Pesadelo de Bob derruba a Ponte Preta

Quem diria? Nem o mais pessimista dos pontepretanos imaginaria que a volta de Fernando Bob ao clube seria tamanho fiasco. Capaz de apagar o que ele construiu nos anos que vestiu e honrou a camisa alvinegra.


Saiu como gosta de jogar, de cabeça erguida e muita classe, para defender o Internacional. Mesmo não indo bem lá e com outro rebaixamento no currículo, voltou com pompa, reassumindo a braçadeira de capitão que era sua até sair de Campinas.


Sem demonstrar o mesmo futebol, era normal e compreensível a necessidade de uma readaptação à importância que tinha por aqui e obviamente não pesava no Sul. Mas pecou feio em 3 dos 4 gols que a Ponte sofreu nas finais do Paulistão. Poderia se tornar ídolo e ser eternizado na história da Macaca e terminou o campeonato levantando uma taça de vice.


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Bob deu três gols ao Corinthians nas finais do paulista


No Brasileiro, teve momentos de baixos e muito baixos. Primeiro perdeu a braçadeira de capitão para Sheik, como punição, e logo depois a titularidade para Naldo, um jogador de qualidade absurdamente contestável, coisa que ninguém duvida de Fernando Bob. Prova de sua displicência e desinteresse. Ficou no banco por um bom tempo, isso em meio de boatos de uma negociação com o São Paulo que o tiraria da Macaca. Antes tivesse saído.


Quando a Ponte precisou dele, lá estava Bob novamente em campo. Porém, o lado violento, que já havia demonstrado no primeiro semestre, se intensificou. Era praticamente impossível ficar um jogo sem receber cartão e acumulava suspensões, fazendo-se frequentemente ausente de partidas importantes. Destemperado, subia sempre com o cotovelo aberto, se especializou em deixar o pé em divididas desnecessariamente brutas, ou seja, demonstrou zero emocional para ser o líder de uma equipe que precisava dele e de sua experiência.


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Capitão já havia sido expulso muito recentemente contra o Santos


Ontem, contra o Grêmio, foi o ápice disso. A importância do jogo transbordava os muros de Moisés Lucarelli e Bob sentiu a pressão da responsabilidade. Num lance completamente banal na linha lateral, ele chegou muito antes que a marcação na bola e tinha tudo para lançar Danilo em profundidade na linha de fundo. Preferiu dar um chutão e deixou que seu pé atingisse acintosamente o jogador gremista. Na frente do árbitro. Displicência, burrice, desinteresse, descontrole? De tudo um pouco. Isso antes mesmo dos 20 minutos de jogo. O capitão do time colocava tudo em xeque.


Eduardo Baptista, na entrevista coletiva, passou a mão na cabeça do jogador. Disse que “é coisa do jogo”. Entendo Eduardo como sendo uma maneira de “não perder” seu capitão para a reta final do campeonato. Acontece que a Ponte perdeu Fernando Bob em 2015. E não precisa mais dele em campo em 2017, nem nunca mais.


E quem diria que sem Bob em campo, a Macaca, com um jogador a menos, seria melhor do que com ele? Levou o resto do primeiro tempo a banho maria, para arrumar a casinha no intervalo e voltou com gás. 


Na segunda etapa começou pressionando, quase marcou com chute surpresa de Lucca, Marcelo Grohe salvou e pegou também rebote de Elton à queima-roupa. Em contra-ataque cruel, o baixinho Ramiro subiu livre na bola aérea para abrir o placar. Castigo.


Depois disso, a Ponte perdeu inúmeras chances de gol. Foram mais de 20 finalizações e Marcelo Grohe o grande responsável pela manutenção vitória do Tricolor. A Macaca mereceu, não só empatar, como virar a partida. Não foi raça, nem disposição, nem chances criadas que faltaram.


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Em grande fase, Marcelo Grohe é o grande responsável pela vitória do Grêmio


Teve cabeçada de Léo Gamalho, falta de Rodrigo, cabeçada de Lucca, voleio de Sheik. Nada entraria.


Embora o merecimento de um resultado positivo nessa partida, comprometida pela infantilidade e destempero de Fernando Bob, não pode se confundir, de maneira alguma, com a história do campeonato. Por outro lado, a Ponte Preta merece - e muito - o rebaixamento à Série B.


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Desengonçado, Léo Gamalho perde gol incrível. A mais clara chance de empate


O péssimo elenco formado pela diretoria e seu departamento de futebol é a única e exclusiva razão do que vive a Alvinegra hoje. Um time caro, recheado de cabeças de bagre e alguns poucos que podem resolver, como Sheik, Lucca e Danilo, que ficam extremamente sobrecarregados.


E agora, a novidade de ontem - informação do repórter Pedro Orioli, da Rádio Central - é de que a diretoria, que teve nas mãos o maior orçamento da historia da agremiação, atrasou o direito de imagem dos jogadores. Em um momento delicado como esse, cada detalhe faz a diferença e afunda ainda mais o time na crise. 


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Contratado às pressas, Danilo Barcelos é um dos únicos que se salvam no grupo


A política e o que aconteceu dentro de campo esse ano já mostram que essa diretoria, além de merecer o rebaixamento do time, também merece perder a eleição - agora em novembro - para uma chapa de oposição ainda muito crua e longe de ter ideias amadurecidas, profissionalismo no futebol e algo que anime o torcedor de ver o diferente dentro dos corredores do Majestoso.


A missão agora é praticamente impossível. Não matematicamente, mas por saber que a Ponte Preta precisa contar com a conquista de pontos fora de casa, algo que não conseguiu até o momento, sendo a pior visitante do campeonato com a penas uma vitória.


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Em cada foto um jogador diferente da Ponte Preta com as mãos na cabeça. Lucca fez bom jogo, mas não conseguiu marcar


Isso resulta em uma natural perda de esperança do torcedor para o restante do ano. E as reações foram diversas. Desde o grupo em que preferiu quebrar o pau na saída do jogo ontem, até o outra grande parte que já se conformou com o destino e a disputa da Série B ano que vem. O que não pode ficar barato, ou de graça, é a mancha da ineficiência de quem manda e desmanda lá dentro da Macaca hoje. Os grandes responsáveis por mais um fiasco na gigante história da Associação Atlética Ponte Preta.