Roger, nós não somos imbecis

Começo esse texto com dor no coração. Afinal, estreei o blog aqui no ESPN FC com um texto defendendo a permanência de Roger Machado no comando técnico do Palmeiras. E, sobre isso, continuo irrefutável. Tem que ficar. Se vocês vieram até aqui achando que o texto de hoje é uma compilação de críticas e pedido de cabeça de técnico, esqueçam. Posto isso, Roger, não brinque com a gente.


O Palmeiras fez uma partida espetacular na Arena do Grêmio na última quarta-feira. Uma partida diferente, até, do que vínhamos fazendo fora de casa. Ficou claro que o Roger arma muito bem o time para jogar no contra-ataque. Foi assim na Bombonera, foi assim na Arena da Baixada e foi assim em Itaquera, na primeira final do Campeonato Paulista. Mas, curiosamente, não foi assim contra o Grêmio.


Não foi mesmo. O Palmeiras JOGOU BOLA na Arena do Grêmio, contra o “melhor time do Brasil” e venceu. Venceu com autoridade. Jogando mais, enfiando 2 x 0 na cara de quem não tomava dois gols em casa há um bom tempo. Detalhe, logo depois de uma virada espetacular no clássico contra o São Paulo. Que sequência linda. Quem é o próximo? O lanterna Ceará. Ah, não tem como não ganhar depois do que fez no Sul, né? É. Mas com o Palmeiras, vocês estão cansados de saber, o buraco é beeeem mais embaixo.


Sem se esforçar, o Palmeiras fez 2x0 no Ceará em cerca de 20 minutos. Jogo praticamente ganho, né? Nenhum time sério faz 2x0 no lanterna do campeonato e toma o empate. Nenhum. Não podemos nos dar esse luxo. Já somamos SETE PONTOS perdidos contra times PE-QUE-NOS. Empate em casa contra a Chapecoense, derrota em casa para o Sport e empate/derrota para o Ceará fora.


Fica claro que jogadores e comissão levam uns jogos mais a sério do que outros. Meus amigos, não adianta NADA ganhar do Grêmio no estádio que for e empatar com o lanterna do campeonato. Todo jogo vale três pontos. Não tem diferença. Ou o Palmeiras começa a levar todos os jogos a sério, ou teremos um 2017 interminável. Não tinha caído do salto? Contra Boca, Grêmio e São Paulo, pareceu que sim. Contra esses três que citei, pareceu que não. E, aí, Palmeiras, quem é você de fato?


Por fim, eu não vou criticar as alterações do Roger. Não vou criticar o esquema tático da partida. Não vou criticar nem a postura dos jogadores. Alguns destes pontos – criticáveis ou não – escaparam da minha cabeça quando o nosso técnico começou a falar. Ele teve a pachorra de dizer, com todas as letras e em alto e bom som que “o Palmeiras CONQUISTOU um ponto fora de casa”.


Ele está de brincadeira? Como conquistou um ponto? Isso, para mim, é chamar a gente de otário. Ou alguém realmente acha que ele entrou no vestiário cumprimentando o time, saudando o Jaílson, o Dudu, o Lucas Lima. “Bom empate, galera!”. É óbvio que não.


Nunca me incomodou o fato de ele ficar sentado durante a partida. Não me incomoda o “tatiquês” na hora de explicar coisas simples. Não me incomoda a insistência em algumas alterações. Me incomoda ter o sentimento de estar sendo feito de trouxa. E isso, Roger, a torcida do Palmeiras não vai admitir. Lembre-se, estamos no mesmo barco. Nós, os torcedores de verdade, estamos mesmo com você. Mas tudo tem limite. 


PS: Roger Guedes, a "maçã podre do elenco", é o artilheiro do campeonato com 8 gols em 11 jogos. Mas esse assunto fica para outro dia.