tudo isso, ainda não sei qual atacante eu tiraria.


Quer saber? Tá muito difícil ser o Roger. Boa sorte, professor.