Palmeiras: quando ganhar um clássico não é mais que obrigação

Ganhar do São Paulo no Allianz Parque, na noite de sábado (2), é mera obrigação para o time do técnico Roger Machado.


É triste constatar isso em relação a um clássico que já foi o mais temido pelos palmeirenses no começo dos anos 1990. É triste constatar que a situação do técnico no comando do Palmeiras chegou ao ponto de pressão em que bater uma das camisas mais pesadas do futebol nacional apenas joga água na fervura, sem apagar o calor que cozinha o treinador em fogo alto.


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O problema para Roger é que esse, talvez, seja o Choque-Rei a que o São Paulo chegará em melhores condições nos últimos seis anos. A última vez em que o rival da Vila Sônia demonstrou tanta força às vésperas de enfrentar o Palestra foi em 2012, no Morumbi. Os palmeirenses se lembram bem do que ocorreu naquele jogo - e, em especial, do que aconteceria meses depois.


Sergio Barzaghi/ Gazeta Press
Sergio Barzaghi/ Gazeta Press

Dudu, revolta-se com derrota para o Sport, na última rodada


Rememorar aquela partida evoca sentimentos antagônicos. Perceber como o clube evoluiu no período traz uma sensação de alívio. De lá para cá, vieram três títulos, o Allianz Parque, uma geração de receitas absurda, organização interna e um elenco recheado de bons jogadores.


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Por outro lado, apesar de tudo isso, o torcedor alviverde, mais uma vez, chega às vésperas desse confronto com frio na barriga e um descontentamento feroz com o fato de que esse time aí, do parágrafo acima, está patinando para engrenar. E isso, para não usar uma expressão de baixíssimo calão, beira o insuportável.


Pode jogar a favor do Palmeiras a confiança excessiva dos adversários. Não foram poucos os amigos são-paulinos que me procuraram nos últimos dias para gozações prévias sobre a queda do tabu na casa alviverde. A alma tricolor é assim. A confiança de quem já foi mesmo “soberano” está sempre a rondar torcida, time e diretoria.


Assim como a desconfiança, a sensação de que tudo vai dar errado e a necessidade de que time, comissão técnica e diretoria entendam o que é o Palmeiras, de que se dediquem até com mais espírito do que corpo, está sempre colada ao palestrino.


Que a combinação acima possa ser entendida pelo grupo é tudo que espero para amanhã em termos de postura.


Muda, Roger


Já no campo, eu quero mais que vontade e entrega.


Se mantiver o que o time tem feito nas últimas partidas em casa, Roger tem boas chances de sair do estádio alviverde derrotado. O São Paulo de Diego Aguirre não vai jogar aberto na casa do rival. Pragmático, o uruguaio vai explorar as costas dos laterais alviverdes e esperar por um contra-ataque, certamente.


Também vai dobrar a marcação nos lados do campo, para impedir os avanços de Keno e, ao mesmo tempo, forçar a subida dos laterais palmeirenses, abrindo corredor para seus pontas correrem por ali.


Não precisa nem saber muito de tática, como sabe o professor Machado, para entender que o caminho da vitória está no meio. E não é com a “paciência” excessiva e os toquinhos curtos de Lucas Lima e Dudu que isso vai acontecer. É preciso infiltrar, jogar entrelinhas. E entre os jogadores ativos do elenco atualmente, só Hyoran tem essa característica.


Grandes jogadores são forjados em grandes momentos. A hora é do garoto, Roger. Coragem, meu chapa.