Palmeiras, não me leve a mal, mas eu estou precisando descansar de você

Palmeiras, Palmeiras. Como você já me irritou neste ano…


Não me leve a mal, mas como é bom poder tirar férias de você, por alguns dias. Se eu estou irritado, creio que você não esteja se sentindo muito diferente. Se eu estou cansado, imagina você, que estava no campo naquela final contra o Corinthians. Que perdeu para o Sport. Que tomou aquele empate contra o Boca, com direito a gol do Tevez...


Djalma Vassão/ Gazeta Press
Djalma Vassão/ Gazeta Press

Dudu olha para o céu. Talvez busque espaço para respirar. Todos estamos precisando.


Falta equilíbrio emocional a você. A mim também. Eu sei como é. Se em vez de peitar Cuellar, Dudu tivesse simplesmente esperado pelo inevitável cartão vermelho que seria mostrado ao colombiano, você poderia ter saído para a pausa da Copa do Mundo muito mais próximo da ponta do campeonato.


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O empate por 1 a 1 com o bom Flamengo do técnico Barbieri é um resultado até aceitável. Mas que acaba sendo frustrante quando se soma às escorregadas que você deu contra Chapecoense, Sport e Ceará.


Se tivesse aproveitado apenas uma das muitas oportunidades de gol que criou, você teria ido descansar cheio de brios e esperança no título. Mas não. Nervoso, sempre urgente, sempre no limite da emoção, você, mais uma vez, não se ajudou.


Se isso, se aquilo.


Você, comandado pelo Roger Machado, opta com frequência pelo caminho mais tortuoso. E deixa assim, não apenas tortuosa, mas torta, sua jornada no campeonato nacional.


A Copa do Mundo veio a calhar. Vamos respirar.


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Com 19 pontos e a oito do líder do Brasileiro, você parece estar com seu caminho do segundo semestre já rascunhado.


Pense comigo:


Neste ano, você não é ruim, mas também não é bom. Ganha jogos difíceis e perde outros fáceis. Demonstra frieza e inteligência em alguns momentos, imaturidade e nervosismo excessivo em outros. Sai da organização para a bagunça em questão de dois lances.


Um time com esse perfil não parece se encaminhar para a conquista de um torneio de regularidade, como é o Brasileiro. E tampouco parece que vai ter os nervos nos lugares para encarar partidas eliminatórias das Copas que disputa. Mas pode ser que talvez dê para você se organizar para fazer desse seu caminho.


Em outras palavras: na montanha-russa que virou seu desempenho neste ano, sua chance de sucesso parece apontar para a Copa do Brasil e para a Libertadores. O segredo é o ajuste de timing. Se você conseguir trabalhar para seus momentos de alta coincidirem com as decisões de mata-mata, pode até ser que termine o ano levantando um troféu.


Mas também não precisa já dar adeus ao Brasileiro, calma. Tranquilidade. Já que, neste ano, você não deve ser vidraça, não deve equipe a ser batida (esse papel vai ficando com o Flamengo), saiba se livrar da parte negativa da pressão pela conquista e jogue bola. Jogue bem, com vontade, sem peso.


Quem sabe, você não acaba beliscando algo, se souber ficar ali próximo do G4 - longe o bastante para não ficar obcecado pelo título, mas suficientemente perto para ter chance de conquistá-lo?


Bom, descanse um pouco de mim. Eu, certamente, preciso descansar de você.


Até a volta.