Amores genuínos e o apagar das luzes: vejo vocês por aí

Fabio Piva
Fabio Piva


São nas despedidas que a gente se dedica a relembrar, detalhamente, de todos os acontecimentos que construíram uma história nas nossas vidas. Nos últimos dias voltei aos textos anteriores, principalmente aqueles do comecinho e notei um coisa: a menina irracional, de incorrigível otimismo e de quase ingenuidade cega pela paixão ao Palmeiras, não existe mais.


O tempo, as experiências, as pessoas, as viagens, o interesse profundo pela história do futebol e o sofrimento me mudaram. A paixão doentia e insustentável deu lugar a um amor, ainda que incorrigível, capaz de me tornar uma pessoa mais ponderada - admito que mais nas análises do que na postura na arquibancada (acredito que dificilmente vai mudar). Enxergo que a criança que entrou no Palestra Itália, com o ingresso a R$20, e se encantou com as bandeiras, assim como a Luana que passou por três revistas e um cerco para torcer pelo seu time na final, com o ingresso a R$280, no mesmo estádio, se entregaram genuinamente ao que escolheria como casamento vitalício: o futebol.


É no apagar das luzes de um estádio que você nota que não existe vazio. Somos capazes de enxergar exatamente de onde saíram as jogadas, a grama que ficou fora do lugar e a explosão da torcida (ou o silêncio dela). A construção emana experiências que vamos passar a vida contando.


Foi sentada na amarela do Pacaembu vazio e abraçada ao vidro do Allianz, atrás do gol sul deserto, que percebi que o futebol nos move anos a fio justamente por não exigir nada além da passionalidade: de sermos exatamente o que somos, sem julgamentos, sem repreensões, sem a chata obrigação de ter que colocar o cérebro na frente do coração. Foi assim que me senti escrevendo sobre o meu maior amor durante esse tempo.


Anos vão passar, todos vamos mudar, nossas vidas, nosso jeito, os relacionamentos, mas seu lugar na arquibancada vai permanecer intacto - sem te questionar as mudanças, pronto pra te receber.


Escolhi o futebol por isso, por ser incapaz de viver para alguma outra coisa a qual eu não possa me jogar inteiramente.


Escrever, viver o futebol e se entregar são formas genuínas de viver o amor.


No mesmo apagar das luzes que encerra um jogo e inicia outro, como um ciclo, me despeço. Mas com a garantia de que ainda vamos nos encontrar por aí muito em breve.


Todo agradecimento do mundo a todos que fizeram parte disso e me deram um lugar privilegiado para viver essas temporadas de muita alegria. Principalmente ao editor deste site, Fabio Chiorino, que me trouxe e me apoiou em cada uma das escolhas.


Mandem mensagem e mantenham contato pelas outras redes, assim eu posso dizer onde começarão as próximas temporadas.


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Avanti, Palestra!


Que este nunca deixe de ser o Nosso Sentimento.


Foto do texto: Fabio Piva