Macaca vira bagunça em campo e perde mais uma em casa

O nível de futebol jogado neste Campeonato Brasileiro de 2017 é muito baixo. Não adianta se iludir esperando toda rodada um grande jogo de seu time, ainda mais uma equipe como a Ponte Preta, que tem, declaradamente, o objetivo de apenas se manter na elite nacional esse ano e um elenco fraco para tal. A própria péssima campanha do Atlético-MG, rival deste domingo, é uma prova disso. O Galo gastou uma fortuna na montagem de seu elenco visando brigar por todos os títulos do ano, tem peças de muito nome - algumas nem tanto - e não consegue jogar um bom futebol. 


Por esses motivos, jogar mal virou padrão no Brasileirão. Assim como ter uma arbitragem, em todas as partidas, que gosta de ver o jogo truncado e marca qualquer encostão. Não sei se talvez com medo de se comprometer em algum lance ou simplesmente como recomendação da confederação. A qualidade das apresentações fora do Brasil e dentro do país passa diretamente por critérios em marcações de falta e como até os atletas se "adaptaram" a isso e jogam de maneira diferente, sempre cavando faltinhas e reclamando de qualquer apito. Foi mais uma vez assim a arbitragem de Rodolpho Toski Marques, do Paraná, ontem. E se o jogo já era ruim, conseguiu piorar por causa dele. 


Dito isso, é importante analisar que, em mais uma apresentação pífia da Macaca em campo, algumas coisas não podem passar em branco. Quando a vitória vem, mesmo sem a atuação convincente, muita coisa é relevada. Foi isso que aconteceu na rodada anterior, quando a Ponte bateu o Botafogo num lampejo de Sheik ao final da partida, mas passou sufoco em muitos momentos do cotejo chuvoso. 


Ontem, a derrota de virada, por 2 a 1, escancara o quanto a equipe está abaixo do esperado. 


O jogo


Num primeiro tempo sem inspiração de ambas as partes, Aranha foi o nome da Ponte, ao salvar a Alvinegra campineira de sair atrás do placar. O 'cai cai' Valdivia, quando ficava em pé, era quem mais levava perigo pelo lado do Galo.


No ataque, a Ponte esbarrava em um certo nervosismo de Felipe Saraiva, em sua primeira vez como titular. Apesar disso, o garoto foi bem. Emerson Sheik assumiu a responsabilidade de armar as jogadas como um 'camisa 10' e, por isso, esteve longe de decidir e finalizar na área. 


O poder de decisão, então, veio de uma prova de que Kleina errou nas últimas escalações ao deixar Nino Paraíba na reserva de Jeferson, ontem improvisado na esquerda. O lateral-direito cruzou perfeitamente de canhota e o goleiro Victor saiu errado. A cabeçada foi de um acerto de Kleina na contratação de Léo Gamalho - o primeiro centroavante contratado para o elenco da Ponte desde a venda de Pottker EM FEVEREIRO. Isso não alivia os sucessivos erros de indicação de contratações do mesmo treinador, como por exemplo o afastado Negueba.


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Chegou o centroavante. Não era bem o 9 que a torcida esperava, mas Léo Gamalho mostrou que pode ajudar


Na frente no placar, a torcida pontepretana já esperava um time ainda mais recuado para a segunda etapa, como é de praxe e característica marcante de seu treineiro. A Ponte teve oportunidade de ampliar o marcador, mas o chute de Sheik, após ótima jogada de Saraiva, ficou nos pés do frangueiro-milagreiro São Victor.


Depois disso a Macaca virou uma bagunça. Muito por conta das substituições que foi obrigada a fazer por lesões de seus meias. Primeiro saiu Jadson para a entrada de Wendel e Maranhão foi promovido no lugar de Saraiva, que acusou cansaço. Nisso, o time da casa parou de jogar. Não conseguia armar nenhuma jogada de perigo, pois não era capaz de sequer manter a posse de bola no meio-campo. O horrível Maranhão não tocou na bola e não conseguiu ajudar na marcação como precisava a alvinegra. 


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Saraiva fez boa partida e saiu sentindo desgaste. Quando Maranhão entrou, virou bagunça


Pedindo para tomar gol, a Ponte deu espaços e o Galo, também bastante desorganizado, bateu até conseguir empatar. Elias fez valer a 'Lei do Ex' e aproveitou rebote de Aranha para só empurrar às redes. 


Pronto, aí sim virou bagunça generalizada. Sobretudo após Bob também desabar no gramado e ser substituído por Claudinho. O meia-atacante é mais uma insistência sem sentido de Gilson Kleina. Sem nunca ter nenhuma atuação boa ou algo que se dê para louvar com a camisa da Ponte Preta, ele segue como opção. Por isso, Kleina conseguiu jogar a torcida contra a equipe. E o time sentiu muito essa pressão dentro de campo. O nervosismo e a ansiedade também atingiram os jogadores do Galo e a bola passou por uns 5 minutos de horror no gramado. 


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Elias foi oportunista para aproveitar rebote de Aranha e empatar partida


Entre erros de Claudinho que levaram o estádio inteiro a vaiar o time e Kleina e faltinhas marcadas para truncar ainda mais o confronto, o jogo se arrastou até o final, quando Otero teve falta para bater e caprichou na curva. Aranha, vendido, não teve o que fazer para evitar a virada do Atlético. Resultando de vez a revolta dos mais de 5 mil pontepretanos presentes no Majestoso. 


Deu tempo de Wendel desabar na área pedindo pênalti, que não tenho certeza se aconteceu, mas obviamente não seria assinalado pelo fraco juíz. O volante ainda teve outra oportunidade e resolveu penar a bola para a lua ao invés de cruzar e buscar os atacantes. Fim de papo.


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Num jogo tão ruim, a qualidade individual de Otero fez a diferença


Óbvio que Gilson Kleina não é o único problema e sua saída não vai ser mágica para fazer esse grupo fraco voltar a jogar bola. Mas existem desgastes, causados por insistências do treineiro, que não têm mais perdão. Eu já defendi aqui no blog a permanência do treinador no cargo, visando principalmente a estabilidade emocional de um elenco ruim e que precisa do máximo de concentração para seguir vivo nas competições que disputa, sobretudo no mata-mata da Copa Sul-Americana.


Porém, vendo a maneira como o time tem se arrastado para conseguir resultados e na maioria das vezes não logrando sucesso, fica muito difícil imaginar que a troca cause piora. Desde sua chegada, a recuperação da força em seus domínios era um trunfo de Kleina, que nunca soube armar um time perigoso para atuar fora. Agora, a Ponte não assusta ninguém nem dentro nem fora de casa.  


Existem nomes no mercado que agradam o pontepretano e isso causa ainda mais pressão pela saída do paranaense do comando. Eduardo Baptista sempre foi um deles e agora o nome de seu pai, Nelsinho, demitido no futebol japonês, também faz parte dos comentários nas arquibancadas de Moisés Lucarelli. Comentários que já deixaram de ser burburinhos e se tornaram em brados de protesto. Esperamos que não chegue aos gritos de desespero.