Pedir a cabeça de Roger é jogar contra o Palmeiras

Eu não queria ter que começar o meu blog no ESPN FC falando sobre isso. Aliás, eu não queria ter que falar sobre isso nunca. O torcedor do Palmeiras que pede a demissão de Roger Machado não aprendeu nada com os últimos anos. Pior, além de estar completamente equivocado em fazê-lo, esse tipo de torcedor mostra uma clara (e preocupante) dificuldade matemática. Eu sei. Futebol é mais do que números. Mas quando os números são gritantes (e acreditem, são), temos que levá-los em conta.


A maior torcida organizada do Palmeiras pediu a saída do treinador nos dias que sucederam uma derrota para o Corinthians. Eu mesmo costumo dizer que não pode se levar em consideração nada que acontece três dias depois de um clássico, seja para o bem, ou para o mal. Não devemos nos empolgar, como não devemos querer jogar tudo para o alto. É simples.


Passado o hype do “Fora, Roger”, o Palmeiras fez duas boas partidas contra Junior Barranquilla e Bahia. No jogo contra os colombianos, aliás, antes do começo e no intervalo da partida, gritos de “Fora, Roger” eram ofuscados pelos gritos de “Palmeiras, Palmeiras”. E essa foi a maior vitória daquela partida. De verdade, foi mesmo.


Demitir Roger Machado não faria o menor sentido. “Ah, mas técnico que perde para o Corinthians toda hora não serve pra treinar o Palmeiras”. Até porque só ele enfrenta o Corinthians, né? Até porque Corinthians e Palmeiras são os dois únicos times do Brasil, né? Vamos mandar o time inteiro embora também? Eu fico pensando se aqueles que queriam a demissão do Roger escutavam aquilo que saía de suas bocas. Sério. É muita ignorância.


Eu entendo, cazzo, sou palmeirense também. Perder para o Corinthians é uma mer**. Mas não dá pra justificar uma demissão só em cima disso. Ou vão dizer que o trabalho dele é ruim? O Palmeiras foi vice-campeão paulista (do jeito que foi), está virtualmente classificado na Copa do Brasil, é um dos quatro primeiros colocados do Campeonato Brasileiro e ainda foi o melhor time da fase de grupos da Libertadores. Se eu falasse para o palmeirense no começo do ano que, em maio, teríamos 21 vitórias, cinco empates e cinco derrotas nos 31 jogos do ano, ninguém acreditaria em mim. Vão falar que tá ruim?


Uma partida contra o Corinthians, seja ela uma vitória ou uma derrota, não deve valer mais do que três excelentes campanhas em três campeonatos diferentes. Não deve porque não é! Claro que o clássico é importante, claro que todos queremos ganhar do Corinthians sempre, mas não é o fim do mundo. Um jogo de futebol tem dois times. Raramente, há só demérito ou só mérito. Neste caso, como na maioria, não é só demérito do Palmeiras. É mérito dos caras também!


Aliás, queria saber qual a grande solução que os sabe-tudo têm para o lugar de Roger. E se a resposta for Luxemburgo, Felipão ou algo parecido, por favor, poupem a voz de vocês e os nossos ouvidos. O Palmeiras está bem. O time está jogando bem, está evoluindo e quando não lidera, disputa pescoço a pescoço todas as competições.


Eu ouvi de um amigo no começo do ano que a única coisa que poderia atrapalhar o Palmeiras neste ano era a torcida. E ele estava certo. Alguns, não todos. Por favor, não atrapalhem o Palmeiras. Deixem o Roger trabalhar, deixe o time evoluir naturalmente e não se desesperem quando contratempos acontecerem. Acreditem, o ano é longo, eles vão acontecer.


Não vamos confundir vontade de ganhar o jogo com desespero. O time precisa de nós. E já provamos, neste ano, como somos fortes juntos. Eu estava em Buenos Aires. Eu vi. Eu senti. Estamos todos no mesmo barco. Quem realmente quer o bem do Palmeiras, pelo menos, está. Sigamos assim. Juntos.


Aqui é sem frescura. Sem meias verdades e sem meias palavras. Sempre verde no branco.