Dudu tem que ir para a reserva. Simples. E já

Antes de começar, peço que não se deixe levar apenas pelo título deste texto e que leia até o fim. O Dudu é o meu jogador preferido do Palmeiras. Eu cresci vendo Max Pardalzinhos, Felipes Menezes, Luans, Patriks e outras lástimas vestindo a camisa do Palmeiras. O Dudu é muito querido por mim também. Por isso eu segurei esse texto. Não quis escrever logo após a derrota para o Sport para não parecer uma reação daquele resultado. Dormi e acordei quatro vezes desde aquele dia. E o sentimento se manteve. Ele tem que ir para o banco.


A primeira justificativa que encontrei é o que eu apresentei para mim mesmo, numa busca desesperada por saber se eu realmente tinha certeza daquilo que estava propondo, como justificativa tática.


Keno vem sendo, discutivelmente (e provavelmente), o melhor jogador do Palmeiras nesta temporada. Com oito gols e muita participação em praticamente todas as partidas, Keno tornou o lado direito do ataque do Palmeiras o mais perigoso. Sua dupla com Marcos Rocha, excelente lateral apoiador, torna o Palmeiras mais perigoso.


Quase sempre que Keno recebe a bola, os outros jogadores se afastam dele, o que chamamos no basquete de “isolation”, deixar o nosso 11 na situação do um contra um. Nessas jogadas, Keno é praticamente imparável, o que acaba criando muitas chances de gol. Contra o Sport, Dudu teve, pelo menos, três chances de finalizar de dentro da área, mas, não foi bem sucedido em nenhuma delas.


E era exatamente nisso que eu queria chegar. Já que a maioria das jogadas agudas do Palmeiras é criada pelo lado direito, precisamos ter (no lado esquerdo) um finalizador. Alguém que empurre para dentro se a bola passar pelo Borja. E esse jogador é o Willian. Talvez empatado com Keno disputando o posto de melhor do ano, Willian não recebe todo o valor que deveria receber.


Então é basicamente isso. Com a incisividade de Keno, precisamos de alguém no segundo pau que empurre a bola para dentro. O Dudu não é esse cara. Hoje, agora, neste momento, é o Willian. 


Agora vamos para a parte mais difícil do texto. A justificativa emocional. Eu gosto de trabalhar com fatos. Como o próprio “quem sou” do blog diz, gosto de verdades, não de especulações. E a verdade, neste caso, é que Dudu não joga bem desde que houve a proposta da China. E isso é, no mínimo, estranho.


Estranho também ele, como capitão do time (mesmo que não tivesse sido contra o Sport), deixar Keno bater o pênalti no último minuto. “Como assim? Eu sou o capitão dessa bagaça. Dá a bola aqui, cazzo”. Era o que deveria ter acontecido. Keno nunca foi batedor de pênaltis, Dudu já. A responsabilidade, como “veterano” do elenco, era dele e apenas dele.


Serei eternamente grato ao nosso camisa 7 por ter sido destaque do time em duas temporadas vitoriosas, a de 2015 e de 2016. Mas Dudu não atravessa um bom momento. Se você lembrar bem, em 2016, uma proposta também mexeu com o nosso baixinho. E ele também parou de jogar. Cuca, na época, o deixou no banco por duas partidas. Quando voltou, veio com a tarja de capitão. E o resto é história...


Talvez isso não seja necessário em 2018. Com a Copa do Mundo, Borja está fora do Palmeiras nas próximas partidas, o que acaba dando uma sobrevida ao camisa 7 como titular absoluto. Mas é bom que ele aproveite as próximas partidas para mostrar que ainda merece sair jogando. Ninguém deve ter lugar cativo nesse Palmeiras. Nem o Dudu. Até porque tem gente pedindo passagem.

OBS: Para a felicidade da @ClaraPaivasep, preciso ponderar que o menino Roger Guedes também poderia ocupar essa função facilmente. Pela bola que tá jogando no Galo, era titular fácil desse time. Mas... deixamos ele escapar. Hora de admitir que o malinha tá fazendo falta?