Os resultados caóticos do Paraná Clube podem representar mais do que um campeonato estadual ruim

Não é segredo para ninguém o descontentamento da torcida Paranista com o início de temporada caótico apresentado pelo Paraná Clube. O que vemos ser discutido hoje é o motivo disso ter acontecido, quem são os responsáveis e o que é possível fazer para mudar essa situação e começar a apresentar os resultados que todos esperam.


Com todas as festas e toda a alegria pós acesso em 2017, era de se esperar que a diretoria tricolor estivesse, ao menos, pensando em como levar a temporada que se aproximava. O tempo é curto, isso também não é segredo para ninguém. A tabela proposta pela CBF exige muito de qualquer elenco e, se alguém não está preparado para isso, sofre as consequências.


Não preciso ressaltar aqui que todas as desculpas em torno de resultados ruins giram ao redor disso. Já estamos acostumados a ouvir dirigentes, técnicos e jogadores justificando o baixo rendimento dessa forma. Mas se o calendário é apertado para todos, por que alguns times se destacam independente desses detalhes?


Recebemos, de diversas maneiras, inúmeras justificativas para o que vemos em campo, porém, são poucas as ações para mudar isso. Os resultados foram tão ruins para os lados da Vila Capanema que até o técnico já caiu – o que aumenta a pressão em relação ao planejamento que a diretoria afirma possuir. Em coletiva, após a demissão do técnico Wagner Lopes, o executivo de futebol, Rodrigo Pastana, disse acreditar que todas as contratações não foram o fator principal para esse resultado final.


Gazeta Press
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Rodrigo Pastanta em coletiva.


“Confio e tenho convicção no que faço. Na pré-temporada do ano passado, por exemplo, fizemos dois amistosos e perdemos. Falaram que íamos para Série C, mas subimos. Confio nesses atletas contratados. Não posso acreditar que esse time que temos não pudesse estar entre os quatro do Paranaense. Estamos disputando com equipes que não estão se sobressaindo, isso é um absurdo e sou cobrado por isso”


Apresento aqui alguns números que são importantes para que possamos entender melhor o que aconteceu na primeira fase da competição estadual e para rebater algumas afirmações realizadas por Pastana: foram seis partidas disputadas pela Taça Dionísio Filho, apenas uma vitória, dois empates, três derrotas e um aproveitamento de 27,8% contra times que, segundo o mesmo, não estão de sobressaindo. Vamos acrescentar também o desempenho do time no jogo que garantiu a classificação para a próxima fase da Copa do Brasil. Um empate triste, apagado, um futebol pífio e desanimador.


O Paraná Clube é o time que mais contratou nesse início de temporada. Como dito em outra oportunidade, não chamarei nenhum contratado de reforço até que se prove que realmente se trata de um. Temos hoje um elenco extremamente limitado, muitas falhas e nenhuma organização em campo – fator esse que levou à queda de Wagner Lopes e mais uma falha no “planejamento”.


O trabalho realizado pela diretoria Paranista desde o começo de 2018 não pode ser considerado, sequer, aceitável. Com o que vem apresentando em campo, o time trouxe uma preocupação desnecessária e que pode prejudicar o clube em diversas áreas. Não preciso lembrar que o resultado que obtemos a cada partida é um fator importantíssimo para atrair novos sócio e mais torcedores para as arquibancadas.


Em uma breve analise da tabela da primeira parte do campeonato, apenas dois times tiveram um desempenho abaixo do apresentado pelo Paraná Clube. Já passou da hora de a diretoria perceber que não podemos viver de incógnitas em um ano tão importante como esse. O retorno à elite do futebol brasileiro não pode ser apenas uma fase, não pode ser um trabalho feito de qualquer forma ou contando com a sorte. Precisamos de planejamento, precisamos de um elenco competitivo e com vontade de vencer, precisamos vestir a camisa e mostrar que vamos encarar quem quer que seja.


Que a teimosia e amadorismo por parte de alguns dentro do clube não nos faça perder todas as oportunidades que surgem em nosso caminho. Que a ação e as novas atitudes apareçam enquanto ainda há tempo para que não tenhamos que lidar com uma temporada fadada ao sofrimento.