A Ponte que entrou em campo contra o Bahia é uma ofensa ao torcedor

A Ponte Preta que entrou em campo hoje, contra o Bahia, em Salvador, é uma ofensa ao seu torcedor. Será que vai ter videozinho na internet para pedir apoio na quarta-feira depois de mais uma atuação apática, tecnicamente patética, desorganizada e frágil como a de hoje?


Gazeta Press
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Um Renê Junior ajudaria muito a Ponte Preta hoje, mas essa diretoria preferiu dispensá-lo 


Macaca começou melhor ou o Tricolor entrou dormindo?


É difícil responder. A verdade é que os primeiros minutos do primeiro tempo não tiveram quase nada de relevante. Porém, quando alguém chegava no ataque, era o clube campineiro a se aventurar. Apesar da nítida ruindade dos jogadores selecionados por Eduardo, como o ataque formado por Claudinho e Maranhão, servidos por Elton e Jadson no meio, deu para o torcedor alvinegro se iludir um pouco de que seria uma partida parelha.


Só me incomodava a distância de Lucca da área adversária. Escolhido para atuar na ponta, o jogador mais perigoso da Ponte estava numa região praticamente inofensiva, enquanto Claudinho - que não tem corpo e nem bola pra brigar em meio aos zagueiros - jogava centralizado.


A ilusão foi rapidamente embora, quando Allione conseguiu a proeza de entrar sozinho num meio campo de três volantes, de frente para a área pontepretana. Yago cometeu o erro juvenil de tentar se adiantar e dar o bote no argentino, que é bom jogador e foi inteligente ao acionar Mendoza nas costas do zagueiro. Ele bateu na saída de Aranha. Gol fácil. Praticamente sem nenhum esforço que fizesse os baianos suarem para abrir o marcador. Incrível a facilidade.


Talvez sentindo o baque do erro crasso, Yago falhou de novo no minuto seguinte e a Macaca se salvou na falta de pontaria do ataque do Tricolor. E foi praticamente só isso o que o time da casa precisou fazer para garantir a vitória na primeira etapa.


Ainda antes do apito para o intervalo, Yago - de novo ele, né? - deu uma entrada criminosa, uma tesoura por trás do atacante Mendoza, e deveria ter sido expulso. Acho que o árbitro teve dó da tarde-noite que vinha fazendo o zagueiro e provavelmente mais pena ainda do torcedor pontepretano. Ficou só no amarelo.


Na chance da Ponte, Claudinho desperdiçou cruzamento açucarado na cara do gol.


Mudanças


Para o segundo tempo, Eduardo quis mexer na horrível escalação que propôs ao início. Sacou Jadson e Maranhão para promover Léo Artur e John Kleber.


Infelizmente, em uma de suas primeiras aparições no jogo, o jovem centroavante de 17 anos sentiu lesão ao frear sozinho tentando roubar a bola do goleiro Jean. Um azar tremendo, justo na estreia do garoto como profissional.


A informação era de que JK já havia passado por problemas musculares durante a semana e, mesmo assim, foi para o sacrifício. Numa prova de irresponsabilidade, que pode ter causas graves na carreira do atleta, face ao elenco ridículo montado pela diretoria de futebol e, além de tudo, debilitado fisicamente.


Eduardo foi obrigado a queimar sua última substituição e nisso promoveu outro garoto da base, o lateral-direito Emerson, improvisado na ponta de ataque. Agora me diz se era a hora ideal de queimar garotos, inclusive fora de posição, inventando coisas que duvido muito que foram treinadas. Assim fica muito difícil ter esperanças.


Depois disso, a Macaca, que até ensaiou algum tipo de reação no começo da etapa final, se perdeu completamente em campo. Não trocava três passes seguidos, não tinha movimentação, criatividade, intensidade, vontade, NADA. Não tinha nada. E o Bahia fazendo o tempo passar.


Em um dos poucos lances mais agudos, Edgar Junio saiu na cara do gol após falha bizonha e de completo desinteresse no jogo de Yago e Rodrigo em saída de bola. O atacante do Tricolor foi parado com carrinho, pênalti claro, mas a Macaca sobreviveu outra vez na piedade do árbitro da partida.


Baptista, você tem certeza que quer carimbar sua marca no rebaixamento ao morrer abraçado nessa dupla de zaga?


Porém, nem toda boa vontade da arbitragem e do mundo, poderia selar um resultado diferente. O time do Bahia é extremamente superior e só resolveu matar o jogo quando quis, após não correr perigo nenhum na partida. Edgar Junio recebeu livre na cara de Aranha e fuzilou as redes para matar o jogo e a paz de espírito de cada pontepretano que assistiu essa desgraça de atuação do seu time.


A passividade e apatia dessa Ponte Preta são a cara da diretoria que montou um grupo como esse. Um amontoado que nunca fez nada decente em lugar nenhum e veio vestir a camisa da Macaca esse ano sabe-se lá o motivo. 


Mas o preço agora é azedo e a bola pune a incompetência. Não há investimento que salve a Ponte Preta de um rebaixamento anunciado e dentro de um campeonato de nível técnico absurdamente ridículo. Parabéns à diretoria, ao departamento de futebol e aos demais envolvidos que conseguiram que a Macaca tivesse um dos piores elencos de um dos piores Campeonatos Brasileiros da história. Se a Ponte completa já é uma equipe ruim, não poderia se esperar nada diferente ante os desfalques de hoje na Arena Fonte Nova.