Que Sheik esteja conosco

por Rodrigo Vieira, autor convidado


É um privilégio ter Emerson Sheik vestindo a camisa da Ponte Preta. Coleciona várias glórias em clubes com as maiores torcidas do mundo, e mesmo assim honra nossa faixa transversal como um menino estreando no futebol profissional.

Beira os 40 e dá carrinho na lateral para evitar contra ataque adversário... Não precisa de mais fama, reconhecimento, treinos exaustivos. Falta de dinheiro também não o aflige, e não seria a Ponte um clube para salvar logo o Sheik de algum problema financeiro.

É por isso que os pontepretanos têm de se sentir honrados com um craque como esse de braçadeira de capitão, e jogando em tão alto nível. Aliás, não só jogando como ensinando, liderando, comandando em campo. Isso nada mais é do que o reconhecimento de quem nos trouxe três pontos ontem. Sheik voltou a ser o responsável direto pela vitória e pela dose de oxigênio em relação à zona da degola, principalmente após vitórias expressivas, longe de seus comandos, de concorrentes diretos como Chapecoense e Vitória contra Série B 2018.


Gazeta Press
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Voltamos a jogar o campeonato da fuga. Se estivemos relativamente tranquilos nos dois últimos anos, o mesmo não ocorrerá este ano. Com o perdão da negatividade, novamente tenho que escancarar algumas das nossas feridas mais óbvias. Não fosse o canhão certeiro de Emerson Sheik no finalzinho da partida, estaríamos lamentando uma série de situações:

- Leo Arthur com a 10 é uma delas. Com todo respeito ao lado humano, mas não dá. Não tem nível de Série A. O garoto Saraiva em três ou quatro minutos levou mais perigo, foi mais efetivo do que seu substituto no jogo inteiro. Chega, Kleina.

- O gol perdido por Élton também é inadmissível. São esses lances que fazem a diferença de um time rebaixado para um time que se mantém na primeira divisão, simplesmente porque um time de primeira divisão não pode se dar ao luxo de errar um gol na pequena área no momento mais crítico da partida. Não dá.

- O carrinho de Lucca dentro da área e a morosidade de Marllon que quase resultou em lambança no primeiro tempo mostram um time sem concentração, sem vontade, virando as costas para fundamentos do futebol.

A Ponte novamente entrou em campo parecendo um catadão. Fomos dominados em vários momentos da partida por um time misto do Botafogo. Não é porque levamos os valiosos três pontos que isso tem de ser de alguma forma maquiado. Os três pontos devem ser comemorados, sim. Trazem um alívio enorme para trabalhar a sequência, mas temos um segundo turno pedreira pela frente, e um time sem liga. Jair Ventura deu um banho em Gilson Kleina, essa é a verdade.

Vimos uma Ponte sem proposta de jogo, sem atenção, sem liga, sem entrosamento, mas com Emerson Sheik, a melhor contratação do ano. E que ele esteja conosco e se torne um expoente na campanha de permanência, pois esse é nosso campeonato este ano.