Muito prazer, Brasil. Eu sou a Ponte Preta

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O torcedor pontepretano é mais uma vez o destaque do time


 Diante dos olhos de grande parte dos amantes do futebol brasileiro, Ponte Preta e Corinthians se enfrentaram na principal partida da 31ª rodada do Brasileirão. Com o líder em péssima fase e decadência que indicava a possibilidade de aproximação dos postulantes ao título, a torcida da Macaca foi engrossada praticamente pelo Brasil inteiro no domingo.


Mesmo sabendo dessa mobilização, a Alvinegra não tinha nada com isso. Corria atrás de seus próprios deveres e quase desespero, frente uma obrigação de ter de voltar a vencer a qualquer custo para sonhar com a permanência na Série A em 2018.


Com o Majestoso cheio mais uma vez, o torcedor teve papel importante. Foram 13 mil presentes forjando o clima de decisão no caldeirão pontepretano. Do jeito que a imprensa vendia durante a semana e como o próprio adversário da capital via o jogo. Um misto de tentar motivar seus jogadores e também jogar ainda mais pressão ao necessitado time campineiro.


Eles podem até ter tentado reviver a história de terror digna de Halloween fantasmagórico em Moisés Lucarelli, mas em nada lembrou a final do Paulistão desse ano.


Cadê aquele print? 


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Lucca volta a marcar e é abraçado pelos companheiros


Gosto de ser muito cético quando o assunto é o que há por trás do futebol e suas histórias mirabolantes de bastidores. Entendo que haja falcatruas e principalmente conversas paralelas entre clubes, jogadores, dirigentes...


Só que tudo tem limite, galera. O print que rodou a semana inteira no WhatsApp e nas redes sociais - dando a entender de uma conversa entre organizados do Corinthians e que o clube paulistano já havia “arranjado” os zagueiros Rodrigo e Yago e o atacante Lucca (os dois últimos pertencentes ao Timão e emprestados aqui) para entregarem o jogo - era de uma bizarrice tremenda.


Como se o Avaí tivesse precisado comprar Yago e Rodrigo para que cada um cometesse um erro grotesco na partida passada. Ou Lucca, que vinha numa draga danada nas últimas rodadas.


Pronto. Para que essa história caísse de vez por terra ainda no primeiro tempo, Sheik começou a jogada pelo meio e acionou Danilo, que viu a ultrapassagem de Jeferson pela esquerda. O lateral, que é muito voluntarioso, apesar de não saber cruzar nem de direita - seu pé preferido -, imagine com a esquerda, caprichou no cruzamento de canhota na cabeça de Lucca. Como nos seus melhores tempos de artilheiro do campeonato e destaque da Macaca no ano, ele testou forte para o fundo das redes de Cássio e explodiu o Majestoso em comemoração.


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Lucca testa forte de peixinho para matar goleiro da seleção brasileira


 A zaga citada na teoria conspiratória corinthiana também foi muito bem, queimando a língua e salvando a pele de Eduardo Baptista, por enquanto. Ele é o único em Campinas, pelo que ouvimos pela torcida e imprensa, que confia na dupla formada por Rodrigo e Yago. Para a maioria, Marllon e Luan Peres merecem a titularidade. Ontem, os preferidos do treinador fizeram partida muito segura e ganharam todas pelo alto.


Paredão


Porém, o principal destaque do jogo foi o goleiro Aranha. Não fosse ele, certamente o Corinthians teria melhor sorte no resultado.


O arqueiro alvinegro é uma das únicas unanimidades nesse grupo, mas está longe de ficar fora das críticas. É mais intocável pela condição dúbia de seus reservas. Aranha é bom goleiro, já foi ótimo no seu auge, entretanto receba, hoje, duras críticas por limitações de sua idade e do peso. Poucas tecnicamente.


Ontem foi milagreiro e salvou a Macaca em diversas oportunidades claras de gol do adversário.


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O paredão Aranha


A situação é tão delicada, que nem a vitória sobre o líder foi capaz de tirar a Macaca da zona de rebaixamento. Ainda na degola, a obrigação de pontuar segue e vai ser complicado enfrentar o Bahia lá em Salvador. Um time que é conhecidamente carrasco da Alvinegra.


Mas essa é a Ponte Preta. Especialista em perder jogos escondidos e decepcionar sua torcida, como contra Atlético-GO e Avaí em seus domínios. Porém, capaz de superar - não vingar - trauma recente, bater com autoridade no líder do campeonato na raça, deixar seu sofrido torcedor eufórico durante toda a semana e, especialmente ontem, praticamente o Brasil inteiro feliz. Muito prazer.